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Ríspido sabor da brisa gelada

Corre uma brisa, que me afoga e não avisa, no sentimento que tenho por ti. Quero abraçar-te no quente, do frio ignorado da gente, que ignora tudo o que vi. Vi para além do visível, que a visão pretende presenciar e muito além do perceptível para um comum mortal observar. Vi nas entranhas do frio que no teu coração se derretia quente, vi para além das suas artérias que bombeavam descuradamente.
Vi sem na verdade ver o que na mente presenciava, um coração de ouro no corpo de uma rapariga reservada. Num sorrido medido e sincero, numa palavra que não atropela o verso, numa medida de palavras, numa brisa sem regresso. Sussurrei com voz doce à brisa que teima em te gelar, perguntei porque te gela, porque não te faz brilhar. Ela respondeu que só eu tenho essa função, deixou de emanar o seu frio e aqueceu-me o coração.
Escadas da vida

Por vezes sinto vontade de gritar, chorar e amar, sinto em pleno o que a vida me dá, mas não consigo aproveitar. Por vezes não damos valor ao pouco que nos devia preencher. Por vezes desconhecemos o que esse pouco é capaz de fazer. Somos ambiciosos de natureza, uma natureza que nos faz querer ainda mais, valorizar ainda menos, pois somos todos iguais.
Não é fácil nos dar valor ao valor que cada um de nós tem. Somos cem mas pensamos não ter valor e ser ninguém. Falta a força para lutar o poder para acreditar, que temos tudo na mão para qualquer coisa que queiramos mudar. Acreditar em nós é necessário é estritamente e plenamente parte do inventário e nunca pode existir a palavra desistir no meu dicionário.
É impossível ter, tudo ao mesmo tempo, é mais importante viver para consumir em nós o alimento. A vida é só uma em pleno a viver no nosso coração, muitas vezes sonhamos alto de mais para cairmos na desilusão. Voamos sem asas e esperamos conseguir atingir uma dimensão maior no amor, mas no final a desilusão apenas causa em nós dor. Somos o reflexo da tristeza, que vive no nosso coração, somos o poder da mudança mas a carência em evolução.
Se pudesse esquecer

Observa vida, repetidamente te contacto para alcançar tuas respostas mudas e colher um conforto cego, que não sinto e não vejo. Pudesse eu largar o que me outorgaste de mau agrado. Pudesse eu aprender a não praticar semelhantes erros mediante o que aprendi. Pudesse apenas renascer e aprender finalmente a viver na tua vida. Vida. Sei que não me retribuis, mas sinto que me espias.
Na tua escuridão vês-me amar, errando em cada pessoa que o meu coração carrega. Na escuridão oiço tuas gargalhadas secas ecoando no vazio. E no vazio fico, sendo companheiro da solidão, acreditando num novo, despertar do coração. E nas costas te carrego vida. Mesmo te ouvindo rir de mim nunca te deixei só. Assim sou. Pelas vezes que não mereces nada, dou-te tudo, mesmo sem nada ter. Pelas vezes que tudo me dás, desconfio e tenho medo, do dia que o vou perder.
Observa vida, pelas vezes que me abandonastes eu não te deixei só. Observa vida, continua forte e não tenhas dó, deste jovem poeta…
No meu pensamento

A cabeça encontra-se confusa, mas o pensamento contigo torna-se simples. Penso em demasia. Problema esse de pensar em demasia. Surgiste como um anjo e eu sendo igualmente anjo, tenho as assas em sangue. Não consigo voar e permaneço a espalhar um pouco de bem na terra. Entrei no teu mundo e ensinei-te a usar as tuas assas. Mostrei-te que és um pequeno anjo com capacidade para voar.
” Porque voas baixinho,
se podes voar alto?
Talvez sejas semelhante anjo,
que gosta de pisar o asfalto.Porque voas baixinho?
Usa essas assas de riscas.
Talvez sejas semelhante anjo,
não gostas de dar nas vistas. “
Nem sempre me dou ou dei a conhecer. Pouca gente me conhece. Por vezes dou demais a alguém que não merece. Contigo é e sempre foi diferente. Só dou o que recebo. Bem dita sejas por não me dar desprezo.
” Nos teus olhos guardas,
palavras por dizer,
no teu coração, carinho,
que tenho vindo a receber.No teu sorriso aconchego,
que me mantêm quente.
No meu passado de mentira
conheci um anjo que não mente.No teu corpo doce
que eu nunca provei,
encontro o desejo
algo que não vi, mas sei.Nas tuas palavras
encontro a atenção,
o significado da partilha
e o resultado da compreensão.E por fim, em mim,
acho que não sei marcar,
tudo aquilo que faço
é ser modesto e rebaixar. “

