Archive for the ‘Prosa’ Category
Quando sonho contigo
O mundo destinou-me a uma missão. Olhei o céu. Vi o azul tocar-me, numa infinidade de interrogações. Pensei ter o concreto como meu. Pensei que ao sonhar, sonhasse. Fosse capaz e concretizasse. Meu sonho.
O sonho comanda a vida. Viver numa dimensão paralela. Sonhar. Apenas sonhar e com ela poder viver. Este consumo que me consome e vontade de escrever. Não me contento com dissertações de fachadas e tretas. Cresci em palavras a comer sopa de letras.
Quando sonho divago. Quando sonho propago. Cada pedaço do meu corpo, saí de mim e fica louco e voa ao teu encontro.
Queria voar como um pedaço
queria marcar o meu passo
queria ter-te e riscar
para sempre o fracasso.
Quando sonho sou poeta e que bom é escrever! Quando escrevo liberto, trago e desperto, o que muitos irão ler. Mas o que realmente sonho, é contigo princesa. Nunca pensei ser possível um corpo aguentar tamanha beleza. Não sei se é certo. Haverá quem me dê certeza?
Queria triunfar
semear e colher
quero-me entregar
a esta arte até morrer.
E quando acordo do meu sonho, este não está acabado. Quando acordo… Tu ainda estás ao meu lado. Quero… Quero a ti me entregar. Quero dar tudo por esta arte para um dia te poder beijar.
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Navegando em pensamento

Fui ao céu. Na minha viagem colhi a mais bela flor, para te oferecer. Não uma simples flor. Não a mais bela. Colhi a flor verdadeira, a mais intensa, mais inteira. Era a flor do amor. Mas na minha jornada fiquei triste. A tristeza invadia-me porque não encontrei uma flor, tão bela como tu. Procurei nos confins do pensamento. Procurei nas entranhas do coração. Mas tudo o que era belo tinha a tua imagem. Nada do que encontrava se comparava a tal beleza.
Fiz um trato com o coração. Pedi-lhe que encontrasse uma flor tão bela como tu. Com toda a simplicidade, com a sinceridade que o caracteriza, disse-me que não existia. Mais triste fiquei.
Fiz um trato com o pensamento. Pedi-lhe para me criar uma flor tão perfeita como tu. Com toda a simplicidade, com a sinceridade que o caracteriza, disse-me que não conseguia. Mais triste fiquei.
Depois pensei na impossibilidade que queria criar. Pensei que fosse como vencer o vento ou o mar. Caí na possibilidade do impossível criar. Cheguei à conclusão de que nada a ti se pode comparar. Sorri. Saí à rua. Saltei. Vivi. Cheguei à conclusão que nada se compara a ti…
A mais bela rosa
Brotada do coração, do amor, do calor, de uma terra que a fez como sua, que a criou, que regou a pequena flor do seu amor, como uma criança, alimentada do carinho de uma relação. Uma relação em que apenas uma parte se relaciona, a outra metade apenas sonha, com o dia em que a flor possa mostrar os seus frutos, o fruto do amor que toda a vida lutou por regar e nunca deixar morrer. Vejo os espinhos nascerem num mal, numa inveja ou apenas numa incapacidade de lutar por um pouco mais, por vezes queria arrancar meu coração para poder soltar metade dos meus ais.
Suicídio Existencial

