Archive for the ‘Prosa’ Category

Março 21st, 2010

Suicídio Existencial

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Se não existisse, não escreveria, não sentia não fazia diferença na minha indiferença de mais um dia. Não seria quente, provavelmente minha alma seria fria, não existia, muito menos teria relevância, na insignificância da magia, que a minha escrita cria, como uma droga lírica e funcional, a única que quanto mais se consome, menos esta faz mal. Se não existisse, este espaço não passaria de um projecto, demasiado ambicioso e trabalhoso para passar ao concreto. Sem mim, na verdade não existiria muita diferença, se uma pessoa nunca vier ao mundo como sentiremos falta da sua existência.

Essa existência,
que me compensa e me comove,
me tome me tira, tropeça
e me promove.

Esse amor,
que me prende e liberta,
esta dor,
que me faz escrever à descoberta.

Se eu não fosse mais do que sou, mais do que tento ser, se não fosse esta paixão imensa e toda a vontade de escrever, não era, e por mera espera nesta vida sem Primavera, escreveria no céu, muito acima da nosso troposfera. A minha atmosfera é composta de palavras, sem elas, o meu ser simplesmente não se consegue descrever, preciso de palavras para respirar, são elas que na maioria me fazem viver.

Poderia escrever livros,
sem parar até ao seu final,
não escrevo em partes,
um ser que não é divisional.

Metalliroom II by Dosex Suicídio ExistencialFaço composições, conquisto corações com o meu modo de ser, crio discussões, falsas opiniões e falso viver. Há quem diga que não sou um, mas muitos seres dentre de mim, cada um vive e morre, vem e promove, só espero que todos triunfem no fim. Eu sou horas, dias, semanas de dicionários e folias, sou construção de fantasias, sou bolo de palavras às fatias, sou mais, sou menos, quebro a escala que está no meio, trago o poeta da actualidade que todos chamaram mas não veio. Eu vim… E se vim, marquei esta posição para ficar, nem que tenha de morrer por esta arte, nunca ninguém será capaz de  a tirar, nem que o rio corra sobre o meu corpo, o vento me coloque a voar no ar, eu escreverei nas nuvens para isto nunca acabar.

Poderia passar o mundo e deliciar-me nas linhas do céu, mas o mundo é efémero, e o céu é infinito e o meu mundo és tu. Podia então rasgar um pouco do céu para te mostrar meu mundo que ele não é tão grande como tu. Poderia ainda rasgar um pouco de mim para te oferecer, mas nunca rasgar o meu mundo para oferecer ao céu…

Março 13th, 2010

Aquela pérola

Rainbow Pearl by dansch Aquela pérolaAquela pérola era a mais bela, a mais pura a mais sincera, queria toca-la, queria tê-la, queria senti-la e ver, guarda-la e vê-la verter, a sua beleza natural.

Como era belo contempla-la apenas, sem truques ou esquemas, apenas olhar e sonhar sentir, experimentar o existente num passado de muito agir.

Não queria nada, apenas formar uma história que nunca foi contada, uma pérola que nunca foi vista ou algum dia experimentada, apenas queria formar um pensamento que muitas vezes não penso, apenas reflicto e escrevo, comovo e tento mover uma multidão, sem forças para me arrastar, recorro à pérola do coração.

Março 10th, 2010

Naquele banco

The Park Bench Rant  by kaylaesthetic Naquele bancoFantasiei e nessa ficção, passeava junto ao jardim, acreditando ver-te chegar, observando em minha volta, esperando poder distinguir o teu sorriso, poder sentir-te presente. O sol brotava por entre as árvores, inseguro, tal como eu, impaciente por aparecer, como eu, ansioso que surgisses. Calcava as folhas esquecidas no chão, os papelinhos que outrora haviam sido dedicatórias das mais harmoniosas cartas de amor. Olhei em frente, alvejei os teus olhos, que me irradiaram como o sol, estava confuso, porque embora te vendo, não confiava na tua presença. Mas ali estavas, sentada, isolada, num diminuto banco de jardim. Aproximei-me dando passos tímidos, e sentei-me ao teu lado, sentei-me no teu banco. Minhas palavras eram tímidas, eram cobertas de amor, “amo-te”, dizia-te enquanto sentia teu calor. O mundo cessava, á medida que a minha face se acercava da tua, os meus lábios choravam, de alegria por finalmente tocarem os teus. Saborosos, doces e famintos, eram como se encontravam os meus, receptivos, doces e únicos, foi como recebi os teus. Minha mão tímida, passava por teu corpo suave, começando em teu pescoço, descendo por teus seios e acabando brincando em teu umbigo. O desejo era enorme, mas apesar disso, a palavra soou “amo-te calmamente”, ambos nos afastámos trocando olhares tímidos. Despedi-me desta sem beijos, apenas com um adeus, e agora, acordado, relembro o que sinceramente nunca aconteceu.

