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Desabafando

O que de nascença torto sai,
no amadurecimento direito caí.
Meu amor torto, entortou,
nasceu assim, assim ficou.
Meu amor, esse é tão forte,
procurando oferecer-se,
e esquivar-se à sua morte.
Minha vida essa não sei,
vivo os planos de outro ser,
algo que nunca desejei.
Não consigo não amar,
não consigo não ter presente,
o sorriso de um abraço
que o meu abraço alimente.
Quero uma palavra sincera,
não palavras na escuridão,
quero conseguir não amar,
e silenciar o coração.
O que eu tenho
Mataste a minha ambição ao dizer que não a tinha. Tenho mas não a consegues ver, nem sequer teu ser adivinha. Tudo o que faço é zero, aos teus olhos nada faço. Aos teus olhos serei e sou pobre, minha vida é fracasso. Troquei o ouro da moeda pelo sorriso de um coração sincero. O que isso para ti? Nada. Zero.
Idealizaste algo que não sou, um caminho que não sigo, deixa lá, sei aquilo que sou nem me chateio contigo. A vida está difícil e a minha perdida por completo, tenho pena que não sobreviva a escrever meu ser completo.
Eu vou conseguir algo e depois o teu sorriso venceu, pena que não saibas que parte de mim morreu. A minha princesa, por vezes acha-me louco, nem sei como me achar, só sei que te amo e não te quero deixar.
O que eu tenho… Tenho é de ir trabalhar, empacotar os sonhos e deixar de sonhar. E por agora fico, fico a ver-me chorar, fico a ver a merda que acabei por criar.
Pequena Escuridão
Fazia frio. Ela fitava, olhava e pensava e por fim falava.
Que verdade é esta que minha mente vê?
Vejo perguntas sem respostas, não percebo porque.
Fazia frio e a pequena rapariga apenas olhava, inocente do mundo sem perceber o que fitava. Mas dizia.
Gostava de compreender o mundo. Que heresia!
Gostava de me compreender a mim mesma. Que bem me faria!
Era confusa outrora, não percebia o presente. Não questionava a existência, uma razão de ser diferente. Não enumerava o certo, vivia consoante o errado. Não procurava roubar a cadeira, o lugar do eterno sentado. Levantava e levantando procurava. E de tanto procurar falou do que não encontrava.
Quem sou eu? Uma caneta me dá existência
sou o produto de um poeta, sou a sua eloquência.
Quem sou eu afinal? Será o fim da tinta a minha morte
sou apenas a criação, um ser apenas no papel forte.
As questões continuavam. E cada questão sua me faz chorar mais tinta. Eu dou vida, mas muita vida morre ao fim de uma palavra. Muitas pessoas em mim nascem, muitas encontram a mente fechada. Pobre mundo o meu, sou criador e destruidor. Amo cada personagem minha sou curandeiro do amor. Sou a morte em cada palavra, meu deus como é mau o meu destino, criar tantas personagens e acabar escrevendo sozinho…
Morrendo

Por vezes sinto a morte.
Sinto-a fria em mim,
nas palavras que escrevo,
enfim…
Sinto as veias de minha escrita,
dilatar, inchar de raiva e desilusão.
Vejo sonhos, vejo metas,
desvanecerem e morrerem sem conclusão.
Olho em volta, mas nada está para lá do vazio.
Tenho medo, arrepio, mordo o lábio prossigo,
muitas vozes sussurram, nenhuma de um amigo.
Existe quem na luta, lute para ver perder.
Preso em seu próprio medo sem capacidade de vencer.
Perder é perder, nunca poderá ser ganhar.
Se perder, perdi, morri, ficarei a divagar.
Assim fico, vou ficando. Pensando. Sofrendo.
Vendo passar o mundo. Escrevendo para os que vão morrendo.
Longas Horas
Caí e recaí onde não queria cair, agora tenho amor que nunca consegui sentir, podes chamar-me falso mas meu amor nunca o será, agora sofro para seguir o caminho que meu coração me dá.
Ao menos tu consegues, esperar sem perder a força, aguentando esse amor que tanto bate sem deixar moça. Já sofreste mais que eu, nada apaga a dor da partida, eu cá vou sobrevivendo, curando ferida após ferida. Não te posso prometer a perfeição pois não sei o caminho para a atingir, não sei já o que é amor e as formas de o sentir. Apenas sei que nada sei e que de tudo sei um pouco, nesta jornada da vida que aposta em por-me louco.
Nez, gostava de agradecer tudo aquilo que me ofereces, tudo aquilo que me dás, tudo aquilo que me prometes e cumpres sempre a sorrir, a tua amiga disse “há muito não a via assim sorrir”, só isso é capaz de me encher o coração, rasgar páginas do diário e deixar de viver na solidão.














Caí e recaí onde não queria cair, agora tenho amor que nunca consegui sentir, podes chamar-me falso mas meu amor nunca o será, agora sofro para seguir o caminho que meu coração me dá.