Se não existisse, não escreveria, não sentia não fazia diferença na minha indiferença de mais um dia. Não seria quente, provavelmente minha alma seria fria, não existia, muito menos teria relevância, na insignificância da magia, que a minha escrita cria, como uma droga lírica e funcional, a única que quanto mais se consome, menos esta faz mal. Se não existisse, este espaço não passaria de um projecto, demasiado ambicioso e trabalhoso para passar ao concreto. Sem mim, na verdade não existiria muita diferença, se uma pessoa nunca vier ao mundo como sentiremos falta da sua existência.
Essa existência,
que me compensa e me comove,
me tome me tira, tropeça
e me promove.Esse amor,
que me prende e liberta,
esta dor,
que me faz escrever à descoberta.
Se eu não fosse mais do que sou, mais do que tento ser, se não fosse esta paixão imensa e toda a vontade de escrever, não era, e por mera espera nesta vida sem Primavera, escreveria no céu, muito acima da nosso troposfera. A minha atmosfera é composta de palavras, sem elas, o meu ser simplesmente não se consegue descrever, preciso de palavras para respirar, são elas que na maioria me fazem viver.
Poderia escrever livros,
sem parar até ao seu final,
não escrevo em partes,
um ser que não é divisional.
Faço composições, conquisto corações com o meu modo de ser, crio discussões, falsas opiniões e falso viver. Há quem diga que não sou um, mas muitos seres dentre de mim, cada um vive e morre, vem e promove, só espero que todos triunfem no fim. Eu sou horas, dias, semanas de dicionários e folias, sou construção de fantasias, sou bolo de palavras às fatias, sou mais, sou menos, quebro a escala que está no meio, trago o poeta da actualidade que todos chamaram mas não veio. Eu vim… E se vim, marquei esta posição para ficar, nem que tenha de morrer por esta arte, nunca ninguém será capaz de a tirar, nem que o rio corra sobre o meu corpo, o vento me coloque a voar no ar, eu escreverei nas nuvens para isto nunca acabar.
Poderia passar o mundo e deliciar-me nas linhas do céu, mas o mundo é efémero, e o céu é infinito e o meu mundo és tu. Podia então rasgar um pouco do céu para te mostrar meu mundo que ele não é tão grande como tu. Poderia ainda rasgar um pouco de mim para te oferecer, mas nunca rasgar o meu mundo para oferecer ao céu…
Aquela pérola
Aquela pérola era a mais bela, a mais pura a mais sincera, queria toca-la, queria tê-la, queria senti-la e ver, guarda-la e vê-la verter, a sua beleza natural.
Como era belo contempla-la apenas, sem truques ou esquemas, apenas olhar e sonhar sentir, experimentar o existente num passado de muito agir.
Não queria nada, apenas formar uma história que nunca foi contada, uma pérola que nunca foi vista ou algum dia experimentada, apenas queria formar um pensamento que muitas vezes não penso, apenas reflicto e escrevo, comovo e tento mover uma multidão, sem forças para me arrastar, recorro à pérola do coração.
Naquele banco
Fantasiei e nessa ficção, passeava junto ao jardim, acreditando ver-te chegar, observando em minha volta, esperando poder distinguir o teu sorriso, poder sentir-te presente. O sol brotava por entre as árvores, inseguro, tal como eu, impaciente por aparecer, como eu, ansioso que surgisses. Calcava as folhas esquecidas no chão, os papelinhos que outrora haviam sido dedicatórias das mais harmoniosas cartas de amor. Olhei em frente, alvejei os teus olhos, que me irradiaram como o sol, estava confuso, porque embora te vendo, não confiava na tua presença. Mas ali estavas, sentada, isolada, num diminuto banco de jardim. Aproximei-me dando passos tímidos, e sentei-me ao teu lado, sentei-me no teu banco. Minhas palavras eram tímidas, eram cobertas de amor, “amo-te”, dizia-te enquanto sentia teu calor. O mundo cessava, á medida que a minha face se acercava da tua, os meus lábios choravam, de alegria por finalmente tocarem os teus. Saborosos, doces e famintos, eram como se encontravam os meus, receptivos, doces e únicos, foi como recebi os teus. Minha mão tímida, passava por teu corpo suave, começando em teu pescoço, descendo por teus seios e acabando brincando em teu umbigo. O desejo era enorme, mas apesar disso, a palavra soou “amo-te calmamente”, ambos nos afastámos trocando olhares tímidos. Despedi-me desta sem beijos, apenas com um adeus, e agora, acordado, relembro o que sinceramente nunca aconteceu.
Dia da Mulher

Mulher é como flor, mulher é uma visão, mulher contorna meu corpo e atinge meu coração.
Uma mulher é como uma flor, com as suas lindas pétalas de histórias e paixões, com raízes apaixonantes, mulheres perfeitas, rosas andantes, que perfuram corações. Como uma história cuidada, que poucos procuram compreender, aquele livro esquecido que todos deveriam ler, um sonho, uma paixão, um desespero e uma vitória, uma mulher o fruto final de toda uma glória. Sexo fraco, não, apenas enfraquecido por quem se julga forte, todos com o mesmo objectivo caminhar para a sua morte, mas no caminho, cada uma marca a sua passada, todos têm os seus sonhos embora algumas sonhem em nada. Trago uma mensagem para a mulher, a minha própria, a dedicatória a este ser, longas palavras nunca interrompidas de uma vontade de escrever. Não pretendo contar a história que este dia esconde, não vou entregar rosas ou levar-vos não sei onde.
Há quem neste mundo não saiba como tratar uma mulher, vivendo na fantasia de a tornar o seu jogo de prazer.
Mas mulher tem sentimento, e por sentir merece amor, porque investem eles em prazer, se só lhes provoca dor.
Cada mulher é mágica, tem magia no seu olhar, no seu corpo tem fogo que só um homem tem direito de apagar. Uma escolha, simples, e feita por cada ser que escolhe, tenha mais calma com cada uma delas e antes de parar olhe…
Escrevi um bilhete,
para toda a mulher ler
juntei-lhe sonhos e força
para este nunca desaparecer.
Comprei flores
mas não as ofereci,
em vez disso fiquei aqui,
escrevendo para ti.
Só vos queria demonstrar que cada uma de vocês é especial, esta é a minha forma de vos homenagear, nada de mais, não levem a mal. Não precisam de agradecer, talvez apenas comentar, apenas me seguir e para sempre me amar.





Pequena Escuridão
Fazia frio e a pequena rapariga apenas olhava, inocente do mundo sem perceber o que fitava. Mas dizia.
Era confusa outrora, não percebia o presente. Não questionava a existência, uma razão de ser diferente. Não enumerava o certo, vivia consoante o errado. Não procurava roubar a cadeira, o lugar do eterno sentado. Levantava e levantando procurava. E de tanto procurar falou do que não encontrava.
As questões continuavam. E cada questão sua me faz chorar mais tinta. Eu dou vida, mas muita vida morre ao fim de uma palavra. Muitas pessoas em mim nascem, muitas encontram a mente fechada. Pobre mundo o meu, sou criador e destruidor. Amo cada personagem minha sou curandeiro do amor. Sou a morte em cada palavra, meu deus como é mau o meu destino, criar tantas personagens e acabar escrevendo sozinho…