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O segredo da inspiração

Por mais que na minha vida lutasse para ser alguém. Por mais que tingisse cadernos de uma tinta permanente que não pretendia ver borrada. Por mais que escrevesse, nunca o considerei inspiração. Não acredito no que denominam de inspiração. Não acredito tão-pouco na sua robustez “quase divina” de abranger o pequeno ser humano de tão grandes realizações. Embora admita que nem sempre foi assim.
Primitivamente, quando a escrita ainda era uma pequena flor no jardim da minha vida. Uma flor minúscula a carecer de muita água, mas impossibilitada de prosperar pelas sucessivas tempestades da inspiração. Antigamente acreditava ter presente em mim, essa inspiração que apenas me assolava em alguns dias. Antigamente apenas escrevia quando acreditava “estar inspirado” ou saciado desta água que conservava, aquela pequena flor viva. Mas há medida que o jardim crescia, este carecia de cor, este parecia ser fruto de um desejo de falsa inspiração. A partir do momento em que todos os dias me deslocava a molhar a minha pequena flor escrevendo, compreendi que a inspiração nada mais era, que um pretexto.

Sempre que não conseguia arranjar a água para esta pequena flor, aplicava a culpa na inspiração, proferindo que não a possuía. Mas sempre que desistia e via a flor murchar o que me carecia era talento e não inspiração. Desde que me desloco diariamente a este meu jardim, procurando multiplicar as flores e escrevendo sobre a sua beleza, percebi que não existe inspiração, mas talento. Do uso das palavras, aprendi a moderar ideias e a permitir que estas nunca se escapem no meu jardim, apenas cresçam, como as minhas flores. Encontrando-me com as palavras diariamente percebi que o que se expandia em mim não era nada mais que talento, aos quais muito intitulavam “Dom”. Não era nada mais do que o fruto de um trabalho contínuo, sem ter presente a desculpa de “falta de inspiração”.
Sempre que um navegador das palavras se recusar a exercer o seu ato de escrita alegando não ser possuidor de inspiração, este mente. Porque a falta de inspiração é uma desculpa para falta de talento ou incapacidade de executar o que nos fora pedido.
Não existe inspiração, mas sim motivos. Não aprovando o termo inspiração, mas para inspirar em vós a compreensão, pode-se ver os motivos como pequenas inspirações. Na nossa estrada de poeta, existem motivos que nos levam a pegar na caneta e a pintar o papel com os tons do coração. Existem motivos que nos levam a chorar ou rir no papel, mas não são mais do que motivos e não inspiração. Porque foram motivos que levaram o meu jardim a crescer e não a inspiração que teimava em causar a morte à minha flor. É importante e crucial uma interiorização de nós mesmos e procurarmos levar ao extremo cada sentimento de modo a poder-mos fazer com ele uma viagem em direção à escrita.

No meu percurso de poeta sempre tendi a morrer em sentimentos e a exagera-los a um estágio quase insuportável. Mas sempre foi inevitável. Sempre foi uma necessidade pela qual a minha escrita apelava e há qual não conseguia negar acesso. A escrita apela ao sentimento, e o meu sentimento era totalmente pertencente a esta vontade de escrever. Como meus sentimentos tendiam para a perfeição, também a minha escrita precisava o ser.
Acredito que cada ser, tem uma alma poeta.
Acredito no amor, sem o cúpido da seta.
Acredito que nunca consiga atingir a perfeição.
Mas também acredito que não me falte motivação.
O segredo da inspiração passa, por não recorrer à mesma. O seu segredo passa por não viver constantemente à sua procura, quando nunca sabemos se a temos. Não conseguimos definir ao certo o que difere de pessoa para pessoa, muito menos generalizar algo que é sentido singularmente por cada um de nós.
Inspiração, olha em meus olhos,
quero poder ver-te a alma.
Inspiração em mim aos molhos,
quero ser a tua calma.Quero ter o motivo,
a vontade de escrever.
De inspiração não preciso,
apenas caneta e viver.Há inspiração não apelo,
por motivos que já expliquei.
Tempestade do meu jardim,
causadora do erro, errei.Inspiração não preciso, apenas a escrita pela qual lutei,
aquela que me abraçou no seu reino e que fez de mim o rei.
A chave do maior tesouro

