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Desabafando

O que de nascença torto sai,
no amadurecimento direito caí.
Meu amor torto, entortou,
nasceu assim, assim ficou.
Meu amor, esse é tão forte,
procurando oferecer-se,
e esquivar-se à sua morte.
Minha vida essa não sei,
vivo os planos de outro ser,
algo que nunca desejei.
Não consigo não amar,
não consigo não ter presente,
o sorriso de um abraço
que o meu abraço alimente.
Quero uma palavra sincera,
não palavras na escuridão,
quero conseguir não amar,
e silenciar o coração.
Solidão nas palavras

Gosto de passar a rua,
cruzar uma cara que é a tua,
saber que não te conheço
mas que alguém me conhece.
Detesto a solidão
que me afeta entristece,
gostava de aprisionar sua razão
que me mata, enlouquece.
Tanta cara que passa
me trespassa e continua.
Tanta face que fica
tanta vontade despida e nua.
Tanto desprezo, indiferença,
gente querendo ser grande sem ser, paciência,
que se esgota rebenta,
deixa minha alma atenta,
para a indiferença da vida.
Pudesse ser eu solidão.
Pudesse eu amar sem coração.
Pudesse eu não amar.
Pudesse eu não te querer abraçar.
Pudesse eu querer.
Pudesse eu finalmente morrer.
Este amor cego
Sufoca-me amor.
Melhor. Afoga-me no teu leito.
Leva este jovem escritor,
para o teu mundo perfeito.
Marca meu corpo.
Melhor. Marca a minha alma.
Sem ti eu dou em louco,
amor minha morna calma.
Faz-me sonhar grande.
Melhor. Dá-me o caminho do sonho.
Não encontro por mais que ande,
erro naquilo que proponho.
Aqui sonhando, sonho.
Aqui ficando, fico.
Aqui exponho, expondo.
Este mundo aflito.
Por um

Por um abraço e um beijo teu,
viraste Julieta e eu Romeu.
Por um abraço e um beijo teu,
o amor levou-me tudo o que era meu.
Por um beijo e um abraço,
te peguei e segurei teu braço.
Por um beijo e um abraço,
embrulhei meu coração com laço.
Por um sorriso e um abraço,
por um abraço e um sorriso,
eu abrando o meu passo,
para te acompanhar ao paraíso.
Sem nexo

Vou escrever o poema mais incorreto,
mais feio e sem nexo.
O poema que ninguém vai ler,
o poema que não é poema
e todos irão esquecer.
Vou escrever algo mesmo mau
pior que atirei o pau,
ao gato, eu atiro o pau à rima,
vai ser tão mau, mas tão mau,
que até irá arrefecer o clima.
Todos irão achar ridículo
que o poeta morreu,
pena que numa própria escrita,
lá o poeta renasceu.
Neste poema não sou poeta
sou o palhaço que está a escrever,
coisas sem senso,
que ninguém irá ler.
Mas a desgraça continua,
alguém a faça parar,
isto é como facadas à poesia
e sou eu poeta a dar.
Prefiro esfaquear-me
que esfaquear tão bela arte,
que raio fiz eu aqui
acabei de me por de parte.
O que eu queria,
queria fazer um poema mesmo feio,
sem nexo, e com paleio,
como garotos dentro da sala de aula no recreio.













