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Diferença? Todos semelhantes…
Por vezes somos julgados, impõem-nos padrõesPor vezes o próprio padrão, não admite variações
Não somos diferentes, por ser diferente o que vestimos
Porque no fundo somos todos iguais, é igual o que sentimos
Alguns por voarem tão alto, nas nuvens se enraízam
Não voltam, ficam perdidos, e nem a chuva os faz cair
Apenas traz lembrança do sonho que outrora viu partir
Também não é o cabelo, que nós faz sermos diferentes
A diferença está no coração, nos seus componentes e no que sentes
No que fazes, no modo como fazes, e no modo de o fazer
Pois o desejo é comum, amar a humanidade e ajudá-la a crescer
Por isso sonha muito, luta e sê apenas quem tu és
Não te vejas obrigado a mudar, habitua-te no invés
Eu sou quem sou, um ser igual a todos vós
Agora uso a escrita, talvez mais tarde use a voz
Chamam-me Vigilante

Chamam-me Vigilante,
mas eu não sei quem sou,
estou aqui, mas não estou,
não sei quem me colocou,
que se passou?
Chamam-me Vigilante,
mas só vigio as palavras,
na vigília toda a noite,
para saírem as mais raras.
Chamam-me de poeta,
mas poeta não me sinto,
apenas me expresso e confesso,
nas palavras com afinco.
Chamam-me mc,
mas apenas me expresso,
sobre um beat,
para me mostrar mais complexo.
“Gatinho, o que estás aqui a fazer?
Procurei-te por todo o lado, porque te vieste aqui esconder?
Gatinho, o que foste tu dizer?
Não me digas que és Vigilante o meu próprio ser?
Ai, o que estou eu a dizer?
Um gato só fala apenas se o escrever…”
O seu mexer

