Prosa « Vigilante, o Poeta Vigilante

Archive for the ‘Prosa’ Category

Outubro 10th, 2011

É algo que não se explica (2)

http://fc05.deviantart.net/fs70/i/2011/269/c/1/i_hate_mondays__by_kyrateppelin-d4az8vq.jpg

É algo que não se explica sem explicação aparente, são mil e uma ideias a palpitar na minha mente. São fábulas. São contos. São frases sem uma simples formação. São um turbilhão de ideias sem uma possível explicação. São um tudo e por momentos esbatem-se em nada. Parecem querer oferecer-me o mundo e nas costas atraiçoar-me com uma facada.

Existe muito que passa para além da nossa pacata compreensão. Existe para além do muito e além do que a compreensão apanha. Existe um mundo que me envolve em palavras que por vezes tendem em não ter sentido. Diariamente me revejo em meus olhos e por momentos fico retido. Fico preso em mim próprio porque de modo repetido e incompreensível não consigo apreender o que eu próprio pretendo transmitir. Chego a pensar que escrevo para mim mesmo, e por vezes acredito que nunca me irei entender em pleno.

Pretendo ser mais. Bem mais do que as palavras me permitam. Bem acima da escrita, mas apoiado nela. Pretendo ser melhor que mim mesmo e não melhor do que ninguém, pois todos somos diferentes dentro da nossa igualdade. Pretendo apenas compreender, compreender para viver. Pretendo ser apenas poeta para sempre, mesmo depois de eu morrer.

Quando todos chorarem a minha morte eu permanecerei a rir, porque a pessoa pode morrer, mas o poeta nunca irá partir!

Outubro 1st, 2011

Portalegre

Sinto um vazio,
que me separa da tua presença.
Não sei se é benesse ou castigo,
se uma dádiva ou sentença.

Fiz tudo ao meu alcance,
para o teu sorriso brilhar.
Tive um monólogo com a saudade
para esta não te atormentar.

Perdi-me por entre ruas,
banhadas em novidade,
e num encontro casual
dei de caras com a saudade.

Triste fado o meu,
não se completa sem o teu sorrir.
Aqui em Portalegre permaneço
poeta até à hora do meu partir.

Setembro 12th, 2011

A luta por um sonho

http://fc02.deviantart.net/fs71/i/2011/125/d/b/dare_to_dream__by_this_is_the_life2905-d3fn4ea.jpg

Lutamos. Mesmo pelas vezes que acreditamos não valer à pena, lutamos. Lutamos como quem lutou pela conquista do nosso mundo e pelo nome que é Portugal. Lutamos como quem luta pela sua própria vida, contra algo ou alguém que a pretende tirar. A vida é de todos nós e todos nós lutamos de formas variadas que na sua conjunção são a ligação de quem procura ser algo mais do que na atualidade é. Algo bem mais grandioso. Algo mais do que a nossa posição atual de luta.

Nunca procurei ser o melhor, mas sempre lutei para tal. Luto para ser mais do que eu e não para ser mais do que ninguém. Todos nós somos algo e ninguém pode ter o dom de superar quem quer que seja. A nossa base é comum, somos todos humanos, com capacidades, virtudes e sobretudo limitações que nos impedem muitas vezes propriamente de lutar. Somos fruto de uma vontade de querer mais e melhor, de poder ter tudo de todas as formas e conseguir sobretudo ter a capacidade de aproveitar essa junção com todas as nossas capacidades.

Por vezes a luz que nos ilumina durante o dia parece ofuscar-se e a escuridão dá entrada nas nossas vidas. Sem aviso. Sem autorização. Apenas escura, fria e com vontade de arrebatar de nós toda a força que nos mantém a lutar. Deixa-nos vazios e sem capacidade para perceber que somos mais fortes que esse vazio. Somos a luz que pode trazer de novo o renascer do sol e o fim da escuridão. Somos o que queremos ser a partir do momento que acreditamos que isso é possível. Nunca devemos dizer nunca. Nunca devemos acreditar que algo é impossível apenas porque ninguém conseguiu comprovar a sua possibilidade. Existe uma primeira vez para tudo e como tal existe uma primeira vez para a luta.

“Quem nos impede de lutar para além de nós próprios?”

