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Sexta-feira, Setembro 18th, 2009

Monólogo de uma máquina de lavar

Estou farta, não aguento todas estas voltas toda esta pressão que me é incumbida, simplesmente não aguento. Não tenho marca e mesmo que tivesse seria das mais rascas e baratas, porquê? Se faço tudo ou mais que as outras máquinas que passam o dia sentadas nas montras? Eu chego a funcionar três vezes por dia, e à noite ainda trabalho horas extras sempre que alguém decide fazer de mim uma cama sem almofadas.

Não aguento, andar às voltas todos os dias, deixa-me indisposta. E babar água durante todo o dia? Já para não falar que me fazem comer aquilo que eles chamam de detergente que aposto que nunca provaram porque senão não me dariam tal alimento! E aquela comida cheia de botões que metem dentro de mim e com cheiros que ninguém consegue aguentar? Eu juro que tento comer aquilo,  porque uma máquina de lavar rasca como eu também tem fome. Mas tem um sabor intragável e acabo só por lamber tudo e obrigo-os a retirar aquilo dentro de mim. Vejo isso como a minha forma de vingança.

Mas ao cair da noite ainda é pior, tenho o cu da minha mestre em cima. Não sei que raio eles fazem e porque não optam pela satisfação e comodidade de uma cama nova como a que têm no quarto. Preferem esta máquina velha.  Em mim a única coisa que encaixam é aquele líquido idiota e toda aquela comida dura.

Enfim, o mundo em que vivo é impossível e insuportável. Já tentei várias vezes matar-me e destruir-me por completo enchendo-me de água mas nada resulta, porque sempre que o faço eles levam-me a um homem que mexe na minha boca e teima em mexer nas minhas partes privadas o que me enerva ao extremo. Não tenho mãos como os estúpidos humanos, não posso simplesmente bater-lhe. Enfim esta é a minha vida, uma simples máquina de lavar sem marca.

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Category: Contos
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2 Responses

9 de Julho de 2011

Huaheuaehuaeh Muito hilário!
Pobre máquina, diria que a daqui de casa é tratada como rainha então, quase não é usada, e até pensam nos sentimentos dela, a daqui tem roupas! Apesar de passar um pouco de fome. XD

Ótimo monólogo. :)


10 de Julho de 2011
vigilante

As palavras conseguem meter qualquer “coisa” a falar :)


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