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Domingo, Julho 3rd, 2011

O segredo da inspiração

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Por mais que na minha vida lutasse para ser alguém. Por mais que tingisse cadernos de uma tinta permanente que não pretendia ver borrada. Por mais que escrevesse, nunca o considerei inspiração. Não acredito no que denominam de inspiração. Não acredito tão-pouco na sua robustez “quase divina” de abranger o pequeno ser humano de tão grandes realizações. Embora admita que nem sempre foi assim.

Primitivamente, quando a escrita ainda era uma pequena flor no jardim da minha vida. Uma flor minúscula a carecer de muita água, mas impossibilitada de prosperar pelas sucessivas tempestades da inspiração. Antigamente acreditava ter presente em mim, essa inspiração que apenas me assolava em alguns dias. Antigamente apenas escrevia quando acreditava “estar inspirado” ou saciado desta água que conservava, aquela pequena flor viva. Mas há medida que o jardim crescia, este carecia de cor, este parecia ser fruto de um desejo de falsa inspiração. A partir do momento em que todos os dias me deslocava a molhar a minha pequena flor escrevendo, compreendi que a inspiração nada mais era, que um pretexto.

Sempre que não conseguia arranjar a água para esta pequena flor, aplicava a culpa na inspiração, proferindo que não a possuía. Mas sempre que desistia e via a flor murchar o que me carecia era talento e não inspiração. Desde que me desloco diariamente a este meu jardim, procurando multiplicar as flores e escrevendo sobre a sua beleza, percebi que não existe inspiração, mas talento. Do uso das palavras, aprendi a moderar ideias e a permitir que estas nunca se escapem no meu jardim, apenas cresçam, como as minhas flores. Encontrando-me com as palavras diariamente percebi que o que se expandia em mim não era nada mais que talento, aos quais muito intitulavam “Dom”. Não era nada mais do que o fruto de um trabalho contínuo, sem ter presente a desculpa de “falta de inspiração”.

Sempre que um navegador das palavras se recusar a exercer o seu ato de escrita alegando não ser possuidor de inspiração, este mente. Porque a falta de inspiração é uma desculpa para falta de talento ou incapacidade de executar o que nos fora pedido.

Não existe inspiração, mas sim motivos. Não aprovando o termo inspiração, mas para inspirar em vós a compreensão, pode-se ver os motivos como pequenas inspirações. Na nossa estrada de poeta, existem motivos que nos levam a pegar na caneta e a pintar o papel com os tons do coração. Existem motivos que nos levam a chorar ou rir no papel, mas não são mais do que motivos e não inspiração. Porque foram motivos que levaram o meu jardim a crescer e não a inspiração que teimava em causar a morte à minha flor. É importante e crucial uma interiorização de nós mesmos e procurarmos levar ao extremo cada sentimento de modo a poder-mos fazer com ele uma viagem em direção à escrita.

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No meu percurso de poeta sempre tendi a morrer em sentimentos e a exagera-los a um estágio quase insuportável. Mas sempre foi inevitável. Sempre foi uma necessidade pela qual a minha escrita apelava e há qual não conseguia negar acesso. A escrita apela ao sentimento, e o meu sentimento era totalmente pertencente a esta vontade de escrever. Como meus sentimentos tendiam para a perfeição, também a minha escrita precisava o ser.

Acredito que cada ser, tem uma alma poeta.
Acredito no amor, sem o cúpido da seta.
Acredito que nunca consiga atingir a perfeição.
Mas também acredito que não me falte motivação.

O segredo da inspiração passa, por não recorrer à mesma. O seu segredo passa por não viver constantemente à sua procura, quando nunca sabemos se a temos. Não conseguimos definir ao certo o que difere de pessoa para pessoa, muito menos generalizar algo que é sentido singularmente por cada um de nós.

Inspiração, olha em meus olhos,
quero poder ver-te a alma.
Inspiração em mim aos molhos,
quero ser  a tua calma.

Quero ter o motivo,
a vontade de escrever.
De inspiração não preciso,
apenas caneta e viver.

Há inspiração não apelo,
por motivos que já expliquei.
Tempestade do meu jardim,
causadora do erro, errei.

Inspiração não preciso, apenas a escrita pela qual lutei,
aquela que me abraçou no seu reino e que fez de mim o rei.

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Category: Prosa Escrita
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2 Responses

9 de Julho de 2011

É o que venho percebendo…
Sempre que pensava: vou escrever algo. Tudo o que tinha na minha mente eram grilos.
Mas sempre que coloco um tema em mente as palavras surgem até que não tenha nada mais a ser dito.

^ ^


10 de Julho de 2011
vigilante

Exatamente amiga! É preciso é vontade e dedicação ao que fazemos!


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