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Archive for Setembro, 2010

Setembro 30th, 2010

Querida

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Querida. Como são lindas as palavras que ecoam no silêncio da própria vida. Embora poucas. Embora curtas. Moldadas na perfeição da verdade. Como é bela a pureza da sinceridade, mesmo que o fruto não seja belo. Assim tudo fica transparente, e assim me via à tua frente, inundado num sentimento inocente. Sem palavras, parecia que os olhos cruzavam uma discussão aberta sobre a temática do amor. Quem sabe.

Não sabia, nem sei. Fiz, não pensei. Tentei e errei, tive medo e recuei. Mas depois proferi, e tudo deu certo, o que antes era medo, agora ficou deserto. Confesso, não me considero bom, o inverso, esta minha negatividade que me faz pensar disperso. Mas no inverso, consigo ser bom ao ponto de soltar o sorriso, trazer a felicidade no teu rosto, é tudo o que preciso.

Guardei tão belo momento no que chamam de coração. Encheu-o. Pensei no que sucedeu, sorri e encheu ainda mais. Existe algo em ti de uma perfeição que nem eu consigo gesticular em palavras. Existe algo em ti que não é apenas teu, mas que mora também no meu coração. Existe algo em ti que me faz amar o que amo e querer o que anseio ter.

 

 

 

Setembro 26th, 2010

Histórias de embalar

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Abri a minha mente e de repente parece vazia. Há medida que progredia, parecia não ter sentido naquilo que via. Olhei , e em redor pensei, o que iria escrever. Depois parei. Pensei. Escrevi. Escrevo enquanto oiço minha mãe brincar com o meu cabelo. Escrevo enquanto a televisão faz um barulho mais alto que os meus pensamentos. E mesmo assim escrevo.

Segundo alguém sou coisinho e não tenho grande definição, ao longe de todo o dia mudo 3 vezes de atuação. Mas atuo. Mas vivo. Mas escrevo. Por vezes nem é preciso ter algo de importante para dizer, mas apenas dizê-lo. Por vezes nem sei o que deva escrever, mas apenas escrevo.

Por vezes é preciso dizer sim e avançar. Por vezes é preciso dizer não ao passado e conformar-se com o futuro. Por vezes é preciso ouvir o que a razão tem a dizer. Por vezes é necessário dar razão à própria razão, para perceber que a razão está correta.

Por vezes nem faço sentido e acabo apenas a desabafar, por vezes sou apenas o coisinho que vos vem aqui falar.

Setembro 22nd, 2010

Solidão nas palavras

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Gosto de passar a rua,
cruzar uma cara que é a tua,
saber que não te conheço
mas que alguém me conhece.

Detesto a solidão
que me afeta entristece,
gostava de aprisionar sua razão
que me mata, enlouquece.

Tanta cara que passa
me trespassa e continua.
Tanta face que fica
tanta vontade despida e nua.

Tanto desprezo, indiferença,
gente querendo ser grande sem ser, paciência,
que se esgota rebenta,
deixa minha alma atenta,
para a indiferença da vida.

Pudesse ser eu solidão.
Pudesse eu amar sem coração.
Pudesse eu não amar.
Pudesse eu não te querer abraçar.
Pudesse eu querer.
Pudesse eu finalmente morrer.

Setembro 17th, 2010

Amor

Nós apenas exteriorizamos a dádiva do amor, por ser tão exíguo o espaço que o nosso coração dispõe para recolher a totalidade dos sentimentos.

Setembro 10th, 2010

Que és tu?

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Gozo o pesar da chama que agarrava meu corpo. Detenho saudade e vontade de acariciar a impressão, que me confeciona a planear, que um fragmento do céu seja só teu. Um fragmento do mais cerúleo, do mais refulgente céu, para a mais radiosa estrela que povoa a terra. Estranho o afeiçoado astro que te desvendou o trilho deste planeta. Estranho igualmente quem de tão sublime completou, e se concluiu em algo ainda mais belo. Que és tu?

És o que a terra outrora idealizou ter, mas que faleceu sem ver. És a ascensão do devaneio que à noite fruo, e por entre suas missivas tento aprisionar como real. Poderia morrer, na insaciável briga de ter, o que o cosmos guarda de perfeito. Que és tu? Se na perfeita demanda que trago, te distinguisse repetidamente, te pegasse e te tocasse, te beijasse, te tivesse e saciasse, aí! Que és tu?

Morro. Para te defrontar novamente eu faculto meu coração. Desato cada vértebra amorosa, cada consciência de amor, minha diminuta rosa, estou determinado a ter-te.

Será pedir demais, a consciência da perfeição plena, na inconsciência da posse não plena deste ser não perfeito? Que és tu? Que me fazes querer desafiar a própria lei, que me prende a este mundo terreno e me cega pelo amor que emanas.

Quem és tu? Me amas, me matas, me dás vida. Quem és tu? Abraça-me e da tua carne dá-me o essencial para a ferida. Quem és tu?