Archive for the ‘Poesia’ Category
Deitado no sabor do tempo

Parei para deixar passar o tempo. E na sua passada suave, como um sentimento que em mim se crave, fiz dele um passatempo. Olhei em redor, tudo o que tinha em poesia, fragmentos de prosa de outro dia, que não conseguia apagar. Desfolhei a minha mente em páginas infindáveis e incompletas, páginas essas que virão a ser descobertas, por novos jovens poetas.
Hoje o poeta, fala de alma e coração, deixa palavras soltas no tempo para no futuro construírem uma nova emoção. Procuro sentir e fazer sentir a imensa dispersão de sentimentos que cada um guarda no seu interior. Desde paixão, raiva, ódio, até à última réstia de amor. Quero que sintam tudo!
E aí a prosa, transforma-se em poesia,
o sol beija a lua, no nascer do novo dia,
e a poesia que hoje trago, diferente da que fazia,
hoje sou um simples mago, espalhando sua magia.
A minha realidade, realiza-se no coração de cada um leitor. A pior desilusão, é não existir a sensação, dentro do seu interior. Não interessa qual, não interessa de que forma, apenas importa a luz, que deixa a vossa alma morna.
Por um

Por um abraço e um beijo teu,
viraste Julieta e eu Romeu.
Por um abraço e um beijo teu,
o amor levou-me tudo o que era meu.
Por um beijo e um abraço,
te peguei e segurei teu braço.
Por um beijo e um abraço,
embrulhei meu coração com laço.
Por um sorriso e um abraço,
por um abraço e um sorriso,
eu abrando o meu passo,
para te acompanhar ao paraíso.
Sem nexo

Vou escrever o poema mais incorrecto,
mais feio e sem nexo.
O poema que ninguém vai ler,
o poema que não é poema
e todos irão esquecer.
Vou escrever algo mesmo mau
pior que atirei o pau,
ao gato, eu atiro o pau à rima,
vai ser tão mau, mas tão mau,
que até irá arrefecer o clima.
Todos irão achar ridículo
que o poeta morreu,
pena que numa própria escrita,
lá o poeta renasceu.
Neste poema não sou poeta
sou o palhaço que está a escrever,
coisas sem senso,
que ninguém irá ler.
Mas a desgraça continua,
alguém a faça parar,
isto é como facadas à poesia
e sou eu poeta a dar.
Prefiro esfaquear-me
que esfaquear tão bela arte,
que raio fiz eu aqui
acabei de me por de parte.
O que eu queria,
queria fazer um poema mesmo feio,
sem nexo, e com paleio,
como garotos dentro da sala de aula no recreio.
Perfeição

Procuro a perfeição,
sem saber se existe
procuro um sorriso que persiste,
neste mundo triste.
Será que existe?
Estará fechada sem acesso?
Se existe eu quero,
onde posso tirar ingresso?
Será a perfeição,
apenas artificial?
Inatingível,
será que a procuro mal?
A perfeição não se atinge,
apenas o melhoramento,
não acredito em inspiração,
eu acredito em talento.
Acredito que cada ser, tem uma alma poeta.
Acredito no amor, sem o cúpido da seta.
Acredito que nunca consiga atingir a perfeição.
Mas também acredito que não me falte motivação.
Vigilante – Jardim da minha vida
Decidi fazer algo totalmente diferente e algo que já queria fazer há bastante tempo. Peguei num poema deste fórum: Jardim da minha vida, e fiz uma música ou uma espécie de poema cantado. O resultado foi o seguinte, espero que gostem!
Hino ao amor

