Archive for the ‘Prosa’ Category
Jardim da minha vida
No jardim da minha vida, há uma flor destemida. Também alguns espinhos, por mais que pequeninos, causaram ferida. Nesse jardim de aparências, eu cultivo o amor. Uma retribui. As outras causam e pautam a dor. Não sei porque alimento. Raiva! Tormento. Não sei porque tento. Trato. Alimento.
A bela flor cresce forte, com sorte evitará a morte. As outras vão secando, vão morrendo, vão passando. Pouca sorte.
Cada um colhe o que semeia, recebe o que dá. As flores secas eu mato. A minha morte virá. A flor bela eu trato, faço um contrato eterno. Vou ao céu falo com Deus, peço-lhe para a livrar do inferno.
Se morrer… Eu sei que irei. Quero beijar as pétalas da flor que nunca beijei. Quero tratar do seu amor como nunca tratei. Quero amar alguém como nesta vida nunca amei. Quero. Peço. Desespero. Eu espero. Eu quero. As flores secas… São pó. São zero.
O pensamento que te odeia
Oiço vozes que outrora ouvi. Vejo um rosto que se assemelha ao que outrora amei. Vejo um ser que odeio e odiei. Vejo um mundo que já vivi. Cruzo um pensamento de uma pessoa que já toquei. De alguém que eu já amei. De uma pessoa que acho certa por não ser quem odiei.
Pensamentos. Tenho pena da rapariga que no pensamento odeio e que no cruzamento acho bela. Tento apenas vê-la, tento não pensar nela. Ao ver-te és bela. Ao pensar odeio-te.
Desculpa, por não teres culpa do que teu rosto se assemelha. Desculpa se ao ver-te te acho bela, mas te odeio. Não faz sentido, apenas o poeta o sente, apenas o poeta ama, apenas o poeta mente.
Quero gritar. Quero desistir. Quero continuar. Apenas quero escrever. Quero libertar, quero poder perder e triunfar. Desculpa o facto de o pensamento te odiar.
Stop
Chega de gritos e murmúrios. Chega de luta ou confusão. Chega de discussões. Chega de tentares ser o centro da atenção.
O mundo não gira à volta de ti
para e repara, era o garoto, mas cresci.
Retirei um pedaço que me deste de ti
choro com o fracasso que pensas de mim.
Gostava de saber o que faço ou o que não faço na tua opinião. Nada do que diga, construa ou liga merece a tua consideração. Não.
Nada do que escreva ou cante
nem mil palavras num diamante
tudo o que faço é em vão,
sim em vão, sem consideração.
Para ti o meu tudo é nada. É como se a minha existência se resumisse apenas ao material que consigo obter. As pessoas não são objectos. Se existe algo nesta vida que me faça orgulhar de quem sou é aquilo que escrevo. Aquilo que dou. Aquilo que faço transformar em sentimentos através de simples palavras. Queres algo mais material do que deixar alguém a sorrir?
Quem me dera que tu visses a pessoa que vigilante se tornou. Quem me dera que ainda fosse a criança que o teu ser amou.
Pequena Escuridão
Fazia frio. Ela fitava, olhava e pensava e por fim falava.
Que verdade é esta que minha mente vê?
Vejo perguntas sem respostas, não percebo porque.
Fazia frio e a pequena rapariga apenas olhava, inocente do mundo sem perceber o que fitava. Mas dizia.
Gostava de compreender o mundo. Que heresia!
Gostava de me compreender a mim mesma. Que bem me faria!
Era confusa outrora, não percebia o presente. Não questionava a existência, uma razão de ser diferente. Não enumerava o certo, vivia consoante o errado. Não procurava roubar a cadeira, o lugar do eterno sentado. Levantava e levantando procurava. E de tanto procurar falou do que não encontrava.
Quem sou eu? Uma caneta me dá existência
sou o produto de um poeta, sou a sua eloquência.
Quem sou eu afinal? Será o fim da tinta a minha morte
sou apenas a criação, um ser apenas no papel forte.
As questões continuavam. E cada questão sua me faz chorar mais tinta. Eu dou vida, mas muita vida morre ao fim de uma palavra. Muitas pessoas em mim nascem, muitas encontram a mente fechada. Pobre mundo o meu, sou criador e destruidor. Amo cada personagem minha sou curandeiro do amor. Sou a morte em cada palavra, meu deus como é mau o meu destino, criar tantas personagens e acabar escrevendo sozinho…
Quando sonho contigo
O mundo destinou-me a uma missão. Olhei o céu. Vi o azul tocar-me, numa infinidade de interrogações. Pensei ter o concreto como meu. Pensei que ao sonhar, sonhasse. Fosse capaz e concretizasse. Meu sonho.
