Dezembro 2009 Arquivo « Vigilante, o Poeta Vigilante Vigilante, o Poeta Vigilante

Archive for Dezembro, 2009

Dezembro 30th, 2009

Segredos

Guardo segredos na minha mente, enredos de um passado presente, não procuro ser igual à sociedade, mas liberto da liberdade de poder ser diferente. Ser bom demais seria, se não fosse o que minha mente cogita, mil e uma noites de escrita, guardados numa cassete sem nenhuma fita. Eu não fito, mas várias vezes fui fintado, esperei de pé enquanto me enganavam deitado. Sou com um tiro, um tiro que nunca foi atirado, algo perdido, imaginário, talvez nunca na vida inventado. O meu estado e desejo é de ser amado, poder partilhar aluado o prazer de estar apaixonado. Muitas respostas, mas a pergunta é demasiado confusa, faço uma confissão inclusa, de uma musa que não existe e me recusa. Palavras todas eles constam num dicionário, nem todas as utilizo, porque muito foge ao vocabulário, tal como a vida, que tenta travar comigo uma corrida, e eu perdido neste túnel, peço-te a ti para me mostrar a saída.

Dezembro 28th, 2009

Lágrimas de um nada

http://fc01.deviantart.net/fs71/i/2009/361/c/f/day_old_hate__by_CryingIntoBlackAbyss.jpg

Por mais que espelhe lágrimas, ninguém reflete meu sofrimento
esta dor é motivo de apostas, uma casa de divertimento
toda a gente faz piada porque não suporta a dor
por ti morreria à porrada para manter este amor.

Existe o monstro distância a querer entre nós sobressair
mas também o meu coração que não me deixa desistir
sou como ténis na parede, como boomerang que não regressa
perdi tudo o que tinha e tudo o que não tinha dispersa.

O amor é lindo, já acreditei, agora tudo é conversa
já usei a fórmula do amor, mas a disposição estava inversa
tentei compreender a amizade e acabei sem ninguém
apetece-me chorar esvaziar tudo o que meu coração tem.

Seria fácil demais se não te amasse como amo
mas nunca amei como a ti, não quero nem te engano
tudo o que fiz por ti, repetia até à minha morte
apenas um segundo contigo, já seria uma sorte.

Cheguei ao fundo do túnel e só vejo a luz que não posso seguir
aquela em que estás, mas em que a distância não nos deixa sentir
não importa mais o mundo, desde o momento que saíste
agora não passo de um objeto, um palhaço triste…

Dezembro 23rd, 2009

O mais extenso desabafo

http://fc04.deviantart.net/fs71/i/2011/091/e/7/a_sad_day_by_dragonfly113-d3d0axa.jpg

Olho à minha volta, nem um crepúsculo se move, a minha face fica molhada em cada lágrima que em mim chove. Percorre todo o meu corpo e caí negra no chão, sou como carga de tinta negra e sem coração. A caneta com que pinto é indecisa e imprecisa, dou de mais recebo de menos, não percebo o resultado desta divisa. Nunca fui bom em contas mas já fui o melhor a amar, perfeito, inigualável mas a igualdade acabou por me apanhar. Só de pensar em amar… não sei se voltarei a ser capaz, neste mundo cheio de guerra eu tento viver na minha paz. O mundo está cego toda a gente quer obter prazer, os corpos agora são cedidos já nem se pensa em vender.

É complicado e magoado tento encontrar um amigo verdadeiro, que não receba mais do que dá mas que dê tudo por inteiro. Que não venha por interesse ou por tesão e prazer, porque eu não como carne em vias de apodrecer. Não sou como os outros já me iludi por um jogo de pernas, agora sou diferente por ignorar várias cavernas. Há quem desça baixo e ao descer só se mostra a tanga, cabras manipuladoras não serei mais o às da vossa manga. O meu telemóvel novo esse já tem aranha, com tanto tempo sem tocar até já o pó se entranha. O pagamento mensal permite-me continuar a falar com os fantasmas, em horas perdidas demasiado pasmas. Quando não escrevo choro porque tenho medo da solidão, varia gente sabe disso mas será que alguém me estende a mão? Não, não quero obter resposta, não consigo viver com uma pessoa que só fala quando está bem disposta.