Só eu sei como ela mexe, só eu a sei fazer mexer
só eu sei como a enlouquece, o meu tocar, o meu gemer
só eu sei sua lida, só eu perfaço a sua inteira vida
só eu trago o labirinto, finalmente com uma saída.
Só tu sabes como te amo
só tu sabes que não te engano
só tu sabes todo o amor que emano
só tu sabes as palavras que derramo
Meu coração é espelho
para ti não há segredo
não tenho medo, receio
amo-te de coração cheio.
Monólogo de uma máquina de lavar
Estou farta, não aguento todas estas voltas toda esta pressão que me é incumbida, simplesmente não aguento. Não tenho marca e mesmo que tivesse seria das mais rascas e baratas, porque? Se faço tudo ou mais que as outras máquinas que passam o dia sentadas nas montras? Eu chego a funcionar três vezes por dia, e há noite ainda trabalho horas extras sempre que alguém se senta em cima de mim a fazer coisas indecentes.
Não aguento, andar às voltas todos os dias, deixa-me indisposta e a babar água durante todo o dia e depois fazem-me comer aquilo que eles chamam de detergente que aposto que nunca provaram porque senão não me dariam isso! E aquela comida cheia de botões que metem dentro de mim e com cheiros que ninguém consegue aguentar? Eu juro que tento comer aquilo, porque senão morro à fome, certo? Mas tem um sabor intragável e acabo só por lamber tudo e obrigo-os a retirar aquilo dentro de mim.
Mas há noite ainda é pior, tenho o cu da minha mestre em cima, o cu e outras coisas que não irei referir, mas é simplesmente horrível não sei que raio eles fazem só sei que abana muito e encaixam-se um ao outro, e em mim? A única coisa que encaixam é aquele líquido idiota e toda aquela comida dura.
Enfim o mundo que vivo é impossível. Já tentei várias vezes matar-me e destruir-me por completo enchendo-me de água mas nada resulta, porque sempre que o faço eles levam-me a um homem que mexe na minha boca e no meu cu, que por acaso gosto, e me deixa logo a 100%. Enfim esta é a minha vida, um simples máquina de lavar sem marca.
Conto: Liberdade do Sentimento
Estava escuro, naquele bosque… Encontrava-me sozinho embora ao mesmo tempo com tanta companhia, criaturas sombrias e sem coração, que me perseguiam sem saber porque, ou o que queriam de mim. Fiquei sem forças, não conseguia fugir mais, estava exausto. Então decidi enfrentar o que me perseguia, e fiquei surpreso ao ver que era uma linda rapariga.
- Olá eu sou a bruxa da floresta, não sou assustadora, não possuo qualquer verruga, mas meu poder chega para te manter aqui preso para toda a eternidade.
- Não isso não! Por favor, preciso de sair deste lugar.
- E podes sair…
- Como? Por favor diz-me como.
- Basta me mostrares sentimento e serás livre, apenas isso.
- Mostrar sentimento? Mas como?
Não obtive resposta, a linda bruxa desapareceu, tão rapidamente como o seu aparecimento. Apenas se manteve o ar sombrio, agora aliado a uma dúvida de como mostraria sentimento, num bosque repleto de monstros. Continuei trilho acima tentando não dar atenção aos murmúrios das árvores e ao chiar dos animais, que tal como eu, pareciam não ter forças, sequer para se manterem de pé. Exausto e sem forças, deixei cair meu corpo sobre um monte de folhas secas, já sem vida. Adormeci e acordei momentos depois incomodado por uma forte luz, invulgar no meio de tanta escuridão. Que poderia brilhar tanto, num bosque tão escuro e sombrio? Decidi investigar, andando em direcção aquela luz. Descobri que a luz vinha de uma linda fada, que se encontrava debaixo de uma árvore velha. Esta era muito bonita, cabelo longo, escuro e uma figura muito esbelta. Esta parecia mais do que eu, estar assustadissima. Não pensei muito, avancei e decidi falar com tão bonita rapariga.
- Olá, estás perdida?
- Deixa-me em paz, por favor, não me faças mal. Eu prometo voltar para casa, apenas me perdi no meu caminho.
- Não te vou fazer mal, não sou um deles e também me encontro sozinho e sobretudo perdido.
Nesta altura a fada esboçou um sorriso lindíssimo, que desde logo me prendeu. Tinha vontade e expectativa que o esboça-se novamente.
- Posso saber o teu nome?
- Eu chamo-me Catarina. Ana Catarina.
- Bonito nome, mas sobretudo bonito sorriso.
- É muito gentil da tua parte, mas acho que deveríamos pensar em como sairmos daqui.
- Tens razão, vamos colocar-nos a caminho, eu protejo-te não te preocupes.
Fomos juntos, ambos assustados, trocando olhares e sorrisos que mostravam mais do que apenas medo. Subitamente a chuva começou a fazer-se sentir. Foi aí que corremos afim de encontrar-mos um abrigo, mas apenas encontramos sarilhos. A estrada tinha terminado, mas Ana, não teria percebido, e acabou por segui-la, até cair. Vendo-a cair, tive tempo de esticar minha mão e agarra-la. Ela disse várias vezes, deixa-me, salva-te a ti, mas eu simplesmente não era capaz. Usei toda a minha força e em esforço consegui traze-la para um local seguro, a terra. Ficamos os dois durante vários minutos, olhando um o outro, até que ela disse.
- Obrigado, salvaste-me a vida.
- Obrigado eu, fizeste mais que isso, deste-me a perceber o verdadeiro significado da vida.
- Sério? E qual é?
Não proferi uma palavra, simplesmente como a chuva que cai sem permissão, também eu a beijei sem permissão. Enquanto a beijava, seus olhos piscavam, seu corpo tremia, e o mundo mudava. A chuva parou, o dia nasceu trazendo com ele o verde e apagando todo o negro do bosque. Que significaria isso? Que tinha provado sentimento? Penso que sim… Confesso que era capaz de passar o resto dos meus dias naquele bosque, mas contigo do meu lado. Mas não foi preciso. Não contem este segredo a ninguém, mas desde que conheci tão linda rapariga, guardo uma fada no coração.





Carta à vida
Vida és tão injusta nem forças nos dás para lutar, nem te mexes para ajudar, as pessoas que vês imóveis prestes a fracassar. Onde está a felicidade que todos dizem ser fácil de alcançar? Neste sociedade de dormentes nem os anti-depressivos são capaz de nos curar. Se não dependesse de ti provavelmente já me tinha despedido, não gosto de ti ponto, não preciso de te dar mais algum motivo, tu não crias o mundo.
Obrigado vida por tudo aquilo que não és capaz de fazer, mando-te em correio azul, nem precisas de responder…