Prosa Pessoal « Vigilante, o Poeta Vigilante

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Março 4th, 2012

Labaredas de vontade

homem a passear o cãoPor entre palavras me encaixo e me afogo, à medida que escrevo. Por entre labaredas de vontade que me levam abaixo, num teste de fidelidade entre a minha escrita e o meu medo. Num amor escrito em pedra, que nem o vento é capaz de dissipar, numa paixão pela escrita que ninguém é capaz de matar. Por entre vontades partidas que o desejo consome, por entre palavras sentidas que pronunciam o meu nome. Mantenho-me atento, vigilante no meu mundo, com palavras de topo, num sentimento de fundo.

Com um objetivo cerrado que o tempo não entorpece, com uma vontade insaciável que ninguém esmorece. Continuo um caminho que não consigo traçar ao certo, por entre montanhas de palavras e rios de deserto. Continuo sempre em frente sem permitir uma paragem, porque a vida é só uma e só a vivemos de passagem.

Dezembro 17th, 2011

Escrevendo novas páginas

Existem livros e passagens que nos fazem sonhar. Existem pessoas capazes de escrever essas mesmas passagens e criar um público sonhador. Existem pessoas capazes de inspirar esses mesmos escritores a junta pequenos momentos e a constituir grandiosas obras… Um dia tive o prazer de conhecer alguém assim, a quem hoje escrevo palavras.

Os livros são construídos com páginas que são formados por palavras que descrevem momentos que capturamos como mágicos e de modo invejoso prendemos nas linhas de uma página. A magia da escrita reside neste nosso gesto invejoso que ao mesmo tempo se torna uma dádiva. Uma prisão que pode levar à libertação de muitas mentes que vivem presas no seu próprio mundo, sem conseguirem ir para além da sua existência.

Aí surgem os momentos que passo a teu lado. Que transformo em palavras. Que formo em frases que irão viver presas em várias páginas, páginas essas que levo a ti, para que possas ler o quanto te amo…

Setembro 9th, 2011

A dor de pensar

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Posso não partilhar da grandeza que marcou e continuará a marcar o grande Fernando Pessoa, mas considero que entre esse grande escritor e este pequeno aspirante se criou uma ponte que conduziu na sua chegada à dor de pensar. Por vezes gostava de fluir a vida de modo natural sem recorrer ao pensamento, mas tal como este esbarrei na impossibilidade de conseguir atingir tal feito.

O pensar não me custa, custa sim o pensar em demasia. O pensar sem razão. O pensar apenas por pensar. Um pensar por vezes vazio e cheio de tudo e de nada. Um pensar progressivo que me atormenta, que me persegue e me torna num eterno ser por completar. Um ser com demasiados sonhos, mas cansado demais de pensar na sua realização. Que cansado me sinto…

Não há dor maior do que querer ser tudo em todo o lado. Em querer realizar tudo de uma vez. Em cair na deceção de que isso é completamente impossível. A necessidade de querer ser mais e melhor a cada dia que passa e a paixão por uma arte que parece tão morta num mundo de tantos artistas. Penso no que aconteceu. No que irá acontecer. No que nunca irá acontecer. Sento-me. Choro. Vejo que o mundo avança depressa demais para todas as realizações que queria atingir nesta vida. No final apenas sobra o cansaço. Que grande cansaço.

Queria também referir que o tabaco já não habita o meu corpo há já cerca de 20 longos dias. Talvez isso também me faça pensar. Mas a necessidade de uma vida longa para realizar tantos sonhos leva-me a deixar maus hábitos. Sou sincero por vários dias me apetece assaltar uma carrinha de tabaco e encher-me dessa substância ridícula. Mas depois penso e (aí é bom pensar), vejo todas as vantagens de não o fazer.

Sou uma pessoa nova. Uma pessoa que pensa. Que pensa demais, mas que transmite o que pensa mediante a sua arte. As pessoas morrem mas a sua arte, essa que percorre a espinha de todos os escritores, fica sempre presente.

A vida pode ser o que queremos que seja, se tiverem o dom de não pensar demasiado nas coisas irão ver que estas acabam por acontecer.

Mas pensar é necessário. Pensar é o início do sonho. De um sonho grande e intenso que me transforma, este simples aspirante a escritor num escritor a sério.

Dezembro 13th, 2010

Quem me escuta

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Saturei dos problemas, por isso não liguei e coloquei de parte. Engavetados nos ficheiros da minha vida, jurei não guardar ressentimento. Queimei mil memórias e tentei viver o momento. E assim vivo. Recordo tempos remotos em que pessoas vinham, pessoas iam. Refleti. O mesmo se passa hoje. Hoje no dia que escrevo, já não conto com metade das pessoas que a vida me apresentou.  Não aceito a desculpa que sou um anjo que poucas pessoas merecem, porque só não merecem se não derem uma oportunidade a esse anjo de voar.

Pensas em mim? Sonhas comigo? Eu penso sempre em ti.

Cansei da luz dos holofotes a iluminar um palco que não piso. Nada tenho a provar, porque já provei o suficiente a mim mesmo de que realmente sou capaz. Se não fosse, hoje não estaria aqui e provavelmente meu nome estaria esquecido. Se alguma vez esteve presente ao ponto de causar esquecimento. Há quem tente ser mais do que é, ou mostrar algo que não pode ser, eu sempre me mantive Vigilante, desde o nascer até morrer. E assim será.

Para quem escreves? Eles vão ler isso?

O ideal por vezes passava por não amar. Não sentir o amor, mas é impossível de concretizar. Não amar, o meu ser não consegue imaginar, tenho amor demais para dar. Nunca pedi, sempre dei. Mal recebi e falhei. Passo etapas e no que toca a amor estou constantemente a falhar e a ter recaídas nesta droga bem forte. Antes deixava acontecer, mesmo sabendo que ia sofrer. Atualmente estou a fazer reabilitação desta droga e tento ao máximo usar a cabeça ao invés do coração. Talvez consiga.

Alguém me escuta? Alguém me compreende?

Setembro 26th, 2010

Histórias de embalar

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Abri a minha mente e de repente parece vazia. Há medida que progredia, parecia não ter sentido naquilo que via. Olhei , e em redor pensei, o que iria escrever. Depois parei. Pensei. Escrevi. Escrevo enquanto oiço minha mãe brincar com o meu cabelo. Escrevo enquanto a televisão faz um barulho mais alto que os meus pensamentos. E mesmo assim escrevo.

Segundo alguém sou coisinho e não tenho grande definição, ao longe de todo o dia mudo 3 vezes de atuação. Mas atuo. Mas vivo. Mas escrevo. Por vezes nem é preciso ter algo de importante para dizer, mas apenas dizê-lo. Por vezes nem sei o que deva escrever, mas apenas escrevo.

Por vezes é preciso dizer sim e avançar. Por vezes é preciso dizer não ao passado e conformar-se com o futuro. Por vezes é preciso ouvir o que a razão tem a dizer. Por vezes é necessário dar razão à própria razão, para perceber que a razão está correta.

Por vezes nem faço sentido e acabo apenas a desabafar, por vezes sou apenas o coisinho que vos vem aqui falar.