Desabafos « Vigilante, o Poeta Vigilante

Archive for the ‘Desabafos’ Category

Março 22nd, 2012

Comemorar a vida

comemorar a vidaPorque? Porque razão e sem noção nos invade a apatia. Porque razão, nos imunda de um sentimento de impossibilidade quando na verdade tudo é possível. Como fazes vida para nos oferecer tudo e de um momento para o outro nos retirares a perspicácia para perceber o que temos e a sorte que temos em o ter.  Como fazes?

Deveríamos comemorar a vida, mas parecemos tão ocupados com o que não temos que esquecemos de valorizar tudo o que nos pertence. Tudo o que lutámos por ter e tudo o que ainda se encontra ao nosso alcance. Temos todo um mundo e uma vida à nossa frente e à distância de um gesto. De uma ação e quem sabe de uma atitude.

Comemorar a vida é essencial como essencial é viver, como essencial é saber e como essencial é aprender. Viver por viver só se resume a uma passagem e querer sem ter é realidade e não miragem…

Janeiro 7th, 2012

Por entre palavras calmas

Por entre palavras calmas não me consigo encontrar, sinto-me perdido num mar de palavras, no qual não sei navegar. Nas palavras que me formam, perco-me no toque da sua essência e encontro-me de modo incessante no fundo da minha consciência. Perco-me novamente, como se fosse próprio de mim nunca me encontrar, ou simplesmente ignorar completamente a força que me faz andar.

Vivo em palavras e apenas em palavras eu me sei perder, construindo vários castelos para um dia me poder esconder. Quero viver em palavras, mas por vezes não sei o que dizer, as palavras parecem sumir-se à medida que as tento escrever. O papel fica em branco e as palavras deambulam à minha frente, escrevo na esperança de igualdade e obtenho um resultado diferente.

Rendo-me em palavras e sem palavras não o poderia fazer, com as palavras crio pensamentos que muitos outros irão ler.  Sem palavras muito falta, falta até me completar, falta descrever quem eu sou e uma forma de me encontrar. Com os passos que descrevo e que vou marcando o caminho, deixo palavras para trás para nunca me sentir sozinho e há medida que o faço, vou sendo um pouco mais eu, vou procurando ser poeta que nas palavras morreu.

Dezembro 12th, 2011

Não vamos confundir as coisas, sim?

Vamos por os pontos nos “i’s”, mesmo que tenha apenas usado um, acho crucial que tenha de ser feito. Por várias vezes já me debrucei neste meu site pessoal, sobre erotismo e sobre pornografia. Esta ciente na minha mente, mas continua a fazer confusão na mente de certas pessoas quando se diz que estes conceitos não vivem “lado a lado“. Não vivem sequer na mesma casa, vivem apenas juntos nas mentes das pessoas mal resolvidas em termos de sexualidade que não conseguem distinguir duas vertentes tão distintas.

Como também já referi aqui muitas vezes, sou completamente contra a pornografia na literatura! Todos sabemos que as palavras possuem um poder imenso, quando bem usadas, acredito assim e por essa mesma razão, que devam ser usadas da melhor forma e de forma precavida. O que partilho neste meu site muitas das vezes, são textos da minha autoria (obviamente), de cariz erótico e nunca a tender para recordações de sexo sem substância.

Sou um eterno fan da literatura erótica, tanto da escrita como da leitura. Toda a escrita é uma arte que deve ser tratada como tal. Que deve ser limada. Que deve ser explorada até ao mais ínfimo pormenor, afim de se encontrar a aresta perfeita que trará a combinação mais requintada. Não devemos tratar a escrita como lixo, apenas pelo simples facto de podermos escrever tudo o que a nossa cabeça oca pretende magicar.

Temos o poder da escrita e com ela um mundo podemos criar. Um mundo podemos ter. Um mundo podemos matar. Temos o poder da escrita e a forma de o fazer viver. Temos o poder da escrita e sem nós ele acabará por morrer.

