Bola de neve

Neve gélida, que sobre meu rosto cai desamparada, abrigada dos males do céu, na nossa terra, na nossa rica terra se encontra descansada. Trazes o pânico, mas como é belo o teu recear, o som que gritas e gemes à medida que o nosso mundo te tenta pisar. O teu branco é puro, como puro é o reflexo em que me reflito, todo o mundo anda adormecido pois ninguém atingiu o teu grito. Gostava de me confundir em ti, nesse branco renascer, as tuas linhas são perfeitas, delimitadas, bem formadas, mulher…
Ninguém poderá denotar o teu espanto se não guardarem tempo para te mirar, meu anjo, morro de espanto, apenas por te observar. Gostava de te abraçar mas morro, sim morro da tua frieza, esse teu baloiço emocional arrebate em mim qualquer certeza. Porque és tão fria… Porque nem tudo em ti é certo, junto a ti me envergonho no mundo que me crias-te incerto.
Por isso dou passo entre passo a tentar encontrar uma guia, como posso amar-te de coração quente se a tua face é tão fria?
Tenho perguntas que escrevo em tua pele, não esperando obter resposta, porque tanto silêncio se a tua sombra já me foi exposta. Entrego-me a ti, mas tu simplesmente não queres saber, mesmo assim te escrevo, mesmo sabendo que nunca me irás ler.
É assim a vida de um poeta que nasceu para amar, mas se ninguém o conhecer o que adianta viver para falhar…
5 Responses
Muito lindo…Já se tornam repetidos os meus comentarios, mas o que eu posso dizer mais?
Parabéns =D
Simplesmente fantastico…
Obrigado a todos pelos comentários. Agradeço todo o apoio que me dão
eu gosto muito dos teus textos porque encontro sempre algo com que me ligar, encontro sempre algo que possa ligar ao meu presente, ou até ao meu passado.














Muito bom o texto.
Parabéns