Por vezes é complicado deixar a humildade de lado. Por vezes é complicado ser mais do que é esperado. Sei que sou, mas não gosto de o admitir, porque sei o que quero ser e os passos que faltam para o atingir. Na vida perdi pessoas e a desculpa foi que não me mereciam. Não consigo perceber, porque razão não deviam merecer? Pelo facto de a amizade ser demasiado boa e terem medo de a perder?
” Nunca pedi mais
do que aquilo que me dão,
mas sempre dei acima
do que tinha, de retribuição.Nunca me importei
sempre amei e fui feliz,
tenho medo do amar
mas sempre o tive quando quis.Sempre sofri no amor
mas sempre quis amar,
aproveitar cada segundo
até o amor acabar.Sempre acabou e
fui guardando caras no coração
pessoas que embora me fizeram sofrer
têm a minha admiração.Sempre dei ao máximo
e no fim sempre fiquei sozinho,
não recrimino ninguém
por preferir tomar outro caminho. “
O papel não critica ou julga aquilo que pensamos, apenas permanece imóvel à medida que se vai sentindo preenchido. No fundo o papel é como eu, reside na solidão e vive a vida esperando que alguém lhe pegue e escreva um livro nas suas linhas. Sempre quis escrever palavras, fazer companhia ao papel e quebrar o seu momento de solidão escrevendo. Não me sinto sozinho quando escrevo. Sinto uma energia que não se explica mas que sei que está presente. Meia hora já passou desde o momento que vim ao teu encontro papal, por vezes gostava de passar horas a teu lado, escrevendo nas tuas linhas, mas quem me iria ler? Quem se interessaria por estas palavras insignificantes que trespasso para o papel? Será que tais palavras podem servir para entreter alguém ou servirão apenas para te entreter a ti papel?
” Nasci com um objetivo
esta doença de escrever
cada pedaço contigo
é uma nova força para viver.Será que serei razão
para alguém viver ou sonhar?
Será que alguém sai do seu mundo
para no meu poder entrar?
Sinto muita gente à minha volta, mas são como tu papel, não falam. Será porque não querem ou porque simplesmente lhes tiro as palavras do pensamento? Não sei papel, mas sei que não me podes dar a resposta. Apenas eles os que me acompanham e sinto, embora não falem.
Não sei se sabes anjo mas habitas no meio deste rio de pensamentos. Pensar em ti é algo formidável porque nada em ti é dor e nenhum pensamento de nós é razão de sofrimento. Quem me dera poder ser assim para sempre. Neste momento sei que sentia saudades tuas e saudades de escrever.
Amo-te
Decisões. Confusas desilusões. Plenitude total, uma só decisão num só local. Vida. Ferida. Força de lutar. Todos juntos no mesmo porto, todos vivos ninguém morto para faltar. Uma saída. Paranoia. Loucura. Um coração ferido uma solução para tal amargura. Volta a decisão. Volta a confusão.
Verdades. Doem ao ouvir. Doem ao sentir e doem ao remoer nos ouvidos de quem não sente. A verdade. Por vezes a verdade mente, mesmo assim não deixa de ser verdade. Acreditando.
Sentido. Não o precisa de ter a escrita, para enaltecer a sua beleza. É bela. Por si mesma. Sendo arte. Haverá algo mais belo que tu? Já pensei existir. Mas tudo era ilusão escrita. Tudo acabou por partir.
Não te sintas só escrita. Não quero magoar o teu coração. Desculpa quando não te visito. Sei o quanto custa a solidão. Dá-me apenas a tua mão e vem junto comigo. Gostava de ter ter única, mas era fazer da escrita um inimigo.













