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Por entre palavras calmas

Por entre palavras calmas não me consigo encontrar, sinto-me perdido num mar de palavras, no qual não sei navegar. Nas palavras que me formam, perco-me no toque da sua essência e encontro-me de modo incessante no fundo da minha consciência. Perco-me novamente, como se fosse próprio de mim nunca me encontrar, ou simplesmente ignorar completamente a força que me faz andar.
Vivo em palavras e apenas em palavras eu me sei perder, construindo vários castelos para um dia me poder esconder. Quero viver em palavras, mas por vezes não sei o que dizer, as palavras parecem sumir-se à medida que as tento escrever. O papel fica em branco e as palavras deambulam à minha frente, escrevo na esperança de igualdade e obtenho um resultado diferente.
Rendo-me em palavras e sem palavras não o poderia fazer, com as palavras crio pensamentos que muitos outros irão ler. Sem palavras muito falta, falta até me completar, falta descrever quem eu sou e uma forma de me encontrar. Com os passos que descrevo e que vou marcando o caminho, deixo palavras para trás para nunca me sentir sozinho e há medida que o faço, vou sendo um pouco mais eu, vou procurando ser poeta que nas palavras morreu.
A escrita na vida do ser humano
O ser humano respira palavras e consequentemente vê-se mergulhado constantemente na escrita, seja mediante a sua produção ou num prazer efémero de leitura. As palavras formam tudo o que nos rodeia. Inundam os nossos olhos como bibliotecas de conteúdo que folheamos de forma minuciosa. Por vezes ociosa e pouco criativa ou aberta a interpretações que deveriam ser suscitadas no ato de leitura. Quis o mundo fazer-nos cegos. Cegos para a realidade à qual a escrita nos transporta. Nos abandona e nos faz crescer e enfrentar de forma singular cada palavra.

A escrita é importante no ser humano, como a respiração é indispensável à sua sobrevivência. Mas quis o mundo sufocar-nos. Quis o mundo não nos deixar ver a sua grandeza e no pequeno da sua existência, reduzir cada artista a diminuto do seu talento. Quis o mundo que eu o contraria-se. Que voasse nos seus ventos adversos e sem perder uma única folha de papel, escrevesse em louvor de todos os artistas que vivem na sua escuridão. Que vivem ofuscados pelas palavras. Que se alimentam delas e fazem em cada livro um belo prato digno de qualquer bom chefe de cozinha, conhecido por todo o mundo. Deveras mais conhecido do que quem se alimenta por palavras.

Quis a vida entreter-nos no seu sofrimento. Mas eu poeta, encontrei refúgio nas palavras. Um porto de abrigo que me conduz no caminho certo que a vida ditou para mim. Sou grande em palavras, porque acredito que as palavras me fazem grande. Não o poderia ser de outra forma.
A vida ensinou-me que as palavras são armas. As palavras apaziguam na resolução de conflitos. Aquecem o coração mais gelado. Aconchegam o amigo mais querido. Servem de auxílio quando a racionalidade procura escapar às palavras e nos comove em lágrimas que eu prefiro soltar em palavras.
São as letras a formar palavras. As palavras a formar frases. As frases a exprimir sentimentos. Os sentimentos a formarem obras e as obras a alimentarem sonhos. Tão importante é sonhar! O que seria viver a vida sem sonhos?
Esta é a minha arte e a minha forma de viver. Quis o mundo que nunca desistisse dela. Quiseram as pessoas mergulhar em cada um dos meus sentimentos e os tomarem como efetivamente seus. Únicos. Singulares. E ao mesmo tempo globais no seu modo de sentir. Cada um que me sente, sente o tiro da minha arma. As palavras são balas e na minha escrita mato o tempo, vejo escorrer o sangue em sentimento e sou somente feliz.
A escrita na vida do ser humano, tem o poder da criação. O poder que muitos ignoram. O prazer que muitos questionam e mais ainda aquele que poucos prestam atenção. Não condeno em ações, tal como não o faço em palavras. Porque palavras são balas e embora pacífico, tenho sempre a arma carregada…
Amo-te
Decisões. Confusas desilusões. Plenitude total, uma só decisão num só local. Vida. Ferida. Força de lutar. Todos juntos no mesmo porto, todos vivos ninguém morto para faltar. Uma saída. Paranoia. Loucura. Um coração ferido uma solução para tal amargura. Volta a decisão. Volta a confusão.
Verdades. Doem ao ouvir. Doem ao sentir e doem ao remoer nos ouvidos de quem não sente. A verdade. Por vezes a verdade mente, mesmo assim não deixa de ser verdade. Acreditando.
Sentido. Não o precisa de ter a escrita, para enaltecer a sua beleza. É bela. Por si mesma. Sendo arte. Haverá algo mais belo que tu? Já pensei existir. Mas tudo era ilusão escrita. Tudo acabou por partir.
Não te sintas só escrita. Não quero magoar o teu coração. Desculpa quando não te visito. Sei o quanto custa a solidão. Dá-me apenas a tua mão e vem junto comigo. Gostava de ter ter única, mas era fazer da escrita um inimigo.
Fragmentos

Se os fragmentos da minha essência, pudessem narrar a mais admirável história que jamais expus. Se pudesse despontar perante mim, os sonhos que sempre tive, mas não propus. Se todo o escasso sonho que devoro, me elevasse à plenitude. Exista escrita. Exista saúde.
É escasso o buraco entre o sonho e a realidade, entre o fragmento e o concreto, entre o desfeito e o completo. Eu completo o meu sonho escrevendo, e a escrever-me completo. Eu desespero se não tenho, e se não me tenho sou concreto.
Não faço sentido, mas dou sentido. Sou romântico, sou emotivo. Se nasci para escrever, faço de escrever o meu motivo. E se me motivo para escrever, atrás de mim trago uma multidão. Escrevo por escrever e para redigir meu coração.
Se não escrevo desespero, dou em louco e não quero. Se não escrevo nada sou, sou pó, sou como zero. Por isso escrita, deixa-me amar-te para sempre, deixa-me mostrar-te e amar-te, meu amor não mente. Casa com a paixão que te tenho e deixa-me para sempre escrever, deixa-me juntar-me a ti, na hora de morrer.
Amor à escrita

O amor não é fácil, por isso somente amo quem não me julga, nunca fui nem quero ser o cão que sofre com dor de pulga. O meu amor é a escrita, o papel é a nossa casa, a caneta o nosso carro, a tinta é amor em brasa. Que bom é ter-te nas noites em que tremo de frio, em frente à lareira em cada linha um arrepio. És tu quem me aquece escrita, e é por ti que eu hoje vivo, vivo para escrever, nos momentos de raiva és meu sedativo. Não encontro adjetivo para descrever tão bela arte, é isto que eu gosto sabes que nunca te colocarei de parte, minha companheira, minha amiga sempre fiel, já uma vez me casei contigo, agora coloca-te o anel de papel.
Sabes escrita por vezes tenho medo de não ser o melhor marido, mas sei que nunca mas nunca conseguirei contigo uma relação de amigo. Tornaste-te minha confidente aquela a que abro o coração, se existe um motivo de estar vivo, tu és a sua razão. Por isso te escrevo essa carta para nunca esqueceres que existo e tu és a razão, ai a razão porque persisto.













