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O reflexo
Reflexo. Deveria este ser real não deveria? Os fantasmas não têm reflexo, mas ainda não foi provado que estes existem, mas mesmo assim eu afirmo que existem, não os fantasmas, mas os reflexos que não são reflectidos. O reflexo, outrora em tempos não assim tão remotos, era a realidade que um espelho espelhava, apresentava todos os defeitos, as perfeições e no fundo quem o olhava, uma pessoa. Hoje em dia, isso não se verifica, porque as pessoas já não são pessoas, as pessoas são um reflexo do que não são, o reflexo de uma sociedade regulada e limitada por padrões que os obrigam a ser o que não são, a mostrar o que não têm e a agir como nunca o fizeram.
Revoltados diria. Mas o que o mundo precisa é uma revolta. Não uma revolta mundial, mas uma revolta interna que começa em cada um de nós e que revolta é essa, perguntam vocês. Trata-se da afirmação e defesa de quem somos, sem privações, sem medos, sem medo de encarar a sociedade. Afinal somos nós, porque tentamos ser mais do que isso, se somos bons como somos?
Muitas pessoas vivem no medo de falhar, de estabelecer etapas que conseguem ultrapassar, mas que se vêm limitados pelo factor medo. No fundo tudo é um grande jogo psicológico onde o medo domina. Cada pessoa tem as qualidades que os definem, têm a personalidade que os caracteriza, porque queremos nós ter mais qualidades que não temos? Por pura ilusão, por ignorância, por medo do que a sociedade possa pensar de nós?
No fundo este é o reflexo de uma sociedade que não vive e quem não vive não tem reflexo, logo são fantasmas e os fantasmas existem, certo?