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Palavras ao vento
Escrevi palavras ao vento, que este fez questão de levar, escrevi palavras na calçada que a chuva, fez questão de apagar. Escrevi o que penso, porque não penso sem escrever, escrevi o que quero que o mundo possa ler. Escrevo por um amor à escrita, um amor que me consome e me alimenta, uma passagem de nada que em tudo me sustenta.
Mas as palavras que escrevi o vento levou… O vento pactuou com a chuva e nada ficou para além da mágoa em cada gota que o céu libertava. Escrevo mas o vento teima em levar todas as minhas palavras e apenas permanecer um vazio.
Lá fora a chuva escorre… Pergunto-me se as gotas que vejo cair podem conter as minhas palavras, as mesmas palavras que o vento levou, as mesmas palavras que me roubaram. Olho o céu na esperança de recuperar a força das palavras que larguei ao longo destes anos. Olho o céu na esperança de reaver os sorrisos que vi e vejo esmorecerem. Olho o céu na esperança que as pessoas da terra não esqueçam que ainda escrevo e que no fundo… Escrevo para elas…
O segredo da inspiração

Por mais que na minha vida lutasse para ser alguém. Por mais que tingisse cadernos de uma tinta permanente que não pretendia ver borrada. Por mais que escrevesse, nunca o considerei inspiração. Não acredito no que denominam de inspiração. Não acredito tão-pouco na sua robustez “quase divina” de abranger o pequeno ser humano de tão grandes realizações. Embora admita que nem sempre foi assim.
Primitivamente, quando a escrita ainda era uma pequena flor no jardim da minha vida. Uma flor minúscula a carecer de muita água, mas impossibilitada de prosperar pelas sucessivas tempestades da inspiração. Antigamente acreditava ter presente em mim, essa inspiração que apenas me assolava em alguns dias. Antigamente apenas escrevia quando acreditava “estar inspirado” ou saciado desta água que conservava, aquela pequena flor viva. Mas há medida que o jardim crescia, este carecia de cor, este parecia ser fruto de um desejo de falsa inspiração. A partir do momento em que todos os dias me deslocava a molhar a minha pequena flor escrevendo, compreendi que a inspiração nada mais era, que um pretexto.

Sempre que não conseguia arranjar a água para esta pequena flor, aplicava a culpa na inspiração, proferindo que não a possuía. Mas sempre que desistia e via a flor murchar o que me carecia era talento e não inspiração. Desde que me desloco diariamente a este meu jardim, procurando multiplicar as flores e escrevendo sobre a sua beleza, percebi que não existe inspiração, mas talento. Do uso das palavras, aprendi a moderar ideias e a permitir que estas nunca se escapem no meu jardim, apenas cresçam, como as minhas flores. Encontrando-me com as palavras diariamente percebi que o que se expandia em mim não era nada mais que talento, aos quais muito intitulavam “Dom”. Não era nada mais do que o fruto de um trabalho contínuo, sem ter presente a desculpa de “falta de inspiração”.
Sempre que um navegador das palavras se recusar a exercer o seu ato de escrita alegando não ser possuidor de inspiração, este mente. Porque a falta de inspiração é uma desculpa para falta de talento ou incapacidade de executar o que nos fora pedido.
Não existe inspiração, mas sim motivos. Não aprovando o termo inspiração, mas para inspirar em vós a compreensão, pode-se ver os motivos como pequenas inspirações. Na nossa estrada de poeta, existem motivos que nos levam a pegar na caneta e a pintar o papel com os tons do coração. Existem motivos que nos levam a chorar ou rir no papel, mas não são mais do que motivos e não inspiração. Porque foram motivos que levaram o meu jardim a crescer e não a inspiração que teimava em causar a morte à minha flor. É importante e crucial uma interiorização de nós mesmos e procurarmos levar ao extremo cada sentimento de modo a poder-mos fazer com ele uma viagem em direção à escrita.

