Minha caixa mágica
Acerquei-me da estranha imagem, estranha mas perfeita, e sozinho na rua, sem mais ninguém à minha volta, usei-a como objeto de desabafo, dizendo…
Eu, este ninguém que vagueia em nada, encontra-se hoje sozinho. Já tive muita gente… Minto! Já muita gente me teve, sinto-me como tu, um objeto, banal que toda a gente usa e ninguém tem o cuidado de tratar e dar carinho. Somos isso objetos deste mundo cruel, que apenas segue em frente, sem nunca parar ou esperar por quem fica para trás. É triste… eu sei. Mais triste ainda é ninguém me ouvir, olha para mim… Pareço louco, falando para ti, uma imagem, nada mais que uma imagem. Que mundo é este em que vivemos? Que já ninguém ama, já ninguém sabe o que é amar. Chega, meu coração já foi tão espremido que já não contem qualquer réstia de amor… Porque? Ninguém me compreende. Sou um sobrevivente, do que eu acho que é amar, saberás tu o que é amor para me citar?
Amar… O que é amar? Não te consigo dizer, definir ou precisar, mas sei que amas. Já estou aqui à anos, nesta mesma rua, durante todos esses anos, ninguém parou para reparar o que faço ali, ninguém deu uma réstia que seja de atenção, e tu, tu deste. Desabafas-te comigo, deste-me vida, fizes-te de mim importante, e deste-me força para ser o que nunca fui… alguém! Como te disse não sei o que é amar, mas sei que te amo. Meu coração palpita forte, meus olhos perdem-se em teus, meu corpo desespera para sentir o sabor do teu, meus lábios esses resistem à tentação de beijar os teus. Amo-te.
As resistências foram quebradas, os lábios se tocaram, os corpos se fundiram, os corações se ligaram, sem medos, sem insegurança, sem vergonha, ninguém ligava, ninguém ligou, apenas eu, apenas nós. Caí por ti, ainda bem, faz-me cair novamente. Amo-te e amarei-te para sempre.














