Prosa Amor « Vigilante, o Poeta Vigilante

Archive for the ‘Prosa Amor’ Category

Fevereiro 8th, 2012

Ríspido sabor da brisa gelada

garota neve

Corre uma brisa, que me afoga e não avisa, no sentimento que tenho por ti. Quero abraçar-te no quente, do frio ignorado da gente, que ignora tudo o que vi. Vi para além do visível, que a visão pretende presenciar e muito além do perceptível para um comum mortal observar. Vi nas entranhas do frio que no teu coração se derretia quente, vi para além das suas artérias que bombeavam descuradamente.

Vi sem na verdade ver o que na mente presenciava, um coração de ouro no corpo de uma rapariga reservada. Num sorrido medido e sincero, numa palavra que não atropela o verso, numa medida de palavras, numa brisa sem regresso. Sussurrei com voz doce à brisa que teima em te gelar, perguntei porque te gela, porque não te faz brilhar. Ela respondeu que só eu tenho essa função, deixou de emanar o seu frio e aqueceu-me o coração.

Dezembro 3rd, 2011

No doce dos seus braços

Criei um porto seguro onde podes atracar. Coloquei de lado todos os artifícios formais e deixei apenas um espaço para a sinceridade. Criei contigo as bases que considero essenciais para uma relação sustentável entre ambos e descansei nos teus braços. Descansei e senti-me seguro. Decidi fazer o mesmo que me fazes e deixar-te repousar no doce dos meus braços.

Embora rodeados de caras que se tornaram um hábito no nosso quotidiano, sentia-me sozinho. Sentia que naquele espaço habitado por tantos seres, apenas existíamos tu e eu, apenas nós. O restante mundo que nos rodeava e envolvia parecia estático, parecia querer observar de perto cada sentimento que o nosso amor emana. Como o sentimento se torna belo quando te tenho nos meus braços.

Abraçado em ti, pareci esquecer o mundo e todos os problemas que a teu lado parecem simples de resolver. Envolvido em teus braços, vi incutida em mim a missão de te proteger e de ser aquele porto de abrigo que tu sempre procuraste em vão. Quero ser a constatação de que finalmente encontraste e que não precisas procurar mais. Saber que o que desejaste ter ao longo dos anos se encontra hoje e finalmente à tua frente, tendo tu o poder de o explorar ao máximo.

Há medida que te envolvia nos meus braços, conseguia sentir a tua batida acelerada, pergunto-me se seria porque o teu coração não se cansa de bater por mim ou simplesmente por efeitos dessa pequena constipação que procurou te atormentar. Fica a dúvida. Poderia ver por entre meus braços que te cobriam os teus olhos a querer se despedir do dia e procurar encarar uma noite de sonhos. Consegui ver-te cair num sono em que te sentias em segurança envolvida em meus braços e a sentir meu corpo. Que bem que me sentia.

Procurei ao máximo fazer com que o teu pequeno sonho não fosse interrompido, porque embora a tua beleza fosse superior à bela adormecida, por certo não quereria estragar tão belo sonho. Estavas demasiado bela e só tenho pena de não poderes ver-te a ti mesma enquanto dormes para confirmar a minha teoria.

Dormiria assim ao teu lado para te poder proteger, abraço a ti para não te ver tremer, morrendo do frio que a vida te envolve num amor que é tão forte que nem ácido dissolve. Queria ter-te nos meus braços, multiplicar tal momento, porque nada em mim morre e nunca me roubarão o sentimento.

Novembro 26th, 2011

Não quero um amor assim

Não quero um amor assim. Não quero um amor, que deixou de ser amor na plenitude da palavra e se transformou na centralidade das discórdias. Não quero um amor assim. Não quero um amor que pura e simplesmente não é amor, nem nenhuma das suas vertentes. Não quero algo escasso, quando é tão intenso o que sinto e quanto o sinto, e tão intensa a forma como o pretendo demonstrar. Não quero algo passageiro, quando tudo na minha vida foi uma passagem. Não quero que passes, quero que fiques até ao momento em que a tua presença se torne insuportável… Nunca.

Não quero uma parede de lamentos, quero um porto de abrigo. Quero uma mão amiga quando todas as outras parecem desaparecidas. Quero um abraço quando todos os abraços do mundo parecem escassos. Quero um beijo quando todos se esquecerem de o dar. Quero a sinceridade quando a mentira se tornar uma verdade universal.

Quero a verdade acima de qualquer dor. Quero a conjunção perfeita de todos os sentimentos dentro da palavra amor.

Quero um pouco mais de um mundo, que se cruza com o meu viver. Quero o explorar intenso e incessante de todas as minhas formas de viver.