Março 7th, 2010

Dia da Mulher

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Mulher é como flor, mulher é uma visão, mulher contorna meu corpo e atinge meu coração.

Uma mulher é como uma flor, com as suas lindas pétalas de histórias e paixões, com raízes apaixonantes, mulheres perfeitas, rosas andantes, que perfuram corações. Como uma história cuidada, que poucos procuram compreender, aquele livro esquecido que todos deveriam ler, um sonho, uma paixão, um desespero e uma vitória, uma mulher o fruto final de toda uma glória. Sexo fraco, não, apenas enfraquecido por quem se julga forte, todos com o mesmo objectivo caminhar para a sua morte, mas no caminho, cada uma marca a sua passada, todos têm os seus sonhos embora algumas sonhem em nada. Trago uma mensagem para a mulher, a minha própria, a dedicatória a este ser, longas palavras nunca interrompidas de uma vontade de escrever. Não pretendo contar a história que este dia esconde, não vou entregar rosas ou levar-vos não sei onde.

mulherHá quem neste mundo não saiba como tratar uma mulher, vivendo na fantasia de a tornar o seu jogo de prazer.

Mas mulher tem sentimento, e por sentir merece amor, porque investem eles em prazer, se só lhes provoca dor.

Cada mulher é mágica, tem magia no seu olhar, no seu corpo tem fogo que só um homem tem direito de apagar. Uma escolha, simples, e feita por cada ser que escolhe, tenha mais calma com cada uma delas e antes de parar olhe…

Escrevi um bilhete,
para toda a mulher ler
juntei-lhe sonhos e força
para este nunca desaparecer.

Comprei flores
mas não as ofereci,
em vez disso fiquei aqui,
escrevendo para ti.

Só vos queria demonstrar que cada uma de vocês é especial, esta é a minha forma de vos homenagear, nada de mais, não levem a mal. Não precisam de agradecer, talvez apenas comentar, apenas me seguir e para sempre me amar.

Março 6th, 2010

Amor Lírical

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Queria escrever o amor que sinto, proclamo e pinto sempre que tento escrever, podia ver para além do que sou, pegar no coração e reescrever. Queria afogar-me em amor, por uma arte que pouca gente promove, eu movo o mundo, junto com as pessoas que este vigilante move. Queria poder amar o mundo, resumir a vida a um segundo e triunfar, queria dar tudo o que tenho a uma rosa que nunca irá murchar. Queria inverter tudo o que é lei, superar todos os segredos de uma paixão, queria viver sem respirar para poder oferecer meu coração. Queria mesmo o suicídio nesta droga que nunca se esgota, queria endireitar uma vida que por várias vezes parece torta.

Amo-te sabes? Desconfias da minha presença?
Todo o dia, quando te brindo da minha experiência,
por vezes sem competência, mas com vontade de brilhar,
aqui te vou escrevendo, aqui te vou amar.

Amor lirícalNem tudo é simples, nem sempre o correcto leva ao final feliz, a vida não se criou, muito menos foi Deus que quis. Aconteceu… A vida é feita de acontecimentos que acontecem, muitos para o bem de quem ama, outras apenas nos estremecem, entristecem, muitas vezes é difícil acreditar que exista amor, quando nos sentimos tão sufocados a viver na nossa própria dor. O meu amor não troco, porque a forma como amo só eu consigo amar, nada consegue amarrar este amor que sinto ou faze-lo acabar. Luto com tudo para mostrar a diferença na minha igualdade, tento marcar a minha presença e na ausência dela deixar saudade. Quero marcar lugar mesmo não existindo um lugar para mim, quero amar e lutar por este amor até ao dia do meu fim.

Março 4th, 2010

Droga Lírical

cf3ddfb668cf81ea3f9002b9a880beaf Droga LíricalEste lugar não é droga, mas de facto é viciante, assim pronunciava Priscilla num cometa brilhante, numa marca constante, marcada neste meu diário, tudo real mas recorrente do meu imaginário. Esta é a nova droga que não mata mas deixa agarrados, muitas doses de poemas declamados, na ressaca poucos serão lembrados. Eu vou produzindo a droga, diária, semanal, mensal, nunca serei apanhado por construir esta epidemia mundial. Esta minha droga, não têm saída não tem como largar, basta ingerir para ganhar vício e nunca mais querer largar. Já estive sozinho neste vício, consumia sozinho até não aguentar o corpo, escrevia cadernos e linhas dignas de um homem louco, mas evoluí, comecei a transmitir esta arte, depois de te ver dentro dela, nunca mais consumi à parte.