Ninguém tem a capacidade de procurar em nós a força que nos falta para além de nós próprios. Cabe a cada um de nós a procura da força interior capaz de arrebatar para o exterior toda a convicção de que efetivamente é possível e que pode ser feito. Que não existe o nunca. Que no centro da impossibilidade as coisas se tornam possíveis e que só nós podemos lutar por aquilo em que acreditamos e aquilo que no fundo faz da nossa passagem pelo mundo algo pelo o qual nos devemos orgulhar…

Setembro 9th, 2011

A dor de pensar

http://fc09.deviantart.net/fs71/i/2010/052/6/0/You__ll_think_you__re_happy_by_123Stella.jpg

Posso não partilhar da grandeza que marcou e continuará a marcar o grande Fernando Pessoa, mas considero que entre esse grande escritor e este pequeno aspirante se criou uma ponte que conduziu na sua chegada à dor de pensar. Por vezes gostava de fluir a vida de modo natural sem recorrer ao pensamento, mas tal como este esbarrei na impossibilidade de conseguir atingir tal feito.

O pensar não me custa, custa sim o pensar em demasia. O pensar sem razão. O pensar apenas por pensar. Um pensar por vezes vazio e cheio de tudo e de nada. Um pensar progressivo que me atormenta, que me persegue e me torna num eterno ser por completar. Um ser com demasiados sonhos, mas cansado demais de pensar na sua realização. Que cansado me sinto…

Não há dor maior do que querer ser tudo em todo o lado. Em querer realizar tudo de uma vez. Em cair na deceção de que isso é completamente impossível. A necessidade de querer ser mais e melhor a cada dia que passa e a paixão por uma arte que parece tão morta num mundo de tantos artistas. Penso no que aconteceu. No que irá acontecer. No que nunca irá acontecer. Sento-me. Choro. Vejo que o mundo avança depressa demais para todas as realizações que queria atingir nesta vida. No final apenas sobra o cansaço. Que grande cansaço.

Queria também referir que o tabaco já não habita o meu corpo há já cerca de 20 longos dias. Talvez isso também me faça pensar. Mas a necessidade de uma vida longa para realizar tantos sonhos leva-me a deixar maus hábitos. Sou sincero por vários dias me apetece assaltar uma carrinha de tabaco e encher-me dessa substância ridícula. Mas depois penso e (aí é bom pensar), vejo todas as vantagens de não o fazer.

Sou uma pessoa nova. Uma pessoa que pensa. Que pensa demais, mas que transmite o que pensa mediante a sua arte. As pessoas morrem mas a sua arte, essa que percorre a espinha de todos os escritores, fica sempre presente.

A vida pode ser o que queremos que seja, se tiverem o dom de não pensar demasiado nas coisas irão ver que estas acabam por acontecer.

Mas pensar é necessário. Pensar é o início do sonho. De um sonho grande e intenso que me transforma, este simples aspirante a escritor num escritor a sério.

Setembro 2nd, 2011

Um amor que não se mede

http://farm3.static.flickr.com/2756/4164759025_da547a9341_z.jpg

Amo-te e dentro de mim sinto um amor que não se mede. Um amor que nunca havia sentido e o qual acho teoricamente impossível de medir ou calcular. Se o comparasse com uma estrada por certo não conseguiria ver o seu fim. Por certo e se me deslocasse de carro não conseguiria chegar ao seu final com um único depósito de gasolina. Se o comparasse ao céu por certo seria mais vermelho, tingido pelo palpitar do meu coração.

Sempre fui lamechas mas o meu amor é lamechas e o nosso amor também. Somos felizes assim. Somos felizes trocando palavras que só nos compreendemos e gestos que passam alheios mesmo aos mais curiosos. São nossos. Tal como é nosso este amor que mais ninguém sente para além dos nossos corações. Também é nossa a química que parece fervilhar nos nossos olhos e que os ilumina num reflexo de amor.

É nossa a satisfação de um coração completo. Somos a peça de um puzzle que encontrou a sua cara metade a única ligação possível para a sua concretização. Essa peça és tu. És o sorriso que sempre guardei e esperei um dia mostrar ao mundo, sem ser fingido, sem ser forçado. És a bonança depois de todas as tempestades que assolaram o meu coração e por momentos me fizeram duvidar da palavra amor. És a palavra quando as palavras me faltam e no meio de poucas palavras uma me sobra para te dizer…

Amo-te