O sonho comanda a vida. Viver numa dimensão paralela. Sonhar. Apenas sonhar e com ela poder viver. Este consumo que me consome e vontade de escrever. Não me contento com dissertações de fachadas e tretas. Cresci em palavras a comer sopa de letras.
Quando sonho divago. Quando sonho propago. Cada pedaço do meu corpo, saí de mim e fica louco e voa ao teu encontro.
Queria voar como um pedaço
queria marcar o meu passo
queria ter-te e riscar
para sempre o fracasso.
Quando sonho sou poeta e que bom é escrever! Quando escrevo liberto, trago e desperto, o que muitos irão ler. Mas o que realmente sonho, é contigo princesa. Nunca pensei ser possível um corpo aguentar tamanha beleza. Não sei se é certo. Haverá quem me dê certeza?
Queria triunfar
semear e colher
quero-me entregar
a esta arte até morrer.
E quando acordo do meu sonho, este não está acabado. Quando acordo… Tu ainda estás ao meu lado. Quero… Quero a ti me entregar. Quero dar tudo por esta arte para um dia te poder beijar.
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Navegando em pensamento

Fui ao céu. Na minha viagem colhi a mais bela flor, para te oferecer. Não uma simples flor. Não a mais bela. Colhi a flor verdadeira, a mais intensa, mais inteira. Era a flor do amor. Mas na minha jornada fiquei triste. A tristeza invadia-me porque não encontrei uma flor, tão bela como tu. Procurei nos confins do pensamento. Procurei nas entranhas do coração. Mas tudo o que era belo tinha a tua imagem. Nada do que encontrava se comparava a tal beleza.
Fiz um trato com o coração. Pedi-lhe que encontrasse uma flor tão bela como tu. Com toda a simplicidade, com a sinceridade que o caracteriza, disse-me que não existia. Mais triste fiquei.
Fiz um trato com o pensamento. Pedi-lhe para me criar uma flor tão perfeita como tu. Com toda a simplicidade, com a sinceridade que o caracteriza, disse-me que não conseguia. Mais triste fiquei.
Depois pensei na impossibilidade que queria criar. Pensei que fosse como vencer o vento ou o mar. Caí na possibilidade do impossível criar. Cheguei à conclusão de que nada a ti se pode comparar. Sorri. Saí à rua. Saltei. Vivi. Cheguei à conclusão que nada se compara a ti…
A mais bela rosa
Brotada do coração, do amor, do calor, de uma terra que a fez como sua, que a criou, que regou a pequena flor do seu amor, como uma criança, alimentada do carinho de uma relação. Uma relação em que apenas uma parte se relaciona, a outra metade apenas sonha, com o dia em que a flor possa mostrar os seus frutos, o fruto do amor que toda a vida lutou por regar e nunca deixar morrer. Vejo os espinhos nascerem num mal, numa inveja ou apenas numa incapacidade de lutar por um pouco mais, por vezes queria arrancar meu coração para poder soltar metade dos meus ais.








Hino ao amor
Inês hoje escrevo-te palavras que guardei para um dia te poder dar. Chegou o dia em que não conseguia mais aguentar. Tenho dentro de mim palavras que por tão perfeitas nunca apareceram, tenho sentimentos nunca vistos, já sentidos que nunca desapareceram. As palavras não são gestos, nem os gestos são palavras. Mas os gestos que gesticulo, as palavras que articulo, matam-me em mim próprio, cravam um furo que vai direito ao coração.
Com a tua chegada,
tive de ampliar meu coração.
Era tanto o amor que me propunhas,
tão pouco o espaço de arrumação.
Aumentei.
Tentei.
Pensei.
Amei.
Não me arrependo, tudo o que passei.
O amor não merece um hino, merecia sim um livro infinito, já tentei pegar o amor e solta-lo num só grito. Não consegui. Voltei a pensar. Pensei não ser possível amar. Apareceste. Me amas-te, me cegas-te. Me tiveste e tens, me amas e eu a ti, te amo e sinto o amor que nunca vi.
Gostava de transformar as minhas palavras num beijo, para poder beijar teus lábios e transformar o seu sabor em poesia. É impossível ter amor de tantas formas e um coração tão pequeno para o sentir. Por vezes sinto o amor imenso, sinto meu coração querer explodir. Por mais doloroso que seja, por mais que seja a dor, se há uma forma boa de morrer, por certo, será morrer de amor.
Queria escrever o amor que sinto, proclamo e pinto sempre que tento escrever, podia ver para além do que sou, pegar no coração e reescrever. Queria inverter tudo o que é lei, superar todos os segredos de uma paixão, queria viver sem respirar para poder oferecer meu coração. O meu amor não troco, porque a forma como amo só eu consigo amar, nada consegue amarrar este amor que sinto ou faze-lo acabar.
Isto é um hino ao amor que sinto por ti, a rapariga mais perfeita que conheci.