A vida brindou-me de várias chaves. Brindou-me de vários caminhos que se perdiam entre obstáculos que sempre me conduziram a lugar algum. Brindou-me de várias escolhas que metaforizadas em portas, foram sendo abertas, sem hipótese de serem trancadas por uma chave que as aprisiona-se de forma definitiva. E aí entra o passado. Aquele que caminha nas nossas costas, como da sombra se tratasse. Esperando. Olhando. Contemplando cada passo, cada passo que o recorda e o transforma em algo mais do que uma simples sombra.
Passado. Porque passas e ficas para me atormentar. Passado, porque não vens, apenas para passar?
Eu vivo o presente. O presente onde te conheci. O presente onde me apresentas-te a chave que me permite o acesso ao teu coração. Um acesso exclusivo e privilegiado a todos os patamares que constituem a palavra amor. A vida ofereceu-me muitas chaves, mas perdi-as amor. Posso guardar a tua no coração? Podes talvez fazer uma cópia e guardar junto ao teu coração? Algo que me permita ter a certeza que não perderei ou esquecerei o caminho correto para atingir o teu coração.
Sabes vida, o passado é mau para mim. Sabes amor o meu presente é bom graças à tua presença. Mas vida agradeço-te por colocares no meu caminho a pessoa responsável por curar a minha vida. Pensei por tempos que tivesses esquecido as nossas conversas. As nossas longas noites em que sofríamos de modo conjunto e da forma como nunca te esqueci. Ensinaste-me a seguir em frente vida. A seguir a frente contigo. Como seria possível deixar-te para trás?
Obrigado vida por me dares o prazer de descobrir um anjo. Estava ferido, as asas pareciam não voar. Mas com o passar descobri que as asas estavam em perfeitas condições, o seu coração é que era fraco e tinha uma força insuficiente para a fazer voar. Decidi ajudar este pequeno anjo, enchi o seu coração de amor e finalmente o anjo voou. Bem alto e fez brilhar tudo à sua passagem.
Vida, só me deste o dom da palavra, mas agradeço-te, porque sinto que eles me escutam. Sinto que tenho a capacidade de escrever em palavras o que muitos sentem exclusivamente no coração. O que muitos gostariam de dizer, mas se sentem presos na hora de escrever. Todos os sentimentos e sorrisos que provoco, devo-te a ti vida e devo a ti amor por me motivares dia após dia.
Já disse várias vezes que te amo, mas nunca é demais, por isso – Amo-te. Amo-te na expressão completa da palavra e não apenas como um artifício que serve para embelezar um belo texto de amor.

Não te amo somente por me fazeres sentir bem. Amo-te sobretudo por me fazeres sentir mal nas alturas em que esqueço de lembrar da vida.
Para mim o amor é isso. Mais que palavras. Mais que sentimentos. Acima de qualquer gesto que possa ser feito apenas para cumprir palavras. O amor é entrega. Dedicação. Empenho. Preocupação. Partilha e cumplicidade. Amor é saber que para além de alguém especial se tem um amigo. Que para além de um ombro que se beija, se tem um ombro que nos ampara. E esse meu amor, é o amor que me dás. Por isso obrigado.
Dedicatória amor
Entrelacei-me na tua vida. Juntei cada artéria do meu coração para poder ter o prazer de conhecer o teu. Atravessei o teu sorriso e quando o fiz, senti um calafrio no corpo que após me percorrer, pairou finalmente no meu coração. Nunca havia visto tamanha beleza, que me encantou e me aprisionou à sua existência.
Senti uma timidez em mim. Senti que a tua presença me fosse estranha, embora cheia de prazer. Senti que me eras distante ao mesmo tempo que sentia que te conhecia há longos anos. Longos demais para estar tão distanciado do teu coração.
Com o tempo a timidez deu lugar ao desejo. Um desejo que partia do meu coração e se transmitia em sentimento, em ações e na vontade de estar junto de ti. Bem perto. Bem apertado no teu abraço. Um abraço que pudesse sufocar todo o meu sofrimento e me trazer finalmente a felicidade.
Quando aterrei em teus braços senti-me seguro, como se teu abraço fosse o suficiente para quebrar meu muro de sofrimento. Ao beijar-te senti-me completo e que eras o meu encaixe perfeito, e ao ver tamanha beleza questionava “como poderia ser o eleito?”.
Era apenas tu e eu, num mundo formado à nossa medida, em cada beijo eu flutuava e se curava uma ferida. Abraçado a ti tinha o mundo, tinha o poder de sorrir e mostrar meu sentimento. Tinha tudo, apenas não podia controlar o tempo. Esse corria, a um ritmo que nos fazia contar os minutos, amar as horas e partilhar cada sentimento em cada segundo.
Eu sei que não sou perfeito. Tudo o que tenho é pouco para te dar. Sei que não sou perfeito, mas tenho a certeza que sou perfeito a amar.
Sei que sou tolinho. Sou um romântico sem medida, mas eu estava preso num labirinto e tu mostraste-me a saída. Obrigado por tudo, de todo o coração. Agora abraça-me e mata em mim esta emoção.
Viver a vida sem sonhos

