Archive for the ‘Poesia’ Category
Dia dos Namorados

No seu ar frágil, singelo e despido,
representava, montava, dentro de seu vestido.
Com um toque de brilho, no seu rosto quente,
a pequena criança, que não se via por entre a gente.
Num sorriso não visto, numa palavra não dita,
num verso outrora escrito, que outra hora permita.
Numa canção que não cantei, ao jogar no teu olhar.
Um beijo que não beijou, e ficou por se dar.
Perdido pelo ar, e tu perdida na multidão,
ninguém na meta acerta, no teu pobre coração.
Perdida no vento, tendo o amor em passatempo,
sonhando capturar, tudo isso num momento.
Mas quem espera alcança, e ficas a pensar,
sozinha no teu pranto, à espera de algo mudar.
Mas quem luta tem, e quem não luta perde,
de uma menina bonita, que muito quer mas não se atreve.
Palavras

Palavras seladas,
esquecidas,
rasgadas.
Palavras sentidas,
feridas,
marcadas.
Apenas palavras, que no vento se entranham.
No ouvido de alguém, entram, se estranham.
Palavras no tempo, que de momento contenho,
e que solto com engenho, cada vez que intervenho.
Em palavras não brinco,
neste minha arte,
com palavras eu pinto,
um poema em parte.
Com palavras cresço,
faço outro ser crescer,
já não sei o quanto meço,
por favor, faz-me ver.
No meu pensamento

A cabeça encontra-se confusa, mas o pensamento contigo torna-se simples. Penso em demasia. Problema esse de pensar em demasia. Surgiste como um anjo e eu sendo igualmente anjo, tenho as assas em sangue. Não consigo voar e permaneço a espalhar um pouco de bem na terra. Entrei no teu mundo e ensinei-te a usar as tuas assas. Mostrei-te que és um pequeno anjo com capacidade para voar.
” Porque voas baixinho,
se podes voar alto?
Talvez sejas semelhante anjo,
que gosta de pisar o asfalto.Porque voas baixinho?
Usa essas assas de riscas.
Talvez sejas semelhante anjo,
não gostas de dar nas vistas. “
Nem sempre me dou ou dei a conhecer. Pouca gente me conhece. Por vezes dou demais a alguém que não merece. Contigo é e sempre foi diferente. Só dou o que recebo. Bem dita sejas por não me dar desprezo.
” Nos teus olhos guardas,
palavras por dizer,
no teu coração, carinho,
que tenho vindo a receber.No teu sorriso aconchego,
que me mantêm quente.
No meu passado de mentira
conheci um anjo que não mente.No teu corpo doce
que eu nunca provei,
encontro o desejo
algo que não vi, mas sei.Nas tuas palavras
encontro a atenção,
o significado da partilha
e o resultado da compreensão.E por fim, em mim,
acho que não sei marcar,
tudo aquilo que faço
é ser modesto e rebaixar. “

Por vezes é complicado deixar a humildade de lado. Por vezes é complicado ser mais do que é esperado. Sei que sou, mas não gosto de o admitir, porque sei o que quero ser e os passos que faltam para o atingir. Na vida perdi pessoas e a desculpa foi que não me mereciam. Não consigo perceber, porque razão não deviam merecer? Pelo facto de a amizade ser demasiado boa e terem medo de a perder?
” Nunca pedi mais
do que aquilo que me dão,
mas sempre dei acima
do que tinha, de retribuição.Nunca me importei
sempre amei e fui feliz,
tenho medo do amar
mas sempre o tive quando quis.Sempre sofri no amor
mas sempre quis amar,
aproveitar cada segundo
até o amor acabar.Sempre acabou e
fui guardando caras no coração
pessoas que embora me fizeram sofrer
têm a minha admiração.Sempre dei ao máximo
e no fim sempre fiquei sozinho,
não recrimino ninguém
por preferir tomar outro caminho. “
O papel não critica ou julga aquilo que pensamos, apenas permanece imóvel à medida que se vai sentindo preenchido. No fundo o papel é como eu, reside na solidão e vive a vida esperando que alguém lhe pegue e escreva um livro nas suas linhas. Sempre quis escrever palavras, fazer companhia ao papel e quebrar o seu momento de solidão escrevendo. Não me sinto sozinho quando escrevo. Sinto uma energia que não se explica mas que sei que está presente. Meia hora já passou desde o momento que vim ao teu encontro papal, por vezes gostava de passar horas a teu lado, escrevendo nas tuas linhas, mas quem me iria ler? Quem se interessaria por estas palavras insignificantes que trespasso para o papel? Será que tais palavras podem servir para entreter alguém ou servirão apenas para te entreter a ti papel?
” Nasci com um objetivo
esta doença de escrever
cada pedaço contigo
é uma nova força para viver.Será que serei razão
para alguém viver ou sonhar?
Será que alguém sai do seu mundo
para no meu poder entrar?
Sinto muita gente à minha volta, mas são como tu papel, não falam. Será porque não querem ou porque simplesmente lhes tiro as palavras do pensamento? Não sei papel, mas sei que não me podes dar a resposta. Apenas eles os que me acompanham e sinto, embora não falem.
Não sei se sabes anjo mas habitas no meio deste rio de pensamentos. Pensar em ti é algo formidável porque nada em ti é dor e nenhum pensamento de nós é razão de sofrimento. Quem me dera poder ser assim para sempre. Neste momento sei que sentia saudades tuas e saudades de escrever.
Meu mundo

Minha vida, sua,
toda esta gente.
Mundo. Vida. Nascimento
de um ser diferente.
Podendo dou,
em volta recebo.
Tudo o que faço,
é tudo o que escrevo.
A vida dá voltas
e na volta vem visitar-me,
o melhor que aconteceu
foi o teu ser amar-me.
Desaparecido estive,
encontrado estou,
anteriormente dorido,
hoje mais que amou.
Amando fico,
amando ficaria,
brincando na neve
e matando o dia.
Desse jeito

Não muda esse jeito
que te caracteriza e te persegue,
que atormenta meu peito
me acalma e em mim segue.
Não muda nada em ti,
só se a vida o ditar,
porque por mais que se erra
alguma vez vai acertar.
Não muda mesmo nada,
mas tenta mudar tudo,
persegue a voz que te guia
ao teu coração mudo.
Mas não muda,
o que nasceu perfeito,
o que ilumina e enche
todo o meu peito.
Apenas muda o mundo
com o teu modo de ser,
sou o poeta vagabundo
que aqui fica a escrever.