No meu percurso de poeta sempre tendi a morrer em sentimentos e a exagera-los a um estágio quase insuportável. Mas sempre foi inevitável. Sempre foi uma necessidade pela qual a minha escrita apelava e há qual não conseguia negar acesso. A escrita apela ao sentimento, e o meu sentimento era totalmente pertencente a esta vontade de escrever. Como meus sentimentos tendiam para a perfeição, também a minha escrita precisava o ser.
Acredito que cada ser, tem uma alma poeta.
Acredito no amor, sem o cúpido da seta.
Acredito que nunca consiga atingir a perfeição.
Mas também acredito que não me falte motivação.
O segredo da inspiração passa, por não recorrer à mesma. O seu segredo passa por não viver constantemente à sua procura, quando nunca sabemos se a temos. Não conseguimos definir ao certo o que difere de pessoa para pessoa, muito menos generalizar algo que é sentido singularmente por cada um de nós.
Inspiração, olha em meus olhos,
quero poder ver-te a alma.
Inspiração em mim aos molhos,
quero ser a tua calma.Quero ter o motivo,
a vontade de escrever.
De inspiração não preciso,
apenas caneta e viver.Há inspiração não apelo,
por motivos que já expliquei.
Tempestade do meu jardim,
causadora do erro, errei.Inspiração não preciso, apenas a escrita pela qual lutei,
aquela que me abraçou no seu reino e que fez de mim o rei.
No meu pensamento

A cabeça encontra-se confusa, mas o pensamento contigo torna-se simples. Penso em demasia. Problema esse de pensar em demasia. Surgiste como um anjo e eu sendo igualmente anjo, tenho as assas em sangue. Não consigo voar e permaneço a espalhar um pouco de bem na terra. Entrei no teu mundo e ensinei-te a usar as tuas assas. Mostrei-te que és um pequeno anjo com capacidade para voar.
” Porque voas baixinho,
se podes voar alto?
Talvez sejas semelhante anjo,
que gosta de pisar o asfalto.Porque voas baixinho?
Usa essas assas de riscas.
Talvez sejas semelhante anjo,
não gostas de dar nas vistas. “
Nem sempre me dou ou dei a conhecer. Pouca gente me conhece. Por vezes dou demais a alguém que não merece. Contigo é e sempre foi diferente. Só dou o que recebo. Bem dita sejas por não me dar desprezo.
” Nos teus olhos guardas,
palavras por dizer,
no teu coração, carinho,
que tenho vindo a receber.No teu sorriso aconchego,
que me mantêm quente.
No meu passado de mentira
conheci um anjo que não mente.No teu corpo doce
que eu nunca provei,
encontro o desejo
algo que não vi, mas sei.Nas tuas palavras
encontro a atenção,
o significado da partilha
e o resultado da compreensão.E por fim, em mim,
acho que não sei marcar,
tudo aquilo que faço
é ser modesto e rebaixar. “

