Archive for the ‘Prosa Tristesa’ Category
Uma história de amor

Ela dava passadas, que já passaram numa estrada recente, marcadas no alcatrão ficavam e perduravam para todo o sempre. Entre tristeza e emoção esta ficava-se pelo ódio, como a flor que carrega murchou, esta colocou, fim ao episódio. Podia ser uma história de amor, mas este era um amor bastante triste, nem tudo leva carimbo sucesso, nem tudo nesta vida persiste.
Há quem batalhe e lute, numa luta em que acaba sempre por desistir, queimando neurónio atrás de neurónio só para saber que ainda está a sentir. Era apenas carnal o apetite que a outra metade tinha, os seus gemidos e palavras feias sempre que ele em mim se vinha. Por isso ela partiu, e a rosa deixou apodrecer, nunca mais se ouviu falar dela, até ao dia do seu nascer.
O mais extenso desabafo

Olho à minha volta, nem um crepúsculo se move, a minha face fica molhada em cada lágrima que em mim chove. Percorre todo o meu corpo e caí negra no chão, sou como carga de tinta negra e sem coração. A caneta com que pinto é indecisa e imprecisa, dou de mais recebo de menos, não percebo o resultado desta divisa. Nunca fui bom em contas mas já fui o melhor a amar, perfeito, inigualável mas a igualdade acabou por me apanhar. Só de pensar em amar… não sei se voltarei a ser capaz, neste mundo cheio de guerra eu tento viver na minha paz. O mundo está cego toda a gente quer obter prazer, os corpos agora são cedidos já nem se pensa em vender.
É complicado e magoado tento encontrar um amigo verdadeiro, que não receba mais do que dá mas que dê tudo por inteiro. Que não venha por interesse ou por tesão e prazer, porque eu não como carne em vias de apodrecer. Não sou como os outros já me iludi por um jogo de pernas, agora sou diferente por ignorar várias cavernas. Há quem desça baixo e ao descer só se mostra a tanga, cabras manipuladoras não serei mais o às da vossa manga. O meu telemóvel novo esse já tem aranha, com tanto tempo sem tocar até já o pó se entranha. O pagamento mensal permite-me continuar a falar com os fantasmas, em horas perdidas demasiado pasmas. Quando não escrevo choro porque tenho medo da solidão, varia gente sabe disso mas será que alguém me estende a mão? Não, não quero obter resposta, não consigo viver com uma pessoa que só fala quando está bem disposta.
O discurso já vai longo mas a caneta não me deixa descansar o caderno não se fecha enquanto não acabar de desabafar. Então prossigo. O coração é o meu guia, pergunto-me como consigo viver tendo a minha alma tão fria. Terei alma ou será apenas imaginação? Por vezes chego a questionar-me se terei coração. Desde que te perdi não o sinto a bater, os desabafos tornaram-se diários tal como a vontade de escrever. Estou imparável mas não quero o meu coração parado, posso nunca mais te ter mas bastava um amo-te para o manter acordado. As lágrimas voltam mas não serão capazes de me deter, nem a morte e toda a vontade de desaparecer. Posso viver à parte mas nunca viverei à parte de ti, porque continuas a ser a melhor pessoa que conheci, vou sempre te amar pois é impossível te arrancar, mesmo estando com alguém és tu quem vou desejar. Jurei-te amor eterno e meu coração está guardado. Eu vi, por mais que tenha outro alguém é bom que se habitue a ti. Agora dedico a vida a escrever e a cantar, inspiração não tenho mas o vício tem de se matar.

Oiço vozes que a escuridão me quer transmitir, sentimentos que pessoas não sentem mas teimam em mentir. Na minha caixa agora aberta, a solidão vêm-me cumprimentar, eu abro a porta e peço para esta se sentar. Esta agradece e diz que me conheça de algum lado, eu respondo afirmativo dizendo que sou retornado. Estica a mão e toca no meu coração, o ambiente aquece e faço amor com a solidão. No final de 9 meses esta regressa com uma menina que é beleza, e disse com um sorriso a nossa filha chama-se tristeza. Uma lágrima corre no meu rosto de momentos de saudade, pego a tristeza nos meus braços e bebo um chá com a felicidade.
Porque?

Porque tenho os olhos raiados de lágrimas se ninguém me vê chorar? Porque penso se na verdade ninguém me vê pensar? Porque me esforço se ninguém dá valor ao que faço? Porque dou passos em frente se permaneço sempre no fracasso? Porque penso no presente e ignoro o futuro? Porque tudo o que faça para ti nunca te dará orgulho? Porque tudo o que faço na verdade é insuficiente? Porque continuo a escrever deste mundo deficiente? Porque raio sou poeta se poeta não sou? Porque raio vivo de forma discreta se discreta ou indiscretamente me vou?
Porque razão não podemos ficar todos para semente? Porque raio Deus continua a castigar toda esta gente? Porque raio essa gente ainda continua a acreditar em Deus? Porque razão todos nós nos vamos tornando ateus? Porque será que canto se não oiço aplausos? Porque é que todos mandam bombas e eu apenas mando estalos? Porque raio estou eu cheio de tantas questões? Por ser o escritor desamparado e com falta de avaliações…
Carta de Suicídio: Desabafos de um abuso

Estou assustada. Sinto o medo crescer e inchar cada artéria que conduz tamanho sangue ao meu coração. Escrevo no papel. Escrevo nesta carta. Escrevo palavras que contêm todo o meu medo, palavras que não consigo proferir a ninguém para além de ti. Sinto que sou fraca.
Sou fraca por me esconder no papel, mas sinto que as pessoas também são fracas e inúteis demais para me ajudarem, ou sequer, para perceberem como o mundo desabou à minha volta.
Sinto nojo das pessoas ao ponto de as poder perdoar. Pergunto-me como podem estar cometar erros de uma extensão imensurável. Sinto-me perdida. Pensei ter-te como amigo. Pensei que o fazias porque me querias mostrar o que é amar e todas as suas formas. Então como uma criança ingénua fazia tudo para te manter com um sorriso na cara. Confesso até nunca ter feito caso ao facto de teres idade para ser meu pai. Nunca pensei com a cabeça, porque a encheste de veneno, contaminaste cada um dos meus pensamentos e fizeste-me pensar que o que fazia-mos era correto. Hoje percebo que estavas errado.
Tudo o que querias era fazer do meu corpo teu, explorar tudo o que conseguias tocar, como se de um boneco me tratasse. Por vezes quando me deito, ainda te sinto a pressionar o meu peito. Sinto o teu peso. Sinto o teu cheiro a tabaco e sinto nas minhas feridas salientes a forma como me agarravas. Lembro-me de te ver despido. Lembro-me de me manter intacta contando os segundos para que passasse e pudesse novamente ser criança.
Um dia decidi enfrentar-te, ficaste fulo, tentaste bater-me. Não aguentei, bati-te com a primeira coisa que a minha pequena mão conseguiu agarrar. Chorei ao ver-te desfalecer no chão desvanecido em sangue. Senti-me livre mas ao mesmo tempo presa por uma culpa que não conseguia lidar. Não sou fraca, apenas não consegui viver. Não consegui viver a minha vida enquanto não me deixaste viver. Não aguento sequer continuar. Papel és a minha única testemunha e nesta despedida deixo-te um beijo.













