Desabafo « Vigilante, o Poeta Vigilante

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Janeiro 7th, 2012

Por entre palavras calmas

Por entre palavras calmas não me consigo encontrar, sinto-me perdido num mar de palavras, no qual não sei navegar. Nas palavras que me formam, perco-me no toque da sua essência e encontro-me de modo incessante no fundo da minha consciência. Perco-me novamente, como se fosse próprio de mim nunca me encontrar, ou simplesmente ignorar completamente a força que me faz andar.

Vivo em palavras e apenas em palavras eu me sei perder, construindo vários castelos para um dia me poder esconder. Quero viver em palavras, mas por vezes não sei o que dizer, as palavras parecem sumir-se à medida que as tento escrever. O papel fica em branco e as palavras deambulam à minha frente, escrevo na esperança de igualdade e obtenho um resultado diferente.

Rendo-me em palavras e sem palavras não o poderia fazer, com as palavras crio pensamentos que muitos outros irão ler.  Sem palavras muito falta, falta até me completar, falta descrever quem eu sou e uma forma de me encontrar. Com os passos que descrevo e que vou marcando o caminho, deixo palavras para trás para nunca me sentir sozinho e há medida que o faço, vou sendo um pouco mais eu, vou procurando ser poeta que nas palavras morreu.

Outubro 10th, 2011

É algo que não se explica (2)

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É algo que não se explica sem explicação aparente, são mil e uma ideias a palpitar na minha mente. São fábulas. São contos. São frases sem uma simples formação. São um turbilhão de ideias sem uma possível explicação. São um tudo e por momentos esbatem-se em nada. Parecem querer oferecer-me o mundo e nas costas atraiçoar-me com uma facada.

Existe muito que passa para além da nossa pacata compreensão. Existe para além do muito e além do que a compreensão apanha. Existe um mundo que me envolve em palavras que por vezes tendem em não ter sentido. Diariamente me revejo em meus olhos e por momentos fico retido. Fico preso em mim próprio porque de modo repetido e incompreensível não consigo apreender o que eu próprio pretendo transmitir. Chego a pensar que escrevo para mim mesmo, e por vezes acredito que nunca me irei entender em pleno.

Pretendo ser mais. Bem mais do que as palavras me permitam. Bem acima da escrita, mas apoiado nela. Pretendo ser melhor que mim mesmo e não melhor do que ninguém, pois todos somos diferentes dentro da nossa igualdade. Pretendo apenas compreender, compreender para viver. Pretendo ser apenas poeta para sempre, mesmo depois de eu morrer.

Quando todos chorarem a minha morte eu permanecerei a rir, porque a pessoa pode morrer, mas o poeta nunca irá partir!

Outubro 5th, 2011

É algo que não se explica

Não se explica só complica o que se passa na minha mente. Vocês lutam para ser iguais, eu luto para ser diferente. E assim derrepente podia pensar em muita gente, mas mantenho-me somente só, num mundo independente. Eu sigo vigilante num caminho que somente eu traço. Muitos sonham demais e na realidade caem no fracasso. É escasso o tempo para realizações de tamanha envergadura. Muitos perdem a cabeça e alinham no corte e costura.

A vida não é para fracos por isso mantenho-me eternamente forte. A evolução na minha missão será o meu objetivo até à morte. Com sorte irei triunfar onde muitos talvez cairão, pois luto com a força que tenho e toda a força que as palavras me dão. É algo que não se explica. A minha mente é complicada e complica e as pessoas não dão soluções apenas apoiam quem critica.

O mundo não anda perdido vocês é que se perderam no mundo. Eu vou ao fundo da questão e levo a questão ao fundo. Eu tenho o mundo na minha mão e as armas para o mudar. Vocês parecem o nosso estado só luta para se enterrar! Onde está a união e o lutar por um mundo melhor. As pessoas pretendem ter tudo, e não notam que só conduzem o mundo ao seu pior.

Existem orelhas aqui que aqueceram como chamuça, peço desculpa aqueles a quem não assentou a carapuça!

Maio 23rd, 2011

Descarga de raiva

Hoje a raiva invadiu cada corpúsculo que forma o meu corpo. Sem razão aparente, sendo razão suficiente para alimentar e acarretar ainda mais raiva. Desabafo na frente de um ecrã, palavras que poderiam ser o sangue que a minha raiva pretendia ver escorrer. Ser a libertação de um bicho que possuiu o meu corpo e o levou ao seu extremo.

Por vezes é impossível aprisionar toda a raiva e manter-me sempre a pessoa calma que a minha aparência denota. A pessoa calma que dia após dia engole em seco para um dia sofrer da acumulação de tantos comprimidos de contenção. Hoje rebentei. Rebentei sozinho e retirei-me. Retirei-me para onde ninguém me consegue ver. Retirei-me para um local onde não consiga magoar ninguém para além de mim próprio.

É complicado armazenar e gerir tantos sentimentos antagónicos, que no fundo conjugam euforia com uma disforia raivosa. É complicado armazenar tantas palavras de tantas bocas que se atiram no silêncio e que na frente se silenciam e se escondem em palavras meigas. É complicado manter-me quando na verdade me quero perder em vários sentimentos, que sinto, que aprisiono, na esperança de poder finalmente libertar no seu pleno.

É frustrante investir tanto em tanta coisa e retirar tão pouco. É triste não ser compreendido, não ser apoiado, mas custa muito mais ser ignorado. Custa muito mais ser rebaixado e custa muito mais saber que existe quem não daria nada por nós e no fundo nos deu a vida.

Tudo em mim é uma descarga que não controlo. Muito menos controlo o que do meu coração saí e que digitalmente neste texto pinta o ecrã. Não sou eu que escrevo. Muito menos controlo o que é escrito. É algo para além de mim. Algo que me transcende e me completa, porque liberta as palavras que eu nunca seria capaz de dizer.

Não sou nada hoje, não serei nada amanhã, morrerei sem ser mais nada que isto, mas deixa-me tentar para perceber no fim da minha vida que sempre estive errado.

Outubro 26th, 2010

Grito

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Por vezes, sinto um apelo interior para que grite bem alto. O máximo que a minha capacidade vocal permita. Gritar. Apenas por gritar, sem saber ao certo o motivo de tanta fúria. O que devia sentir  era felicidade, mas por vezes transforma-se numa tristeza parva que não percebo. Apenas grito. Apenas grito mais alto do que a voz do meu coração e acima das palavras da minha razão. Grito. Depois choro. Amanhã sou um homem novo.