O discurso já vai longo mas a caneta não me deixa descansar o caderno não se fecha enquanto não acabar de desabafar. Então prossigo. O coração é o meu guia, pergunto-me como consigo viver tendo a minha alma tão fria. Terei alma ou será apenas imaginação? Por vezes chego a questionar-me se terei coração. Desde que te perdi não o sinto a bater, os desabafos tornaram-se diários tal como a vontade de escrever. Estou imparável mas não quero o meu coração parado, posso nunca mais te ter mas bastava um amo-te para o manter acordado. As lágrimas voltam mas não serão capazes de me deter, nem a morte e toda a vontade de desaparecer. Posso viver à parte mas nunca viverei à parte de ti, porque continuas a ser a melhor pessoa que conheci, vou sempre te amar pois é impossível te arrancar, mesmo estando com alguém és tu quem vou desejar. Jurei-te amor eterno e meu coração está guardado. Eu vi, por mais que tenha outro alguém é bom que se habitue a ti. Agora dedico a vida a escrever e a cantar, inspiração não tenho mas o vício tem de se matar.

http://fc07.deviantart.net/fs71/i/2011/080/1/d/sad_eyes_by_umbrellalady-d3c6nqs.jpg

Oiço vozes que a escuridão me quer transmitir, sentimentos que pessoas não sentem mas teimam em mentir. Na minha caixa agora aberta, a solidão vêm-me cumprimentar, eu abro a porta e peço para esta se sentar. Esta agradece e diz que me conheça de algum lado, eu respondo afirmativo dizendo que sou retornado. Estica a mão e toca no meu coração, o ambiente aquece e faço amor com a solidão. No final de 9 meses esta regressa com uma menina que é beleza, e disse com um sorriso a nossa filha chama-se tristeza. Uma lágrima corre no meu rosto de momentos de saudade, pego a tristeza nos meus braços e bebo um chá com a felicidade.

Dezembro 19th, 2009

No acampamento

Era verão e o calor apertava, por mais que me queimasse era no teu corpo que me encontrava. Desta vez era diferente porque não estava sozinho, tinha a meu lado quem eu queria para guiar o meu caminho. Por entre risos e gemidos, descobria cada centímetro do teu corpo, o teu beijo, o teu sorriso, era motivos para não me sentir morto. Os teus lábios molhados, devido ao facto de não os largar, o teu corpo fundido ao meu com vontade de não largar. Nunca pensei ser tão bom, mas com amor tudo é tão belo, tive meu coração na mão, antes de o esmagar com um martelo. Tudo o que é perfeito não pode durar para sempre, quem dizer que tenho sorte, eu desminto e afirmo que mente. Porque ter-se na mão o que se quer e a vida o fazer escapar, não é tristeza, é incapacidade de amar.

Dezembro 16th, 2009

Caminhos cruzados

http://fc06.deviantart.net/fs17/i/2007/154/8/8/friendship__by_mont_martre.jpg

Quem somos nós? Para nós somos alguém que nasceu e tem um papel nesta vida, mas para quem não nos conhece o que somos? Zero, uma nada que não conhecem, enfim não existimos. Pois bem, o nosso cérebro guarda informação do que conhecemos, de algo que tenha-mos uma vaga ideia que exista, não de algo que nunca conhecemos. Sabemos o que são pessoas porque nos cruzamos todos os dias com elas, mas alguma vez se perguntaram, qual será a história daquela senhora idosa com quem se acabem de cruzar? Não? Isso acontece porque é como se essa pessoa não existisse.

Cada vez mais a sociedade vive para si e apenas se conhece a si, digamos que muitas vezes a vida abriga a isso mas não tem de ser regra. O título deste post “Caminhos Cruzados” serve para transmitir uma ideia de algo fantástico desta vida que é conhecer alguém. Não se trata apenas de conhecer alguém, trata-se de acrescentar informação ao cérebro, trata-se de cruzar duas vidas, trata-se mesmo de dar vida o que para nós não existia ou nos era pouco relevante. Pensem nisso como o nascimento de alguém na vossa vida, essa pessoa pode viver perto de vocês como viver noutro país mas pelo facto de se terem conhecido essa pessoa já não é mais um fantasma na vossa vida é uma presença, que nos incomoda, nos faz rir, nos faz chorar, enfim nos faz sentir, vivos…

Todos somos diferentes, não existe ninguém igual a ninguém, apenas pessoas parecidas, por essa razão sempre que se conhece alguém existe um confronto de personalidades, de pensamentos, e digam-me o que há de mais inspirador e instrutivo do que isso? Só mesmo a própria vida. Vocês, mesmo não vos conhecendo, não são fantasmas mas sim presenças vivas, desde o primeiro dia em que leram uma palavra minha, por isso, os nossos caminhos estarão sempre cruzados…