Novembro 26th, 2011

Não quero um amor assim

Não quero um amor assim. Não quero um amor, que deixou de ser amor na plenitude da palavra e se transformou na centralidade das discórdias. Não quero um amor assim. Não quero um amor que pura e simplesmente não é amor, nem nenhuma das suas vertentes. Não quero algo escasso, quando é tão intenso o que sinto e quanto o sinto, e tão intensa a forma como o pretendo demonstrar. Não quero algo passageiro, quando tudo na minha vida foi uma passagem. Não quero que passes, quero que fiques até ao momento em que a tua presença se torne insuportável… Nunca.

Não quero uma parede de lamentos, quero um porto de abrigo. Quero uma mão amiga quando todas as outras parecem desaparecidas. Quero um abraço quando todos os abraços do mundo parecem escassos. Quero um beijo quando todos se esquecerem de o dar. Quero a sinceridade quando a mentira se tornar uma verdade universal.

Quero a verdade acima de qualquer dor. Quero a conjunção perfeita de todos os sentimentos dentro da palavra amor.

Quero um pouco mais de um mundo, que se cruza com o meu viver. Quero o explorar intenso e incessante de todas as minhas formas de viver.

Não pretendo um amor completo. Pretendo construir cada pedaço do que apelidam amor e no final conseguir perceber o quanto perfeito o tornei. Não pretendo ter tudo, pretendo construir um tudo. Não quero gritos, prefiro sussurros. Não quero brigas, prefiro retaliações.

Não quero tudo aquilo que vejo diariamente, num mundo que não ama eu só desejo ser diferente.

Passei por ti amor, não pensei, não percebi, que embora não te falando, iria ouvir falar de ti. Vi como que de relance, algo que de ti não pensei, como seria possível tal rainha, viver sozinha sem seu rei. Não pensei, nada penso quando cruzo em teu olhar, Deus encheu-me de capacidades que a teu lado não consigo utilizar. Somem-se as palavras, que raio de escritor poderei eu ser, se perante a tua imagem nada consigo escrever. Ficam os bocados de mim, sentados à espera de ti, o amor pelo qual passei e não percebi.

Outubro 31st, 2011

A vida não é feita de planos

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A vida não é feita de planos, pois até o plano mais bonito e consistente pode cair por terra. Nada é certo e sobretudo nada nos é garantido. Tudo requer luta. Requer empenho e por vezes uma sanidade mental que nos desafia através da razão e do coração. A vida é estranha por natureza e todos lidamos e a encaramos com a mesma de forma diferente. Por vezes da forma mais incorreta ou até correta demais que nos impossibilita de sermos felizes mas nos garante que seguimos o plano.

A vida é incerta porque um simples acontecimento pode mudar tudo o que até agora conhecemos como certo. Uma simples acontecimento pelo facto de ser imprevisível e poder ou não acontecer transforma a vida num mar de possibilidades que nunca serão exploradas ao seu extremo. Nesse facto reside a magia da vida e toda a sua complicação que várias vezes nos leva pelos caminhos mais tortuosos.

Tudo o que nos acontece quer queiramos ou não sofre uma reflexão da nossa parte. No fundo formamos várias teorias que acreditamos ou tentamos acreditar que possam explicar uma infindável coleção de acontecimentos, mas isso não se verifica. Vão existir sempre coisas na nossa vida que por mais que tentemos conseguir explicar apenas compreenderemos no silêncio. A vida é toda ela feita de vários silêncios.

Vivi constantemente sem tentar perceber esses mesmos silêncios e as palavras que estes mesmo escondiam. Na atualidade vivo tentando viver mais de acordo com a vida sem no fundo a tentar perceber. Porque perceber demasiado o porque das coisas e a razão por que acontecem é quebrar esta magia e quebrar a magia da vida é no fundo deixar de viver.