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Monólogo de uma máquina de lavar
Estou farta, não aguento todas estas voltas toda esta pressão que me é incumbida, simplesmente não aguento. Não tenho marca e mesmo que tivesse seria das mais rascas e baratas, porque? Se faço tudo ou mais que as outras máquinas que passam o dia sentadas nas montras? Eu chego a funcionar três vezes por dia, e há noite ainda trabalho horas extras sempre que alguém se senta em cima de mim a fazer coisas indecentes.
Não aguento, andar às voltas todos os dias, deixa-me indisposta e a babar água durante todo o dia e depois fazem-me comer aquilo que eles chamam de detergente que aposto que nunca provaram porque senão não me dariam isso! E aquela comida cheia de botões que metem dentro de mim e com cheiros que ninguém consegue aguentar? Eu juro que tento comer aquilo, porque senão morro à fome, certo? Mas tem um sabor intragável e acabo só por lamber tudo e obrigo-os a retirar aquilo dentro de mim.
Mas há noite ainda é pior, tenho o cu da minha mestre em cima, o cu e outras coisas que não irei referir, mas é simplesmente horrível não sei que raio eles fazem só sei que abana muito e encaixam-se um ao outro, e em mim? A única coisa que encaixam é aquele líquido idiota e toda aquela comida dura.
Enfim o mundo que vivo é impossível. Já tentei várias vezes matar-me e destruir-me por completo enchendo-me de água mas nada resulta, porque sempre que o faço eles levam-me a um homem que mexe na minha boca e no meu cu, que por acaso gosto, e me deixa logo a 100%. Enfim esta é a minha vida, um simples máquina de lavar sem marca.





A puta recordação passada
que me ofusca o presente
sinto-me triste e tentado
não podendo seguir em frente.
OH! Sofrimento
que de momento me consome.
OH! Pobre comida
que não mata minha fome.
Queria renascer, sério! Juro querer
caminhando para a campa serei coveiro do meu morrer.
OH! Vida, mais curta que comprida.
OH! Vida, tão dura de ser vivida.
Gostava de prometer
mas no final cumprir
gostava de vencer
para não te ver partir.
Gostava de ser um pouco mais forte
neste jogo da vida
contar com um pouco mais de sorte.
Gostava,
e continuo a gostar,
amo-te
e irei sempre te amar,
quanto ao passado,
não me vou ficar,
ainda não passou,
mas terá de passar.