Archive for the ‘Desabafos’ Category

Dezembro 23rd, 2009

O mais extenso desabafo

Slowly by monislawa O mais extenso desabafoOlho à minha volta, nem um crepúsculo se move, a minha face fica molhada em cada lágrima que em mim chove. Percorre todo o meu corpo e caí negra no chão, sou como carga de tinta negra e sem coração. A caneta com que pinto é indecisa e imprecisa, dou de mais recebo de menos, não percebo o resultado desta divisa. Nunca fui bom em contas mas já fui o melhor a amar, perfeito, inegualável mas a igualdade acabou por me apanhar. Só de pensar em amar… não sei se voltarei a ser capaz, neste mundo cheio de guerra eu tento viver na minha paz. O mundo está cego toda a gente quer obter prazer, os corpos agora são cedidos já nem se pensa em vender. É complicado e magoado tento encontrar um amigo verdadeiro, que não receba mais do que dá mas que dê tudo por inteiro, que não venha por interesse ou por tesão e prazer, porque eu não como carne em vias de apodrecer, não sou como os outros já me iludi um jogo de pernas, agora sou diferente por ignorar várias cavernas. Há quem desça baixo e ao descer só se mostra a tanga, cabra manipuladoras não serei mais o às da vossa manga. O meu telemóvel novo esse já tem aranha, com tanto tempo sem tocar até já o pó se entranha, o pagamento mensal permite-me continuar a falar com os fantasmas, em horas perdidas demasiado pasmas. Quando não escrevo choro porque tenho medo da solidão, varia gente sabe disso mas será que alguém me estende a mão? Não, não quero obter resposta, não consigo viver com uma pessoa que só fala quando está bem disposta.

25dd00815503969a5a12149f279a973f O mais extenso desabafoO discurso já vai longo mas a caneta não me deixa descansar o caderno não se fecha enquanto não acabar de desabafar. Então prossigo com o coração como guia, pergunto-me como consigo viver tendo a minha alma tão fria, terei alma ou será apenas imaginação, às vezes chego a questionar-me se terei coração. Desde que te perdi não o sinto a bater, os desabafos tornaram-se diários tal como a vontade de escrever. Tou imparável mas não quero o meu coração parado, posso nunca mais te ter mas bastava um amo-te para o manter acordado, as lágrimas voltam mas não serão capazes de me deter, nem a morte e toda a vontade de desaparecer. Posso viver à parte mas nunca viverei à parte de ti, porque continuas a ser a melhor pessoa que conheci, vou sempre te amar pois é impossível te arrancar, mesmo estando com alguém és tu quem vou desejar. Jurei-te amor eterno e meu coração está guardado, eu vi, por mais que tenha outro alguém é bom que se habitue a ti. Agora dedico a vida a escrever e a cantar, inspiração não tenho mas o vício tem de se matar, isto é uma droga e eu estou mais que viciado passam horas sem escrever e começo a ficar ressacado, é tramado mas jurei queimar até ao último neurónio da minha mente se à coisa que evito é viver num estado dormente.

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Oiço vozes que a escuridão me quer transmitir, sentimentos que pessoas não sentem mas teimam em mentir, na minha caixa agora aberta, a solidão vêm-me cumprimentar, eu abro a porta e peço para esta se sentar, esta agradece e diz que me conheça de algum lado, eu respondo afirmativo dizendo que sou retornado, estica a mão e toca no meu coração, o ambiente aquece e faço amor com a solidão. No final de 9 meses esta regressa com menina que é beleza, e disse com um sorriso a nossa filha chama-se tristeza. Uma lágrima corre no meu rosto de momentos de saudade, pego a tristeza nos meus braços e bebo um chá com a felicidade.

Outubro 18th, 2009

O meu cansaço

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Passei a noite contando as horas, que criavam o meu cansaço, o meu corpo esse… Já não existe, parece morto. Tudo parece ter morrido, tal como a minha força de sequer me levantar para encarar um novo dia. Sinto meus ossos rangerem, numa mecanização interna que mais parece uma velha fábrica em degradação. O trabalho faz a força, mas também traz a dor. Fiz isto tudo por ti sem sequer reclamar, pois gosto que mesmo que seja por breves instantes sintas algum orgulho em mim.

Hoje trago a dor da procura de orgulho de ontem, e ainda terei o gozo estampado no teu rosto, por me ver sofrer. O que ganhei com isso? Mesmo que tenha o teu orgulho por minutos, no dia seguinte tudo voltará a ser igual e o sofrimento, de aos teus olhos ser apenas um rapaz que nada faz irá continuar.

Do que vale dar tudo o que tenha, para uma pessoa que teima em ver isso como um nada?

Setembro 19th, 2009

Sendo não sendo

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Sinto-me vivo morto, neste mundo grotesco, sou as marcas de uma pintura num cenário pitoresco. Sinto-me alegre triste, com motivos para viver morrer, sinto-me a saltar cair, sinto-me a querer não ter. Tudo o que sinto é verdadeiro falso, muitas vezes falso verdadeiro, muitas vezes não percebo as coisas incompletas por inteiro. Meu pensamento é concreto e confuso ao mesmo tempo, a minha alma é morta viva, ansiando por teu sustento. Eu sou apenas eu o que não sou mas serei, súbdito para uns, enquanto que para muitos sou o rei.

Setembro 19th, 2009

Sinto-me

Sinto-me a ruir, os meus ossos a partir, tudo em mim parece partido, embora vivo e forte, tudo em mim parece fraco mas forte como a morte. Sinto-me a ceder, tudo em mim é alegria e ao mesmo tempo tristeza, tudo é incerteza é feio mas tem beleza. Sinto-me a ruir, todo o meu corpo é uma ferida, sinto-me a ruir e meto um descanso na minha vida.

Setembro 19th, 2009

30 Minutos

30 minutos, 30 segundos, uma decisão
o mundo corre ao contrário nesta confusão
tudo parece invertido, trocado e torcido
todos queimam a lenha ninguém tem um motivo.

Porque todos correm se são aleijados
estamos todos calejados, partidos, empenados
nada do que fazemos será o correcto
tudo o que fazemos é demasiado discreto.

O mundo já não se compreende e a culpa é de quem o cria
no meio de tanta merda, eu não quero entrar na fatia
a musica vai a meio e eu com tanto por escrever
as palavras não saem tão depressa como queria o meu querer!

Tudo em mim é espontâneo e sai do coração
não preciso de guiões, minha escrita não tem comparação
não preciso de dicionário para expressar o que sinto
muitos pensam que não sou, outros pensam que minto.

Gostava de escrever mais mas a musica acabou
o beat foi-se e com ele a inspiração levou.

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