Não pretendo um amor completo. Pretendo construir cada pedaço do que apelidam amor e no final conseguir perceber o quanto perfeito o tornei. Não pretendo ter tudo, pretendo construir um tudo. Não quero gritos, prefiro sussurros. Não quero brigas, prefiro retaliações.

Não quero tudo aquilo que vejo diariamente, num mundo que não ama eu só desejo ser diferente.

Passei por ti amor, não pensei, não percebi, que embora não te falando, iria ouvir falar de ti. Vi como que de relance, algo que de ti não pensei, como seria possível tal rainha, viver sozinha sem seu rei. Não pensei, nada penso quando cruzo em teu olhar, Deus encheu-me de capacidades que a teu lado não consigo utilizar. Somem-se as palavras, que raio de escritor poderei eu ser, se perante a tua imagem nada consigo escrever. Ficam os bocados de mim, sentados à espera de ti, o amor pelo qual passei e não percebi.

Novembro 19th, 2011

Liricamente Falando

A chuva é derramada lá fora.

 Se a totalidade do sentimento que experimento e carrego, fosse um oceano, não entornaria qualquer gota, com medo de perdê-lo.

Com medo de perder tamanhos abraços de um futuro que no passado se perdeu. Eram apenas metáforas e ironias que na visão de quem ama, se confiavam ser apenas um exagero do que se sentia. Tão exagerado parecia o sentimento. Manteve-se. Sofreu. Morreu. Várias vezes consecutivas.

No calor da minha sala, sinto o sabor da tua presença. Em cada brasa da lareira, vejo o calor de cada um dos teus toques, que tendem a arrepiar o meu coração.

O calor que esta emana nada é comparado com o calor do teu abraço, o gosto do teu toque e a vontade do teu amasso.

O teu beijo é como o tocar de um anjo, é como sentir mil e um sentimentos derivados de uma só experiência. Gostava de conseguir ser um escritor, digno de descrever tamanho sentimento sentido assim que os teus lábios consomem os meus, mas faltam-me as palavras. Não sei se o mesmo em ti sucede. Não sei se à minha semelhança, também tu percebes que nunca havias experimentado algo tão doce e que preenche-se de tal forma o teu coração, como acontece comigo. Como outrora haveria acontecido mas nunca com a intensidade que no presente experimento.

Como digo vezes sem conta:

Eu tenho por costume falar muito, mas existem pessoas que pura e simplesmente me deixam sem palavras.

Existem ainda pessoas que levam esta minha expressão ao extremo. Deixam-me completamente sem palavras que tento suplementar com gestos ou simplesmente com os meus olhos de “cachorro abandonado“. Existem sentimentos que pela sua magnitude possuem o mesmo efeito e nos deixam exatamente no mesmo estado.

Sentimentos indescritíveis, é o que sinto por ti
um sentimento em ascensão desde o dia em que te conheci.
A partir do dia em que te provei,
cresceu em mim a certeza que apenas eu sei.

Cresceu a certeza que vivo para amar a indiferença, sem desistência,
porque amo apenas o ser, sem olhar à aparência.

Amo, como ama o amor,
sinto como um apagar de dor,
sinto a presença como algo novo a se sentir,
sinto a ausência do teu beijo e o medo do teu partir.

Vejo voar palavras que vão tingir o meu caderno,
uma conjunção de um céu, que veio substituir o meu inferno.
Um misto de prazer que veio retirar toda a minha dor,
uma vontade suprema de finalmente sentir o amor.

Não te faço prometas, porque não se trata de prometer, mas de fazer vencer. De lutar para querer e de no final não chorar por não ter. Não te prometo o mundo, porque nem eu próprio o consigo atingir, não te prometo sentir tudo mas mostrar-te a forma de eu sentir. Não te prometo dar-te tudo, mas fazer valer o todo e pouco que te irei dar, fazer-te ler em cada uma das minhas palavras a forma do meu amar.

Não te prometo um sorriso eterno, porque muitas vezes este se desvanece, mas prometo não esquecer o teu esforço que nunca em mim se esquece.

Não te prometo ser mais, porque muito mais em mim serei, prometo tratar-te como rainha mesmo eu não sendo um rei.

Apenas nada te prometo, querendo te dar um pouco de tudo, por momentos deixo-te no silêncio, lembrando-me desse teu sorriso que me deixa mudo.

Outubro 1st, 2011

Portalegre

Sinto um vazio,
que me separa da tua presença.
Não sei se é benesse ou castigo,
se uma dádiva ou sentença.

Fiz tudo ao meu alcance,
para o teu sorriso brilhar.
Tive um monólogo com a saudade
para esta não te atormentar.

Perdi-me por entre ruas,
banhadas em novidade,
e num encontro casual
dei de caras com a saudade.

Triste fado o meu,
não se completa sem o teu sorrir.
Aqui em Portalegre permaneço
poeta até à hora do meu partir.