O pensamento que te odeia
Oiço vozes que outrora ouvi. Vejo um rosto que se assemelha ao que outrora amei. Vejo um ser que odeio e odiei. Vejo um mundo que já vivi. Cruzo um pensamento de uma pessoa que já toquei. De alguém que eu já amei. De uma pessoa que acho certa por não ser quem odiei.
Pensamentos. Tenho pena da rapariga que no pensamento odeio e que no cruzamento acho bela. Tento apenas vê-la, tento não pensar nela. Ao ver-te és bela. Ao pensar odeio-te.
Desculpa, por não teres culpa do que teu rosto se assemelha. Desculpa se ao ver-te te acho bela, mas te odeio. Não faz sentido, apenas o poeta o sente, apenas o poeta ama, apenas o poeta mente.
Quero gritar. Quero desistir. Quero continuar. Apenas quero escrever. Quero libertar, quero poder perder e triunfar. Desculpa o facto de o pensamento te odiar.













