Se fecho os olhos para sempre

Pressiono play, mas não um incompleto play, um play à minha vida, um existir à minha existência, uma incitação ao meu intelecto, um molde de subsistir. A melodia invade meu ouvir, segue meu corpo até tocar meu coração, tal como tu o fazes. Esta aviva-me para cerrar meus olhos, e para arriscar entender o que sucede, e na verdade a resposta é fantástica. A melodia continua a soar em meus ouvidos, mas no mar das suas notas traz consigo imagens, imagens de ti, imagens perfeitas que o meu intelecto intelectualiza. Abro os olhos, as imagens desaparecem, e então fico assim, de olhos cerrados, de mente aberta, de coração estendido ao teu amor.
Que bom é ouvir as notas que me levam na direção do teu coração, que bom navegar nas notas que formam o instrumento que é o teu corpo. Que bom afundar nele e dar-lhe música. Que bom poder ser a melodia que te desperta e te dá vida.
Abri os olhos e segui a sua linha musical, para ver onde me levava, na esperança que me levasse a teu encontro. Percorri a pé desertos, nadei sobre o mar, escalei até há mais alta montanha, e nela estavas tu, sentada sobre um banco num lindo jardim. Aproximei-me de ti, mas a música estava cada vez mais baixa, quase inaudível. Quando me aproximei de ti, quando ia para te tocar, tu desapareceste… Foi aí que vi que fiquei sem pilhas, vida injusta…