Como seria viver uma vida sem sonhos? Viver somente a ver morrer os dias com um luar triste que não ilumina o nosso caminho. Um luar que não nos faça ver para além das nuvens que nos ofuscam, de noite e em plena luz do dia. Os sonhos mudam, tal como mudam as pessoas. Tal como muda a nossa vivência com as mesmas e os sonhos que criamos nos seus ombros.
As pessoas deixam de ser pessoas e ficamos sem sonhos. Sem os sonhos que edificamos sobre as mesmas. Esquecendo cada um dos nossos sonhos singulares. Viver a vida sem sonhos é o mesmo que viver sem ter objetivos que nos conduzam a uma realização pessoal. Que nos façam homens de H grande e que no fundo justifiquem a nossa passagem pelo mundo, que é tão pequena e que tendemos a encurtar dia após dia.
Eu tenho um sonho, embora a vida muitas vezes me faça esquecer de sonhar. Me tape os olhos para a realidade. Me torne cego e me tire as forças para conduzir o sonho à sua concretização. Mas tudo são fases. Tudo são fragmentos de uma vida que na sua conjunção tem mais lamentações que vitórias. Tem mais lágrimas que sorrisos, mas que não deixa de ser minha e somente a minha vida.
Viver sem sonhos é deixar o vento conduzir-nos num rumo incerto, na esperança que uma boa onda nos conduza a um bom porto. Mas as ondas cada vez mais nos levam para caminhos incertos. Nos enrolam nas suas manhas e nos aprisionam na sua força. Deixando-nos sem forças para regressar à margem. A nossa margem. O nosso rumo e o nosso porto seguro que nada mais é do que o nosso próprio mundo e a forma como o construímos.
Viver sem sonhos é querer experimentar tudo e não conseguir atingir nada.
Sorriso que me faz feliz
Atualmente luto por algo que me faz feliz. Ao longo da minha vida já lutei imenso, mas nunca lutei pelo que realmente deveria lutar. Sempre me perdi em lutas que sabia à partida que não conseguiria ganhar. Sempre lutei por pessoas que não mereciam sequer o meu sorriso, mas contigo é diferente. Contigo sinto que mesmo que não ganhasse a luta, sairia vitorioso, porque o teu sorriso e as tuas palavras que me dão vida já são uma vitória.
Sei o que sinto quando te digo o que és e o quanto és especial. Tenho pena de te querer oferecer o mundo e não ter possibilidades para tal. Mas o teu sorriso basta-me para saber que estás bem e que dás valor a cada pequena coisa que na minha bebedeira de amor te tento oferecer. Contigo descobri a razão de lutar. Lutamos porque queremos. Lutamos porque necessitamos de ter algo como efetivamente nosso. Lutamos porque não conseguimos viver sem aquilo que nos faz viver.
Mesmo que perca a luta, serei sempre um lutador. Serei sempre lembrado como quem tentou dar-te o mundo. Quem tentou que nunca mais ouvisses e pior sentisses a palavra sofrimento. A palavra dor. A palavra traição e muitas outras. Serei reconhecido como a pessoa que muito te ama e a pessoa que se perde em palavras sempre que encontra o teu sorriso.













