Archive for Maio, 2010
Palavras de poeta

Procuro no sonho o que não tenho na terra
a tua presença serena que em apaixona e em mim guerra.
Por um pedaço de ti. Por ti num completo só meu.
Por libertar palavras que o teu coração não leu.
Procuro algo que me complete e arrebate,
todos os sentimentos, que juro manter de parte.
Quero libertar, quero falar com a terra e mar,
quero abraçar o vento e beijar a gota que te fez chorar.
Por vezes choro, o oposto não se atrai mas repele
embora o amor seja tão forte que tente abandonar a minha pele.
Uma palavra que não diga, uma frase fora do lugar,
será tão significante para tudo desmoronar?
Porque poeta? Por vezes apenas analfabeto.
Apenas tento mostrar aquilo que é correto.
Quero juntar-nos ainda mais, quero ultrapassar manias
quero mostrar-te que te amo, mediante poesias.
Fico sem palavras, não sei como te explicar.
Desculpa o que sou, para sempre vou-te amar.
Pequena Escuridão
Fazia frio. Ela fitava, olhava e pensava e por fim falava.
Que verdade é esta que minha mente vê?
Vejo perguntas sem respostas, não percebo porque.
Fazia frio e a pequena rapariga apenas olhava, inocente do mundo sem perceber o que fitava. Mas dizia.
Gostava de compreender o mundo. Que heresia!
Gostava de me compreender a mim mesma. Que bem me faria!
Era confusa outrora, não percebia o presente. Não questionava a existência, uma razão de ser diferente. Não enumerava o certo, vivia consoante o errado. Não procurava roubar a cadeira, o lugar do eterno sentado. Levantava e levantando procurava. E de tanto procurar falou do que não encontrava.
Quem sou eu? Uma caneta me dá existência
sou o produto de um poeta, sou a sua eloquência.
Quem sou eu afinal? Será o fim da tinta a minha morte
sou apenas a criação, um ser apenas no papel forte.
As questões continuavam. E cada questão sua me faz chorar mais tinta. Eu dou vida, mas muita vida morre ao fim de uma palavra. Muitas pessoas em mim nascem, muitas encontram a mente fechada. Pobre mundo o meu, sou criador e destruidor. Amo cada personagem minha sou curandeiro do amor. Sou a morte em cada palavra, meu deus como é mau o meu destino, criar tantas personagens e acabar escrevendo sozinho…
Navegando em pensamento

Fui ao céu. Na minha viagem colhi a mais bela flor, para te oferecer. Não uma simples flor. Não a mais bela. Colhi a flor verdadeira, a mais intensa, mais inteira. Era a flor do amor. Mas na minha jornada fiquei triste. A tristeza invadia-me porque não encontrei uma flor, tão bela como tu. Procurei nos confins do pensamento. Procurei nas entranhas do coração. Mas tudo o que era belo tinha a tua imagem. Nada do que encontrava se comparava a tal beleza.
Fiz um trato com o coração. Pedi-lhe que encontrasse uma flor tão bela como tu. Com toda a simplicidade, com a sinceridade que o caracteriza, disse-me que não existia. Mais triste fiquei.
Fiz um trato com o pensamento. Pedi-lhe para me criar uma flor tão perfeita como tu. Com toda a simplicidade, com a sinceridade que o caracteriza, disse-me que não conseguia. Mais triste fiquei.
Depois pensei na impossibilidade que queria criar. Pensei que fosse como vencer o vento ou o mar. Caí na possibilidade do impossível criar. Cheguei à conclusão de que nada a ti se pode comparar. Sorri. Saí à rua. Saltei. Vivi. Cheguei à conclusão que nada se compara a ti…













