Archive for Junho, 2010
Eu poeta

Formei palavras para encantar parábolas,
peguei em frases e construí fábulas.
Antigas construções, que mantive em pensamento.
Frases nunca ditas, que morreram com o tempo.
Pudesse eu beijar o mar em que vives,
passar no tempo que passas.
Viver apenas, contar desgraças,
deste ser que nunca morre.
Apelei a teu ser o dom do amor,
vivo para amar as pequenas coisas,
nessas mesmas coisas encontro dor,
vivo pois, para mudar as coisas.
Uma vez eu poeta disse em tom de desprezo, tudo o que sou e me mantém preso é a escrita que escrevo. Se por ventura o sol desafiar a lua. Assim como desafio a poesia, tudo o mundo mudará, será a noite o dia e o meu mundo desaparecerá.
Muitos queriam ser a poesia,
que outrora, um dia, trazia,
no tempo em que fazia,
poesia, acabava e aplaudia.
Uma vez eu poeta disse em tom de esperança, com atitudes negativas este nosso mundo não avança. Esse poeta grava lembrança, está ciente da mudança. Este poeta hoje cresceu e deixou de ser criança.
Apenas tu e eu
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Apenas tu e eu. Um tempo que capturei como meu. Uma chama de um amor que arde, renasce e não ardeu. Gosto de capturar pedaços em teu corpo, para te sentir mais perto. O calor que me queima e alimenta, a água em meu deserto. Queria por certo, querer, tentar, prender. Queria apenas ter, a tua forma de ser mulher.
Não digas não, apenas por dizer tentar fazer. O que te mostro, demonstro, está retratado no teu próprio ser. À medida que navego em teu corpo, encontro a resposta no teu gemer. E vejo as quatro letras do amor patentes, no teu sentimento de prazer.
Toca-me.
Sufoca-me,
no teu prazer.
Consome.
Assim me tome.
Faz acontecer.
Apenas tu e eu. Poderia contar mil histórias que o teu toque me faz criar. Podia contar a história do teu beijo, o que segreda ao beijar. Falei com os teus lábios eles me convenceram a te amar. Falei com teus seios, que por entre mil receios decidi tocar. A tua suave pele, não repele tudo o que sinto, digo com vontade e sem medo que isto é tudo o que pinto. No teu corpo sou pintor e quero pintar a melhor tela, aprisionei o meu amor e o teu juntos numa cela. Quero consumir-te neste inferno, neste inferno de amor, em conjunção com prazer, sexo e pouca dor.
Jardim da minha vida
No jardim da minha vida, há uma flor destemida. Também alguns espinhos, por mais que pequeninos, causaram ferida. Nesse jardim de aparências, eu cultivo o amor. Uma retribui. As outras causam e pautam a dor. Não sei porque alimento. Raiva! Tormento. Não sei porque tento. Trato. Alimento.
A bela flor cresce forte, com sorte evitará a morte. As outras vão secando, vão morrendo, vão passando. Pouca sorte.
Cada um colhe o que semeia, recebe o que dá. As flores secas eu mato. A minha morte virá. A flor bela eu trato, faço um contrato eterno. Vou ao céu falo com Deus, peço-lhe para a livrar do inferno.
Se morrer… Eu sei que irei. Quero beijar as pétalas da flor que nunca beijei. Quero tratar do seu amor como nunca tratei. Quero amar alguém como nesta vida nunca amei. Quero. Peço. Desespero. Eu espero. Eu quero. As flores secas… São pó. São zero.
Mini Férias

Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de passar férias em Aveiro. Este ano fui mais cedo e fiz umas mini-férias (Sexta a Terça feira). Aproveitei o facto de apenas ter exames para a próxima semana. Como sempre fiquei na casa do meu primo e tia.
No início pensei que ia ter um bom dia de praia pelo menos, se bem que não aprecio sequer praia. A verdade é que estava um vento horrível e só na segunda feira consegui ir à praia e o tempo obrigou-me a ficar pouco tempo.
No meio de pesquisas na internet o meu primo encontrou uma mansão de um conde conhecida pela irmandade do ponto z. Um local de Geocaching, isto é um local propício à exploração. No site explicavam que o local era perigoso, que se devia levar galochas e iluminação, porque as grandes descobertas desta aventura eram feitas em túneis. Lá se juntou o grupo e por entre discussões de visitar ou não visitar os túneis lá aconteceu. Para esta aventura o site disponibilizava um texto que servia como mapa.
A partir da Garrafeira de metal
o caminho se inicia molhado
o caminho é sempre a direito
ate que no buraco dos mistérios ficas baralhado
Depois de passar pelo bizarro,
um casco de cavalo abandonado,
vais pelo caminho da direita
é possível que a menos de 100m fiques encharcado
Descobres o templo e tens de subir
até por trás do bicho decapitado
o tesouro acabas por descobrir
na parede falsa bem fechado.
Explora-mos as grandes casas da quinta. Abandonadas. Enormes. Com azulejos ainda perfeitos e poemas espalhados pelas paredes. As casas eram muito bonitas mas o verdadeiro mistério estava debaixo dos nossos pés. Nos túneis. Debaixo de terra.
A entrada fazia-se por uma das casas. Era assustador! Só se via a escuridão e mais escuridão à medida que descíamos até ao fundo das escadas que conduzia ao início dos túneis.
Os túneis eram cheios de lama, barro e água. Nós não levamos galochas. Resultado ficou tudo com os pés molhados. Os túneis ficavam cada vez mais apertados, o que tornava ainda melhor a aventura.
Depois de mais de 20 minutos de lama e água, bem como barro, chegamos ao destino final. Encontramos o templo. Foi aí que todos ficamos de boca aberta. Impressionante!


No fim daqueles túneis estava um verdadeiro templo! E todos perguntávamos como era possível aquilo ter sido construído. Foi simplesmente fabuloso! Tenho também de acrescentar que tivemos muita sorte não estar ninguém naquele momento na irmandade. A irmandade é privada, supostamente. Depois da visita só fiquei com pena, porque no meio de tantas ervas sei que o que vi, com o tempo, vai desaparecer se ninguém se preocupar em cuidar e é uma perda enorme. Ainda estou de boca aberta com esta aventura.
No caminho de regresso ao Fundão, ainda passei por Coimbra para visitar “A quinta das lágrimas“. Tinha boas expectativas em relação ao local, mas na verdade fiquei um pouco desiludido. Talvez volte a visitar no futuro num ambiente mais romântico. Quem sabe tenha outra vista.
E foi assim pessoal. Agora há que agarrar aos livros para compensar o tempo perdido. Até há próxima amigos.
O pensamento que te odeia
Oiço vozes que outrora ouvi. Vejo um rosto que se assemelha ao que outrora amei. Vejo um ser que odeio e odiei. Vejo um mundo que já vivi. Cruzo um pensamento de uma pessoa que já toquei. De alguém que eu já amei. De uma pessoa que acho certa por não ser quem odiei.
Pensamentos. Tenho pena da rapariga que no pensamento odeio e que no cruzamento acho bela. Tento apenas vê-la, tento não pensar nela. Ao ver-te és bela. Ao pensar odeio-te.
Desculpa, por não teres culpa do que teu rosto se assemelha. Desculpa se ao ver-te te acho bela, mas te odeio. Não faz sentido, apenas o poeta o sente, apenas o poeta ama, apenas o poeta mente.
Quero gritar. Quero desistir. Quero continuar. Apenas quero escrever. Quero libertar, quero poder perder e triunfar. Desculpa o facto de o pensamento te odiar.













