Archive for the ‘Poesia’ Category
Não quero um amor assim

Não quero um amor assim. Não quero um amor, que deixou de ser amor na plenitude da palavra e se transformou na centralidade das discórdias. Não quero um amor assim. Não quero um amor que pura e simplesmente não é amor, nem nenhuma das suas vertentes. Não quero algo escasso, quando é tão intenso o que sinto e quanto o sinto, e tão intensa a forma como o pretendo demonstrar. Não quero algo passageiro, quando tudo na minha vida foi uma passagem. Não quero que passes, quero que fiques até ao momento em que a tua presença se torne insuportável… Nunca.
Não quero uma parede de lamentos, quero um porto de abrigo. Quero uma mão amiga quando todas as outras parecem desaparecidas. Quero um abraço quando todos os abraços do mundo parecem escassos. Quero um beijo quando todos se esquecerem de o dar. Quero a sinceridade quando a mentira se tornar uma verdade universal.
Quero a verdade acima de qualquer dor. Quero a conjunção perfeita de todos os sentimentos dentro da palavra amor.
Quero um pouco mais de um mundo, que se cruza com o meu viver. Quero o explorar intenso e incessante de todas as minhas formas de viver.
Não pretendo um amor completo. Pretendo construir cada pedaço do que apelidam amor e no final conseguir perceber o quanto perfeito o tornei. Não pretendo ter tudo, pretendo construir um tudo. Não quero gritos, prefiro sussurros. Não quero brigas, prefiro retaliações.
Não quero tudo aquilo que vejo diariamente, num mundo que não ama eu só desejo ser diferente.

Passei por ti amor, não pensei, não percebi, que embora não te falando, iria ouvir falar de ti. Vi como que de relance, algo que de ti não pensei, como seria possível tal rainha, viver sozinha sem seu rei. Não pensei, nada penso quando cruzo em teu olhar, Deus encheu-me de capacidades que a teu lado não consigo utilizar. Somem-se as palavras, que raio de escritor poderei eu ser, se perante a tua imagem nada consigo escrever. Ficam os bocados de mim, sentados à espera de ti, o amor pelo qual passei e não percebi.
Liricamente Falando

A chuva é derramada lá fora.
Se a totalidade do sentimento que experimento e carrego, fosse um oceano, não entornaria qualquer gota, com medo de perdê-lo.
Com medo de perder tamanhos abraços de um futuro que no passado se perdeu. Eram apenas metáforas e ironias que na visão de quem ama, se confiavam ser apenas um exagero do que se sentia. Tão exagerado parecia o sentimento. Manteve-se. Sofreu. Morreu. Várias vezes consecutivas.
No calor da minha sala, sinto o sabor da tua presença. Em cada brasa da lareira, vejo o calor de cada um dos teus toques, que tendem a arrepiar o meu coração.
O calor que esta emana nada é comparado com o calor do teu abraço, o gosto do teu toque e a vontade do teu amasso.
O teu beijo é como o tocar de um anjo, é como sentir mil e um sentimentos derivados de uma só experiência. Gostava de conseguir ser um escritor, digno de descrever tamanho sentimento sentido assim que os teus lábios consomem os meus, mas faltam-me as palavras. Não sei se o mesmo em ti sucede. Não sei se à minha semelhança, também tu percebes que nunca havias experimentado algo tão doce e que preenche-se de tal forma o teu coração, como acontece comigo. Como outrora haveria acontecido mas nunca com a intensidade que no presente experimento.
Como digo vezes sem conta:
Eu tenho por costume falar muito, mas existem pessoas que pura e simplesmente me deixam sem palavras.
Existem ainda pessoas que levam esta minha expressão ao extremo. Deixam-me completamente sem palavras que tento suplementar com gestos ou simplesmente com os meus olhos de “cachorro abandonado“. Existem sentimentos que pela sua magnitude possuem o mesmo efeito e nos deixam exatamente no mesmo estado.

Sentimentos indescritíveis, é o que sinto por ti
um sentimento em ascensão desde o dia em que te conheci.
A partir do dia em que te provei,
cresceu em mim a certeza que apenas eu sei.
Cresceu a certeza que vivo para amar a indiferença, sem desistência,
porque amo apenas o ser, sem olhar à aparência.
Amo, como ama o amor,
sinto como um apagar de dor,
sinto a presença como algo novo a se sentir,
sinto a ausência do teu beijo e o medo do teu partir.
Vejo voar palavras que vão tingir o meu caderno,
uma conjunção de um céu, que veio substituir o meu inferno.
Um misto de prazer que veio retirar toda a minha dor,
uma vontade suprema de finalmente sentir o amor.
Não te faço prometas, porque não se trata de prometer, mas de fazer vencer. De lutar para querer e de no final não chorar por não ter. Não te prometo o mundo, porque nem eu próprio o consigo atingir, não te prometo sentir tudo mas mostrar-te a forma de eu sentir. Não te prometo dar-te tudo, mas fazer valer o todo e pouco que te irei dar, fazer-te ler em cada uma das minhas palavras a forma do meu amar.
Não te prometo um sorriso eterno, porque muitas vezes este se desvanece, mas prometo não esquecer o teu esforço que nunca em mim se esquece.
Não te prometo ser mais, porque muito mais em mim serei, prometo tratar-te como rainha mesmo eu não sendo um rei.
Apenas nada te prometo, querendo te dar um pouco de tudo, por momentos deixo-te no silêncio, lembrando-me desse teu sorriso que me deixa mudo.
Num olhar apenas

Num olhar apenas,
é possível guardar vidas, guardar esquemas.
Num olhar apenas, que a alma transparece,
que o sorriso não esquece,
as suas transmissões serenas.
Num olhar guardo vida,
guardo a entrada e saída.
Guardo o que quero dar a descobrir
e guardo lágrimas que nunca irão cair.
Guardo sentimentos que não mostrarei,
outros que não quero mostrar,
pessoas que não amei,
alguém que vivo a amar.
Num olhar apenas,
naquele em que te vejo morar,
prometo nunca chorar,
para nunca te largar.
Dia dos Namorados

No seu ar frágil, singelo e despido,
representava, montava, dentro de seu vestido.
Com um toque de brilho, no seu rosto quente,
a pequena criança, que não se via por entre a gente.
Num sorriso não visto, numa palavra não dita,
num verso outrora escrito, que outra hora permita.
Numa canção que não cantei, ao jogar no teu olhar.
Um beijo que não beijou, e ficou por se dar.
Perdido pelo ar, e tu perdida na multidão,
ninguém na meta acerta, no teu pobre coração.
Perdida no vento, tendo o amor em passatempo,
sonhando capturar, tudo isso num momento.
Mas quem espera alcança, e ficas a pensar,
sozinha no teu pranto, à espera de algo mudar.
Mas quem luta tem, e quem não luta perde,
de uma menina bonita, que muito quer mas não se atreve.
Palavras

Palavras seladas,
esquecidas,
rasgadas.
Palavras sentidas,
feridas,
marcadas.
Apenas palavras, que no vento se entranham.
No ouvido de alguém, entram, se estranham.
Palavras no tempo, que de momento contenho,
e que solto com engenho, cada vez que intervenho.
Em palavras não brinco,
neste minha arte,
com palavras eu pinto,
um poema em parte.
Com palavras cresço,
faço outro ser crescer,
já não sei o quanto meço,
por favor, faz-me ver.













