Sem nexo

Vou escrever o poema mais incorreto,
mais feio e sem nexo.
O poema que ninguém vai ler,
o poema que não é poema
e todos irão esquecer.
Vou escrever algo mesmo mau
pior que atirei o pau,
ao gato, eu atiro o pau à rima,
vai ser tão mau, mas tão mau,
que até irá arrefecer o clima.
Todos irão achar ridículo
que o poeta morreu,
pena que numa própria escrita,
lá o poeta renasceu.
Neste poema não sou poeta
sou o palhaço que está a escrever,
coisas sem senso,
que ninguém irá ler.
Mas a desgraça continua,
alguém a faça parar,
isto é como facadas à poesia
e sou eu poeta a dar.
Prefiro esfaquear-me
que esfaquear tão bela arte,
que raio fiz eu aqui
acabei de me por de parte.
O que eu queria,
queria fazer um poema mesmo feio,
sem nexo, e com paleio,
como garotos dentro da sala de aula no recreio.
Se ao menos pudesse

Se conseguisse beijar o beijo, que jamais te fiz beijar. Se conseguisse desvendar a perfeição, arredar a mão e tocar. Tocar o coração que nunca observaste quanto ama. Poder separar amor, prazer, paixão que me ama.
Sinto uma queimadura que me apega, me faz queimar em teu corpo. Acende-me de loucura, me fascina, me deixa louco. Se o amor apresentasse forma, por certo seria uma miragem. O meu amor tem uma forma apenas, a tua imagem.
Como pode o amor ser perfeito, se o ser humano é só imperfeição. Alimenta-se o ódio e raiva, quando só permanece amor no coração. Porque se desatam palavras que nunca necessitavam ser ditas, porque? Maldição. Pudesse eu prender, tudo de mal fora do coração.
Somente quero amar. Quero que tomes o meu corpo como nunca foi tomado. Quero ser tocado. Quero ser amado. Quero amar. Quero tocar. Quero explorar. Quero tudo o que quero e mereço ter. Quero. Desespero. Dá-me uma oportunidade de te ter.
Perfeição

Procuro a perfeição,
sem saber se existe
procuro um sorriso que persiste,
neste mundo triste.
Será que existe?
Estará fechada sem acesso?
Se existe eu quero,
onde posso tirar ingresso?
Será a perfeição,
apenas artificial?
Inatingível,
será que a procuro mal?
A perfeição não se atinge,
apenas o melhoramento,
não acredito em inspiração,
eu acredito em talento.
Acredito que cada ser, tem uma alma poeta.
Acredito no amor, sem o cúpido da seta.
Acredito que nunca consiga atingir a perfeição.
Mas também acredito que não me falte motivação.
Fragmentos

Se os fragmentos da minha essência, pudessem narrar a mais admirável história que jamais expus. Se pudesse despontar perante mim, os sonhos que sempre tive, mas não propus. Se todo o escasso sonho que devoro, me elevasse à plenitude. Exista escrita. Exista saúde.
É escasso o buraco entre o sonho e a realidade, entre o fragmento e o concreto, entre o desfeito e o completo. Eu completo o meu sonho escrevendo, e a escrever-me completo. Eu desespero se não tenho, e se não me tenho sou concreto.
Não faço sentido, mas dou sentido. Sou romântico, sou emotivo. Se nasci para escrever, faço de escrever o meu motivo. E se me motivo para escrever, atrás de mim trago uma multidão. Escrevo por escrever e para redigir meu coração.
Se não escrevo desespero, dou em louco e não quero. Se não escrevo nada sou, sou pó, sou como zero. Por isso escrita, deixa-me amar-te para sempre, deixa-me mostrar-te e amar-te, meu amor não mente. Casa com a paixão que te tenho e deixa-me para sempre escrever, deixa-me juntar-me a ti, na hora de morrer.
Um ponto final
Alguma vez sentiram o que é ser um ponto final esquecido numa grande história? Eu senti. Sinto a dor da saudade, porque mal toquei a chegada. Mancho o chão de lágrimas ao longo da estrada da minha vida. Curei, tentei, reforcei a ferida.
A vida é injusta para quem a tenta levar da melhor forma. Talvez devesse escolher algo que me afaste do sofrimento e da indiferença. Amigos. Se por um esforço os amigos se provam, nada ficou provado.
Tudo ficou manchado com as lágrimas que hoje tenho. Todo o meu esforço morreu junto com o meu empenho. Agora fico, fico a ver o poeta chorar. Assim irei morrer, no caderno a desabafar.













