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Setembro 19th, 2009

Usada e abusada

Ele não me deseja,
não me ama, quando beija,
não sente quando toca,
e na verdade não ama,
muito menos se importa.

Sou apenas um objeto,
no seu jogo de prazer,
farta de ser o concreto,
o objetivo de seu gemer.

Farta de ser usada,
humilhada e maltratada,
se nasci para ser amada,
porque me sujeito,
a apenas ser desejada.

Não quero ser desejo,
se não houver amor,
não quero mais o teu beijo,
se após ele vier a dor.

Chega! Desisto apesar de te amar,
talvez um dia verás,
o que tinhas, e foste capaz de desperdiçar.

Setembro 18th, 2009

Carta de Suicídio: Desabafos de um abuso

http://fc06.deviantart.net/fs24/f/2007/335/2/d/Green_Suicide_by_brooze.jpg

Estou assustada. Sinto o medo crescer e inchar cada artéria que conduz tamanho sangue ao meu coração. Escrevo no papel. Escrevo nesta carta. Escrevo palavras que contêm todo o meu medo, palavras que não consigo proferir a ninguém para além de ti. Sinto que sou fraca.

Sou fraca por me esconder no papel, mas sinto que as pessoas também são fracas e inúteis demais para me ajudarem, ou sequer, para perceberem como o mundo desabou à minha volta.

Sinto nojo das pessoas ao ponto de as poder perdoar. Pergunto-me como podem estar cometar erros de uma extensão imensurável. Sinto-me perdida. Pensei ter-te como amigo. Pensei que o fazias porque me querias mostrar o que é amar e todas as suas formas. Então como uma criança ingénua fazia tudo para te manter com um sorriso na cara. Confesso até nunca ter feito caso ao facto de teres idade para ser meu pai. Nunca pensei com a cabeça, porque a encheste de veneno, contaminaste cada um dos meus pensamentos e fizeste-me pensar que o que fazia-mos era correto. Hoje percebo que estavas errado.

Tudo o que querias era fazer do meu corpo teu, explorar tudo o que conseguias tocar, como se de um boneco me tratasse. Por vezes quando me deito, ainda te sinto a pressionar o meu peito. Sinto o teu peso. Sinto o teu cheiro a tabaco e sinto nas minhas feridas salientes a forma como me agarravas. Lembro-me de te ver despido. Lembro-me de me manter intacta contando os segundos para que passasse e pudesse novamente ser criança.

Um dia decidi enfrentar-te, ficaste fulo, tentaste bater-me. Não aguentei, bati-te com a primeira coisa que a minha pequena mão conseguiu agarrar. Chorei ao ver-te desfalecer no chão desvanecido em sangue. Senti-me livre mas ao mesmo tempo presa por uma culpa que não conseguia lidar. Não sou fraca, apenas não consegui viver. Não consegui viver a minha vida enquanto não me deixaste viver. Não aguento sequer continuar. Papel és a minha única testemunha e nesta despedida deixo-te um beijo.