Archive for Novembro, 2009
O reflexo

Reflexo. Deveria este ser real não deveria? Os fantasmas não têm reflexo, mas ainda não foi provado que estes existem, mas mesmo assim eu afirmo que existem, não os fantasmas, mas os reflexos que não são refletidos. O reflexo, outrora em tempos não assim tão remotos, era a realidade que um espelho espelhava, apresentava todos os defeitos, as perfeições e no fundo quem o olhava, uma pessoa. Hoje em dia, isso não se verifica, porque as pessoas já não são pessoas, as pessoas são um reflexo do que não são, o reflexo de uma sociedade regulada e limitada por padrões que os obrigam a ser o que não são, a mostrar o que não têm e a agir como nunca o fizeram.
Revoltados diria. Mas o que o mundo precisa é uma revolta. Não uma revolta mundial, mas uma revolta interna que começa em cada um de nós e que revolta é essa, perguntam vocês. Trata-se da afirmação e defesa de quem somos, sem privações, sem medos, sem medo de encarar a sociedade. Afinal somos nós, porque tentamos ser mais do que isso, se somos bons como somos?
Muitas pessoas vivem no medo de falhar, de estabelecer etapas que conseguem ultrapassar, mas que se vêm limitados pelo fator medo. No fundo tudo é um grande jogo psicológico onde o medo domina. Cada pessoa tem as qualidades que os definem, têm a personalidade que os caracteriza, porque queremos nós ter mais qualidades que não temos? Por pura ilusão, por ignorância, por medo do que a sociedade possa pensar de nós?
No fundo este é o reflexo de uma sociedade que não vive e quem não vive não tem reflexo, logo são fantasmas e os fantasmas existem, certo?
Amor à escrita

O amor não é fácil, por isso somente amo quem não me julga, nunca fui nem quero ser o cão que sofre com dor de pulga. O meu amor é a escrita, o papel é a nossa casa, a caneta o nosso carro, a tinta é amor em brasa. Que bom é ter-te nas noites em que tremo de frio, em frente à lareira em cada linha um arrepio. És tu quem me aquece escrita, e é por ti que eu hoje vivo, vivo para escrever, nos momentos de raiva és meu sedativo. Não encontro adjetivo para descrever tão bela arte, é isto que eu gosto sabes que nunca te colocarei de parte, minha companheira, minha amiga sempre fiel, já uma vez me casei contigo, agora coloca-te o anel de papel.
Sabes escrita por vezes tenho medo de não ser o melhor marido, mas sei que nunca mas nunca conseguirei contigo uma relação de amigo. Tornaste-te minha confidente aquela a que abro o coração, se existe um motivo de estar vivo, tu és a sua razão. Por isso te escrevo essa carta para nunca esqueceres que existo e tu és a razão, ai a razão porque persisto.
Pedra preciosa
Num dia em que nada tinha, num sonho que nunca tive, encontrei uma pedra que ao contrário das outras, vive. De uma beleza rara, como nunca ninguém encontrou, pedra preciosa, foi como o poeta lhe chamou. Tinha as linhas mágicas que mais ninguém consegue ter, a suavidade bela, que muitos morrem sem a ver. Sabe falar e tudo o que profere é belo, como se viesse de outro mundo paralelo. É como música, pois todas as suas notas são melodia, esta pedra tem o poder de tornar a noite em dia. O seu valor não se calcula, porque esta pedra não pode ser vendida, agora que a descobri nunca se irá encontrar perdida. Ai, que beleza sem igual, se me perguntarem o que quero, direi esta pedra pelo Natal, pois é ela que me faz acreditar na magia, é fantástica e encerra toda uma fantasia, a mesma que eu acredito e irei sempre acreditar, minha pedra pequena vou cuidar-te para não quebrar. E foi assim que o poeta no seu coração guardou, uma pedra preciosa que um dia encontrou, e mais foi capaz de jurar, que só a largará depois de se magoar.
Doces lábios
Doces lábios, como gostava de vos provar
tenho falta de açúcar, por isso não podes rejeitar
prometo tratar-te bem e não retirar esse teu doce
desde que os tenha por um segundo ou um pouco mais que fosse.
Hoo doces lábios, como gostava de vos ter
guardava-os só para mim, para mais ninguém os ver
repunha todo o doce, dia após dia
pois cada dia tua boca, era uma nova filosofia.
Escreveria em tua boca, uma história de amor
mostrava-te a verdadeira linha, abolindo a tua dor
posso não ser mais que isto, um poeta com um sonho
mas nunca prometo mais do que aquilo que proponho.
Sonho de poeta
Sentado num baloiço sentia minha vida baloiçar, tinha tudo o que amava, mas a incapacidade do o amar. Então, amando amava, o que pretendia ter, e sozinho, pensava como tão difícil era esquecer. Foi então que do nada surgiu luz, e derrepente o que era nevoeiro ficou diferente, o ambiente frio virou quente e ela apareceu. Surgida do nada, era como um túnel em estrada, onde eu queria caminhar, e do nada e sem nada fui em sua direção a andar, não esperando nada, e mesmo sem nada esperar, é então que me beija, seu beijo tão bom e tão bom que seja, para me acordar. É pena que este poeta, com alvo mas sem seta, só seja feliz a sonhar.













