Archive for the ‘Prosa Fantasia’ Category
No céu repouso

No céu repouso, quando o olho e admiro. Quando vou para além das suas nuvens e o toco como algo palpável. Adormeço nas estrelas que o compõem e dão beleza, como um bonito jogo de luzes que o mundo nos presencia. É magnífico observar algo que poucos podem explicar ou compreender, morrendo na magia de apenas apreciar e ver. É para lá daquelas nuvens, para além daquelas estrelas que mora o que não conhecemos. Que vive o infinito por ser impossível determinar o seu final.
Existe quem ignore. Quem não perca tempo a olhar o céu como por vezes eu faço. Como por vezes me deito. Olhando-o. Admirando-o. Como se as estrelas subitamente fossem descer do céu para me saudar de toda a sua luz. Como um aviso. Como algo para além do seu brilho. Estrelas são estrelas e muitas delas habitam a terra. Mesmo assim nunca as conseguirão ver brilhar. Porque vocês não olham e quem não olha com olhos de ver, dificilmente encontrará a verdade.
Pequena flor
V
i-te caída no chão, deixada ao poder do vento sem consideração. Parei e ponderei o porque de tão bela pessoa ter sido deixada caída ao poder da natureza ingrata. Perguntei ao vento porque não soprava e ele respondeu-me que não queria magoar tão bela flor.
Via-te no chão caída e a minha vontade era levantar-te e fazer-te crescer bela. Fazer-te crescer forte e saudável como saudável te via. Ali te encontravas apenas caída. Se a vida tem um objetivo, o meu era levantar aquela pequena flor.
Peguei na tua mão e fiz-te ver que o mundo não te teme, mas que não tens igualmente de o temer. Peguei na tua alma e fiz que se transcendesse do teu corpo e se mostrasse ao mundo. Peguei na tua arte, nessa pequena estrela que brilha dentro de ti e fiz com que brilhasse ainda mais. Um dia foste uma flor caída, um dia foste uma estrela sem saber como brilhar. Hoje és a flor mais bela e nenhuma outra estrela te consegue ofuscar.
Anscensão Suprema
Acordei envolvido em diminutas nuvens, luminosas, brancas, delicadas. Senti medo, de pisar algo tão único, tão simples, tão frágil. Medo que aquele falso chão se desabotoasse sobre mim e constitui-se um desfecho á minha ascensão. Medo que estas experimentassem o meu calcar carregado, o meu passo apavorado. Questionava-me o que poderia fazer ali, qual seria a razão para me deparar naquele espaço. Há medida que progredia, sentia um forte sofrimento nas minhas costas, uma dor excessivamente forte, para suster e acabei por cair inconsciente. Não sei quanto tempo estive assim, possivelmente minutos, talvez horas, quem sabe semanas. Quando acordei, dei por mim envergando lindas assas, extraídas de minhas costas.
Que se passava comigo? Encontrava-me sobre o azul, andando sem nada avistar para além de nuvens, e agora até possuía assas? Andei mais uns passos em fronte, e vi alguém, uma rapariga sentada num banco, arquitetado por uma nuvem. Cerrei e desabrochei meus olhos, considerando ser engano o que estes divisavam. Avancei em sua direção perplexo por saber que esta era autêntica e real, e que no meio de tanto nada, esta afigurava um tudo. Sentei-me a seu lado, esta tal como eu parecia assustada, mas confesso que jamais tinha visto tamanha beleza enquanto habitante daquele local apelidado Terra. Ela figurava a rapariga mais bela, mais natural, mais especial que alguma vez teria visto.
Tal como eu tinha extensas assas e parecia não saber onde se encontrava, ou o porque de estar naquele local. Naquele momento encontravam-se dois anjos, lado a lado, com receio de falar, com receio de saberem algo sobre o outro, mas a realidade foi que falaram. Foi bom saber que ela tal como eu, esta não sabia o porque de estar ali, o porque de apenas existir-mos nós os dois, o porque das assas, tudo. Mas sobretudo, foi bom beija-la. Não sei como sucedeu, mas ambos nos aproxima-mos um do outro, conseguia sentir a sua batida, a sua respiração engrandecer cada vez mais assim que me aproximava. Podia reter seu cheiro em minhas narinas, a suavidade de sua cara, e o sabor de seus lábios. Depois disto, acordei, novamente na terra, e assim que saí á rua cruzei-me com essa rapariga, ambos sorrimos e naquele momento percebi o porque do sucedido e posso dizer que foi o melhor brinde da vida conhecer-te, minha anja.