Criando grandes doses que nunca virão a ser tomadas, dormindo em sonhos que por vezes não passam de fachadas, passo a vida, consumindo e levando chapadas, muitas delas desaparecem poucas serão lembradas.

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Mas qual maior droga, que maior o sofrimento, toda a minha vida repartida em apenas um momento, mais que palavras, mais que sentir, ver, tocar, sentir, e poder escrever, em pedaços uma obra completa, descobrir a chave do tesouro de uma vida completa. Quero a resposta, o amor, a felicidade acima de toda a tristeza, quero a verdade acima da falsidade quero desta vez ter a certeza. Quero pular como garoto, sentir-me um louco responsável, fazer algo e ter uma atitude um dia louvável. Quero drogar-me para sempre desta droga que me faz viver, jurando aqui que só irei deixar de tomar no dia em que morrer. Quero gritar ao mundo e coloca-lo dentro do meu ser, quero viver e decidir o dia em que irei desaparecer.

Março 3rd, 2010

Suicídio Lirical

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Como um boneco de trapos sinto-me ser controlado, manipulado, usado e invertido, já não consigo ter certezas de coisas que para mim não fazem sentido. Sinto um vazio, um sentimento de solidão que não encontra o seu complemento, vejo-me preso a convicções que não possuem qualquer fundamento.

Rasguei palavras,
nesta vida já rasguei o tempo,
furei barreiras e superei-as
para encontrar meu alimento.

Mas o caminho não é certo, talvez seja tão certo como eu ser poeta, que se fodam objectivos que nunca irão cumprir a meta. Choro lágrimas de sangue, todo o meu corpo parece ficar vermelho, tenho medo de me levantar, medo de ver meu ser ao espelho. Como a droga que consome, só pede mais e nada tem, quantas vezes me vejo colado e esperando por algo que nunca vem.

Procurei sonhos, tentei
compreender a vida e errei.
Venci, lutei e perdi
fiz tudo para provar ao mundo
que gosto, do que vivi,
mas nada prova,
e o meu ser comprova,
que venci, lutei e perdi.

060 by JackieJealousy Suicídio LiricalColoquei a poesia numa caixa e decorei-a o melhor que o meu ser sabe fazer, foi o melhor que guardei de todo este meu viver. Olhei as fotos de paixões, de momentos felizes nesta vida, pena que sempre no auge do bem, vem um seguimento de partida. Por várias vezes ouvi ser especial, eu penso ser uma especialidade de merda, se sou tão especial porque só mantenho o que me enerva. Porque é que tudo o que tenho, voa com um vento que não vejo soprar, porque é que tudo o que partiu não ganha uma ânsia de voltar.

O meu coração é um espelho, vivo entre sensações que me prendem ao amor, não peço que entendam o que sinto, apenas peço que não me transmitam dor. Queria ser o ponto central de uma partilha, igual, mágica e inalterável, tudo o que me transmitem é falso, sem esperança e pouco saudável.

Hurt by fantasmica Suicídio LiricalChamam qualidade ao meu dar demais, eu chamo ter a menos, dar tudo nada ter, verem tudo e nada vermos. Tudo o que produzo é efêmero, é vago e será esquecido, à muito tempo que não vejo a luz, à muito tempo que me fugiu o motivo. Porque vida? Porque razão tudo parece errado, mal tenho forças para viver, porque me queres manter acordado.

Quero respostas às perguntas que nunca fiz mas sempre quis saber, quero ver a vontade de viver ser superior à de desaparecer. Quero tocar mais alto, quero sentir o céu me possuir, quero ser mais do que sou, mas menos do que me faz sentir. Quero divagar, quero correr no vento atrás de quem já não está aqui presente, quero morrer e dar o corpo a toda essa minha gente. Porque eu não vivo sem os presentes, os que partirão e os que virão, eu não vivo… No meio de tanta solidão.

Fevereiro 27th, 2010

Guardamos

wind by GruenerHund GuardamosGuardamos sonhos e canções, memórias e lições, versos e quadras, à quem guarde segredos, à quem revele fachadas. À quem vence, mas ainda há quem perca e volte a tentar, há quem se aventure, mas só alguns sobrevivem neste mar. Partilhamos emoções, guardamos o que o coração não tem coragem de dizer, choramos em lágrimas a tristeza que o nosso ser vê verter. Pintamos num a4 expressivo as linhas que compõem toda uma vida, riscamos na pele e rasuramos os erros até perfurar e fazer ferida. Abrimos portas, guardamos chaves para no futuro tentar novamente abrir, guardamos mágoa, rancor, sentimos que não conseguimos deixar sair. Guardamos sentimentos que são calmos demais para se dizerem, vemos e matamos coisas que são boas demais para um dia se terem…

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