Inês hoje escrevo-te palavras que guardei para um dia te poder dar. Chegou o dia em que não conseguia mais aguentar. Tenho dentro de mim palavras que por tão perfeitas nunca apareceram, tenho sentimentos nunca vistos, já sentidos que nunca desapareceram. As palavras não são gestos, nem os gestos são palavras. Mas os gestos que gesticulo, as palavras que articulo, matam-me em mim próprio, cravam um furo que vai direito ao coração.
Com a tua chegada,
tive de ampliar meu coração.
Era tanto o amor que me propunhas,
tão pouco o espaço de arrumação.
Aumentei.
Tentei.
Pensei.
Amei.
Não me arrependo, tudo o que passei.
Cada um de nós é um alpinista que tenta escalar a montanha do amor, esse sentimento que nos rebate, ame e põe de parte, cada réstia de dor. Gostava que minhas palavras saíssem directas do coração, para veres como ele fala e sofre de paixão. Amor. Amor. Gostava de saber quem te descobriu, como foi o primeiro olhar, como e tudo o que sentiu. Porque não guardou em coração fechado tudo aquilo que viu, talvez o amor fosse imenso algo que nunca antes sentiu.
O amor não merece um hino, merecia sim um livro infinito, já tentei pegar o amor e solta-lo num só grito. Não consegui. Voltei a pensar. Pensei não ser possível amar. Apareceste. Me amas-te, me cegas-te. Me tiveste e tens, me amas e eu a ti, te amo e sinto o amor que nunca vi.
Gostava de transformar as minhas palavras num beijo, para poder beijar teus lábios e transformar o seu sabor em poesia. É impossível ter amor de tantas formas e um coração tão pequeno para o sentir. Por vezes sinto o amor imenso, sinto meu coração querer explodir. Por mais doloroso que seja, por mais que seja a dor, se há uma forma boa de morrer, por certo, será morrer de amor.
Poderia passar o mundo e deliciar-me nas linhas do céu, mas o mundo é efémero, e o céu é infinito e o meu mundo és tu. Podia então rasgar um pouco do céu para te mostrar meu mundo que ele não é tão grande como tu. Poderia ainda rasgar um pouco de mim para te oferecer, mas nunca rasgar o meu mundo para oferecer ao céu…
Queria escrever o amor que sinto, proclamo e pinto sempre que tento escrever, podia ver para além do que sou, pegar no coração e reescrever. Queria inverter tudo o que é lei, superar todos os segredos de uma paixão, queria viver sem respirar para poder oferecer meu coração. O meu amor não troco, porque a forma como amo só eu consigo amar, nada consegue amarrar este amor que sinto ou faze-lo acabar.
Isto é um hino ao amor que sinto por ti, a rapariga mais perfeita que conheci.
Eu poeta

Formei palavras para encantar parábolas,
peguei em frases e construí fábulas.
Antigas construções, que mantive em pensamento.
Frases nunca ditas, que morreram com o tempo.
Pudesse eu beijar o mar em que vives,
passar no tempo que passas.
Viver apenas, contar desgraças,
deste ser que nunca morre.
Apelei a teu ser o dom do amor,
vivo para amar as pequenas coisas,
nessas mesmas coisas encontro dor,
vivo pois, para mudar as coisas.
Uma vez eu poeta disse em tom de desprezo, tudo o que sou e me mantém preso é a escrita que escrevo. Se por ventura o sol desafiar a lua. Assim como desafio a poesia, tudo o mundo mudará, será a noite o dia e o meu mundo desaparecerá.
Muitos queriam ser a poesia,
que outrora, um dia, trazia,
no tempo em que fazia,
poesia, acabava e aplaudia.
Uma vez eu poeta disse em tom de esperança, com atitudes negativas este nosso mundo não avança. Esse poeta grava lembrança, está ciente da mudança. Este poeta hoje cresceu e deixou de ser criança.








Este amor cego
Sufoca-me amor.
Melhor. Afoga-me no teu leito.
Leva este jovem escritor,
para o teu mundo perfeito.
Marca meu corpo.
Melhor. Marca a minha alma.
Sem ti eu dou em louco,
amor minha morna calma.
Faz-me sonhar grande.
Melhor. Dá-me o caminho do sonho.
Não encontro por mais que ande,
erro naquilo que proponho.
Aqui sonhando, sonho.
Aqui ficando, fico.
Aqui exponho, expondo.
Este mundo aflito.