desilusão « Vigilante, o Poeta Vigilante Vigilante, o Poeta Vigilante

Posts Tagged ‘desilusão’

Abril 19th, 2011

Há quem pense que nada faço

O meu trabalho recente

Desde o início das minhas férias que me dispus a fazer uma revisão completa dos meus artigos, tanto aqui como no meu sentimento calmo. Hoje na segunda semana de férias posso afirmar que essa revisão está concluída. Revisão essa que me demorou todos estes dias a trabalhar de dia e de noite!

Os poemas e prosas aqui no blog estão agora organizadas segunda as devidas categorias para ser mais fácil encontrarem o que desejam. Todo o outro conteúdo foi revisto. Continuo a dizer que se encontrarem algum erro é totalmente normal, o número de artigos no site era imenso e tornava-se quase impossível ou impraticável, ver cada artigo, palavra por palavra, letra por letra.

Felizmente foi tudo revisto e os contos reescritos. Preferi manter os poemas e prosas tais como eles estavam, não seria certo estar a mexer em conteúdo meu que já tem anos. Acho importante que se note a evolução e o meu crescimento como escritor. Para além de não gostar de estar a alterar sentimentos. Sentimentos esses que senti no momento de escrita e que não quero alterar na atualidade.

Há quem pense que nada faço

Mesmo assim há quem pense que nada faço, pela simples razão de não compreender e não se interessar sequer, pelo que é o meu trabalho. Falo do meu pai. Acho irónico que há bem pouco tempo este nem sabia que eu queria seguir estudos. Há bem pouco tempo este não sabia sequer que estou num curso de letras porque gosto efetivamente de escrever. Poderia continuar com as enumerações, mas seriam imensas.

Acho igualmente irónico que o meu pai só tenha descoberto que o filho escreve quando emigrantes e amigos lhe elogiaram o meu trabalho e o questionaram pelo orgulho que este deveria ter por mim. Engraçado, acredito que deva ser imenso, quando descobrimos o que o nosso filho faz através dos outros.

Para o meu pai passo o dia a brincar no computador, o que também se torna irónico, visto que, não entra nenhum jogo neste computador à alguns anos. É engraçado que o meu pai nem sabia que eu estava a escrever o meu primeiro livro e quando descobriu, preferiu gozar com a minha cara e perguntar-me se estava a dar para intelectual ou se queria ser o próximo Fernando Pessoa. Já para não acrescentar a mítica expressão “Não me faças rir”.

De todo o tempo que estou de férias, ontem foi o único dia que saí à noite! E saí durante duas horas e mesmo assim fui capaz de ouvir da boca dele “Sair a uma segunda feira? Que bom que é estar de férias e não ter nada para fazer da vida”. Embora a minha vontade fosse de fazer cabeças rolar, preferi apenas sair e engolir em seco.

O que eu queria e precisava

Apenas um pouco mais de interesse. Um pouco mais de compreensão. Um pouco mais de apoio e um pouco mais de orgulho. Posso hoje não ser nada. Posso no futuro nada ser. Mas prometo no presente, mostrar-te o que no futuro estás a perder.

Março 3rd, 2010

Suicídio Lirical

http://fc05.deviantart.net/fs43/i/2009/087/2/e/Suicide_by_cryingmoon111.jpg

Como um boneco de trapos sinto-me ser controlado, manipulado, usado e invertido, já não consigo ter certezas de coisas que para mim não fazem sentido. Sinto um vazio, um sentimento de solidão que não encontra o seu complemento, vejo-me preso a convicções que não possuem qualquer fundamento.

Rasguei palavras,
nesta vida já rasguei o tempo,
furei barreiras e superei-as
para encontrar meu alimento.

Mas o caminho não é certo, talvez seja tão certo como eu ser poeta, que se lixem objetivos que nunca irão cumprir a meta. Choro lágrimas de sangue, todo o meu corpo parece ficar vermelho, tenho medo de me levantar, medo de ver meu ser ao espelho. Como a droga que consome, só pede mais e nada tem, quantas vezes me vejo colado e esperando por algo que nunca vem.

Procurei sonhos, tentei
compreender a vida e errei.
Venci, lutei e perdi
fiz tudo para provar ao mundo
que gosto, do que vivi,
mas nada prova,
e o meu ser comprova,
que venci, lutei e perdi.

Coloquei a poesia numa caixa e decorei-a o melhor que o meu ser sabe fazer, foi o melhor que guardei de todo este meu viver. Olhei as fotos de paixões, de momentos felizes nesta vida, pena que sempre no auge do bem, vem um seguimento de partida. Por várias vezes ouvi ser especial, eu penso ser uma especialidade de merda, se sou tão especial porque só mantenho o que me enerva. Porque é que tudo o que tenho, voa com um vento que não vejo soprar, porque é que tudo o que partiu não ganha uma ânsia de voltar.

O meu coração é um espelho, vivo entre sensações que me prendem ao amor, não peço que entendam o que sinto, apenas peço que não me transmitam dor. Queria ser o ponto central de uma partilha, igual, mágica e inalterável, tudo o que me transmitem é falso, sem esperança e pouco saudável.

Chamam qualidade ao meu dar demais, eu chamo ter a menos, dar tudo nada ter, verem tudo e nada vermos. Tudo o que produzo é efémero, é vago e será esquecido, à muito tempo que não vejo a luz, à muito tempo que me fugiu o motivo. Porque vida? Porque razão tudo parece errado, mal tenho forças para viver, porque me queres manter acordado.

Quero respostas às perguntas que nunca fiz mas sempre quis saber, quero ver a vontade de viver ser superior à de desaparecer. Quero tocar mais alto, quero sentir o céu me possuir, quero ser mais do que sou, mas menos do que me faz sentir. Quero divagar, quero correr no vento atrás de quem já não está aqui presente, quero morrer e dar o corpo a toda essa minha gente. Porque eu não vivo sem os presentes, os que partirão e os que virão, eu não vivo… No meio de tanta solidão.