Archive for Julho, 2010
Um ponto final
Alguma vez sentiram o que é ser um ponto final esquecido numa grande história? Eu senti. Sinto a dor da saudade, porque mal toquei a chegada. Mancho o chão de lágrimas ao longo da estrada da minha vida. Curei, tentei, reforcei a ferida.
A vida é injusta para quem a tenta levar da melhor forma. Talvez devesse escolher algo que me afaste do sofrimento e da indiferença. Amigos. Se por um esforço os amigos se provam, nada ficou provado.
Tudo ficou manchado com as lágrimas que hoje tenho. Todo o meu esforço morreu junto com o meu empenho. Agora fico, fico a ver o poeta chorar. Assim irei morrer, no caderno a desabafar.
O que eu tenho
Mataste a minha ambição ao dizer que não a tinha. Tenho mas não a consegues ver, nem sequer teu ser adivinha. Tudo o que faço é zero, aos teus olhos nada faço. Aos teus olhos serei e sou pobre, minha vida é fracasso. Troquei o ouro da moeda pelo sorriso de um coração sincero. O que isso para ti? Nada. Zero.
Idealizaste algo que não sou, um caminho que não sigo, deixa lá, sei aquilo que sou nem me chateio contigo. A vida está difícil e a minha perdida por completo, tenho pena que não sobreviva a escrever meu ser completo.
Eu vou conseguir algo e depois o teu sorriso venceu, pena que não saibas que parte de mim morreu. A minha princesa, por vezes acha-me louco, nem sei como me achar, só sei que te amo e não te quero deixar.
O que eu tenho… Tenho é de ir trabalhar, empacotar os sonhos e deixar de sonhar. E por agora fico, fico a ver-me chorar, fico a ver a merda que acabei por criar.
Se
Se todo o mundo que edificar perante meus olhos desaparecer, desvaneço. Apagam-se meus olhos. Obscurece meu coração. Apaga-se cada palavra. Ofusca-se a emoção, desaparece tudo. O que resta então?
Se tudo o que é real em mim morrer e ficar apenas nada. Se o sol não nascer, para por fim à madrugada. Se me achar sozinho, na noite a viajar a grande estrada. O que resta então? Nada.
Se o total que tenho, dividido for nada. Se realmente caminho sozinho na estrada. Se tudo o que tenho, acabar por desaparecer. Se tudo o que tenho é esta vontade insana de escrever.
Então se for que seja. Se tiver que ser, que seja agora. Eu quero voar. Eu quero escrever e a escrever amar. Eu quero. Eu tenho. Eu desespero. Porque no jardim da minha vida, não gosto de viver em zero.
Hino ao amor

Inês hoje escrevo-te palavras que guardei para um dia te poder dar. Chegou o dia em que não conseguia mais aguentar. Tenho dentro de mim palavras que por tão perfeitas nunca apareceram, tenho sentimentos nunca vistos, já sentidos que nunca desapareceram. As palavras não são gestos, nem os gestos são palavras. Mas os gestos que gesticulo, as palavras que articulo, matam-me em mim próprio, cravam um furo que vai direito ao coração.
Com a tua chegada,
tive de ampliar meu coração.
Era tanto o amor que me propunhas,
tão pouco o espaço de arrumação.
Aumentei.
Tentei.
Pensei.
Amei.
Não me arrependo, tudo o que passei.
Cada um de nós é um alpinista que tenta escalar a montanha do amor, esse sentimento que nos rebate, ame e põe de parte, cada réstia de dor. Gostava que minhas palavras saíssem diretas do coração, para veres como ele fala e sofre de paixão. Amor. Amor. Gostava de saber quem te descobriu, como foi o primeiro olhar, como e tudo o que sentiu. Porque não guardou em coração fechado tudo aquilo que viu, talvez o amor fosse imenso algo que nunca antes sentiu.
O amor não merece um hino, merecia sim um livro infinito, já tentei pegar o amor e solta-lo num só grito. Não consegui. Voltei a pensar. Pensei não ser possível amar. Apareceste. Me amas-te, me cegas-te. Me tiveste e tens, me amas e eu a ti, te amo e sinto o amor que nunca vi.
Gostava de transformar as minhas palavras num beijo, para poder beijar teus lábios e transformar o seu sabor em poesia. É impossível ter amor de tantas formas e um coração tão pequeno para o sentir. Por vezes sinto o amor imenso, sinto meu coração querer explodir. Por mais doloroso que seja, por mais que seja a dor, se há uma forma boa de morrer, por certo, será morrer de amor.
Poderia passar o mundo e deliciar-me nas linhas do céu, mas o mundo é efémero, e o céu é infinito e o meu mundo és tu. Podia então rasgar um pouco do céu para te mostrar meu mundo que ele não é tão grande como tu. Poderia ainda rasgar um pouco de mim para te oferecer, mas nunca rasgar o meu mundo para oferecer ao céu…
Queria escrever o amor que sinto, proclamo e pinto sempre que tento escrever, podia ver para além do que sou, pegar no coração e reescrever. Queria inverter tudo o que é lei, superar todos os segredos de uma paixão, queria viver sem respirar para poder oferecer meu coração. O meu amor não troco, porque a forma como amo só eu consigo amar, nada consegue amarrar este amor que sinto ou faze-lo acabar.
Isto é um hino ao amor que sinto por ti, a rapariga mais perfeita que conheci.