Por vezes é complicado deixar a humildade de lado. Por vezes é complicado ser mais do que é esperado. Sei que sou, mas não gosto de o admitir, porque sei o que quero ser e os passos que faltam para o atingir. Na vida perdi pessoas e a desculpa foi que não me mereciam. Não consigo perceber, porque razão não deviam merecer? Pelo facto de a amizade ser demasiado boa e terem medo de a perder?
” Nunca pedi mais
do que aquilo que me dão,
mas sempre dei acima
do que tinha, de retribuição.Nunca me importei
sempre amei e fui feliz,
tenho medo do amar
mas sempre o tive quando quis.Sempre sofri no amor
mas sempre quis amar,
aproveitar cada segundo
até o amor acabar.Sempre acabou e
fui guardando caras no coração
pessoas que embora me fizeram sofrer
têm a minha admiração.Sempre dei ao máximo
e no fim sempre fiquei sozinho,
não recrimino ninguém
por preferir tomar outro caminho. “
O papel não critica ou julga aquilo que pensamos, apenas permanece imóvel à medida que se vai sentindo preenchido. No fundo o papel é como eu, reside na solidão e vive a vida esperando que alguém lhe pegue e escreva um livro nas suas linhas. Sempre quis escrever palavras, fazer companhia ao papel e quebrar o seu momento de solidão escrevendo. Não me sinto sozinho quando escrevo. Sinto uma energia que não se explica mas que sei que está presente. Meia hora já passou desde o momento que vim ao teu encontro papal, por vezes gostava de passar horas a teu lado, escrevendo nas tuas linhas, mas quem me iria ler? Quem se interessaria por estas palavras insignificantes que trespasso para o papel? Será que tais palavras podem servir para entreter alguém ou servirão apenas para te entreter a ti papel?
” Nasci com um objetivo
esta doença de escrever
cada pedaço contigo
é uma nova força para viver.Será que serei razão
para alguém viver ou sonhar?
Será que alguém sai do seu mundo
para no meu poder entrar?
Sinto muita gente à minha volta, mas são como tu papel, não falam. Será porque não querem ou porque simplesmente lhes tiro as palavras do pensamento? Não sei papel, mas sei que não me podes dar a resposta. Apenas eles os que me acompanham e sinto, embora não falem.
Não sei se sabes anjo mas habitas no meio deste rio de pensamentos. Pensar em ti é algo formidável porque nada em ti é dor e nenhum pensamento de nós é razão de sofrimento. Quem me dera poder ser assim para sempre. Neste momento sei que sentia saudades tuas e saudades de escrever.
Amo-te
Decisões. Confusas desilusões. Plenitude total, uma só decisão num só local. Vida. Ferida. Força de lutar. Todos juntos no mesmo porto, todos vivos ninguém morto para faltar. Uma saída. Paranoia. Loucura. Um coração ferido uma solução para tal amargura. Volta a decisão. Volta a confusão.
Verdades. Doem ao ouvir. Doem ao sentir e doem ao remoer nos ouvidos de quem não sente. A verdade. Por vezes a verdade mente, mesmo assim não deixa de ser verdade. Acreditando.
Sentido. Não o precisa de ter a escrita, para enaltecer a sua beleza. É bela. Por si mesma. Sendo arte. Haverá algo mais belo que tu? Já pensei existir. Mas tudo era ilusão escrita. Tudo acabou por partir.
Não te sintas só escrita. Não quero magoar o teu coração. Desculpa quando não te visito. Sei o quanto custa a solidão. Dá-me apenas a tua mão e vem junto comigo. Gostava de ter ter única, mas era fazer da escrita um inimigo.
Mente

Solto as palavras livremente e na mente, que crio e edifico, sou o criador mestre. Sou dono de mim, da mente e de todas as palavras que nela residem. Cada palavra um sonho. Cada palavra uma pessoa. Cada sentimento me conduz e guia ao meu objetivo de escrever. Crio um edifício de letras. Cada palavra é um bloco e eu como construtor forneço o cimento e com ele faço cidades.
Nas cidades de palavras, enalteço a beleza dos campos, a paz e toda a sua beleza natural. Pobre do que não tem, pobre do que não vive, mais pobre o que não visita ou encontra a sua beleza.
Sou pobre no que rege este mundo – o dinheiro – mas sou rico como ninguém em tudo o que não se vê, apenas sente. Sou rico em palavras e sentimentos e sou rico na capacidade de ajudar e soltar o sorriso e a força necessária para encarar esta vida. Mais rico sou eu. Morrerei com tudo. Há quem morra sem nada.
Cultivo a amizade e não há melhor amigo. Cultivo o amor e não existe melhor a amar. Mas nem sempre há amigos. Nem sempre existe amor. Mas amo. Sou melhor a dar que receber. Por vezes não recebo, mas não me invalida de dar tudo. De dar acima do que tenho, de dar mais do que posso, mesmo sabendo que não receberei. Mas dou. É a vida. Só uma. Apenas minha. Vida…













